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sexta-feira, 20 de julho de 2012


Falta de sensibilização sobre a exposição dos trabalhadores aos nanomateriais
Relatório da UE - OSHA


De acordo com uma revisão da literatura sobre nanomateriais da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, existem lacunas graves na sensibilização para os riscos potenciais envolvidos na manipulação, nos locais de trabalho, de nanomateriais, bem como graves deficiências  na forma como esses riscos são comunicados.

Na nossa vida quotidiana, a nanotecnologia está presente em inúmeros produtos e aplicações. São, pois, utilizados em alimentos, produtos de cosmética, têxteis, tintas, material desportivo, eletrónica, detergentes e muitos produtos no domínio da saúde e boa forma. Encontram-se igualmente presentes em muitos locais de trabalho.

Atualmente, estão registados mais de 1000 bens de consumo, produzidos por mais de 500 empresas em 30 países.

A Agência Europeia estima que existam atualmente de 300.000 a 400.000 empregos na UE que lidam diretamente com a nanotecnologia e nanomateriais manufaturados. 75% desses locais de trabalho são pequenas e médias empresas.

Na sua análise sobre a matéria, a OSHA concluiu que a comunicação dos riscos potenciais que esses materiais apresentam é ainda deficiente, e que a maioria dos europeus (54%) nem sequer sabe o que é a nanotecnologia.

Mesmo em locais de trabalho onde existem nanomateriais fabricados, o nível de sensibilização é reduzido. A título de exemplo, 75% dos trabalhadores e entidades empregadoras no setor da construção não têm consciência de que trabalham com estes materiais.

Existem algumas iniciativas no sentido de alertar para os riscos associados aos nanomateriais fabricados e comunicar a melhor forma de os gerir (embora nem sempre visem o local de trabalho), nomeadamente por parte de grandes produtores e alguns sindicatos, através do diálogo nacional em alguns Estados-Membros.

Mas há ainda muito por fazer - de preferência, numa ação conjunta dos responsáveis políticos, parceiros sociais, organismos nacionais responsáveis pela segurança e saúde no trabalho, órgãos responsáveis pela saúde pública, associações profissionais, entre outros - visto que uma comunicação deficiente dos riscos pode gerar confusão e suscitar receios injustificados ou levar a uma subvalorização dos riscos, e, consequentemente, à adoção de ações de prevenção e controlo dos riscos inadequadas.

As estratégias de comunicação dos riscos devem ajudar as entidades empregadoras a tomarem decisões  sobre os seus locais de trabalho e a aplicar medidas de prevenção adequadas, permitindo ao mesmo tempo que cada trabalhador controle pessoalmente a sua situação e possa assim proteger-se eficazmente.

A OSHA criou uma base de dados de exemplos de boas práticas empresariais relativas a uma gestão eficiente, no local de trabalho, de nanomateriais fabricados, que abrange oito Estados-Membros e um conjunto significativo de indústrias - tais como os têxteis, a construção e as aplicações médicas.


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Promover o envelhecimento ativo no local de trabalho


A União Europeia declarou 2012 o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações.

O envelhecimento ativo e a solidariedade entre as gerações são aspetos fundamentais da Estratégia 2020 da UE, que visa promover um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo.

A promoção do envelhecimento ativo no trabalho implica, nomeadamente, garantir postos de trabalho mais seguros e saudáveis para todos, e adaptar as condições de trabalho ao estado de saúde e às capacidades dos trabalhadores mais idosos.

À medida que vai diminuindo o número de jovens a entrar no mercado de trabalho nos próximos anos, verificar-se-á um aumento significativo na percentagem de pessoas mais velhas na força de trabalho.

Saiba mais em:


quarta-feira, 18 de julho de 2012


Portugal: Questionário EWCO sobre Uso de Álcool / Drogas no Trabalho


Fontes de informação relacionadas com o uso/abuso  de álcool e drogas no local de trabalho a nível nacional e sua relação com as condições de trabalho

Em Portugal, lamentavelmente, não dispomos de dados estatísticos oficiais que permitam conhecer, com rigor, a realidade do problema do consumo de álcool e drogas ao nível da população enquadrada profissionalmente.

Muito menos conhecemos a sua incidência por sectores de atividade. Desconhece-se, inclusive, o número exato de empresas que têm regulamentos escritos relativos às drogas e ao álcool e os respetivos moldes de intervenção sobre a problemática.

A única fonte estatística oficial, neste âmbito, é o Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral – Portugal, realizado em 2001 e, mais recentemente, em 2007. No entanto, se observarmos a sua estrutura, podemos aferir que nenhuma das questões que o constituem se encontra direcionada para a ligação entre “consumo de substâncias psicoativas e trabalho”.

Na análise dos resultados do questionário EWCO sobre álcool e drogas em meio laboral são sinalizados alguns estudos recentes sobre a temática, os quais importa referenciar.


Este estudo focaliza o uso de álcool na construção e obras públicas e baseia-se num questionário dirigido a 100 trabalhadores e nas suas perceções sobre o risco associado ao uso de álcool no local de trabalho.


Este estudo confere ênfase ao uso de álcool e drogas em diversos setores. Apresenta resultados recolhidos a partir de 52 organizações. Os métodos incluem um questionário e entrevistas individuais e de grupo.

Alexandra Lucas (2009) "O Alcoolismo nasOrganizações - Estudo de Caso da TAP". Estudo de caso com ênfase no uso de álcool na TAP - Transportes Aéreos Portugueses. Este estudo de caso é baseado em entrevistas com dois assistentes sociais da TAP.

terça-feira, 17 de julho de 2012


Segurança e Saúde

no sector da hotelaria, restauração e catering



O sector HORECA - hotelaria, restauração e catering - é um dos sectores responsáveis por criar mais postos de trabalho na Europa, empregando cerca de 8 milhões de pessoas. Estes dados reforçam a importância de uma boa gestão da segurança e saúde no trabalho e da prevenção dos riscos no que respeita a acidentes de trabalho e doenças profissionais no sector.

Os maiores riscos para quem trabalha neste sector são os seguintes:

Ø  Trabalho fisicamente exigente, que obriga a passar muitas horas de pé e em posturas estáticas, a movimentação manual de cargas, elevações e movimentos repetitivos, muitas vezes em combinação com outras condições de trabalho desfavoráveis, como as que resultam da deficiente conceção do local de trabalho;

Ø  Exposição a elevados níveis de ruído; cerca de 29% dos trabalhadores do sector estão expostos a ruído e mais de 4% consideram que tal facto coloca a sua saúde em risco;

Ø  Trabalho em ambientes quentes ou frios, especialmente a combinação de temperaturas elevadas com correntes de ar, portas abertas, alternância entre ambientes quentes e húmidos e ambientes frios, como despensas;

Ø  Cortes e queimaduras;

Ø  Escorregadelas, tropeções e quedas devidos a pavimentos húmidos e escorregadios e a obstáculos, incluindo quedas em altura;

Ø  Substâncias perigosas, por exemplo, o uso generalizado de produtos de limpeza e de agentes biológicos nos alimentos.

Os principais fatores de risco psicossociais são os seguintes:

ü  Horários de trabalhos prolongados e não convencionais; o sector caracteriza-se por turnos longos, horários de trabalho irregulares e pouco habituais; uma parte substancial do trabalho é efetuada quando a maior parte das pessoas não se encontra a trabalhar;

ü  Difícil conciliação entre a vida profissional e a vida pessoal, nomeadamente tendo em conta a imprevisibilidade dos horários de trabalho, a duração dos dias de trabalho e a falta de controlo sobre o trabalho;

ü  Elevada carga de trabalho e pressão para que este seja desenvolvido com celeridade; cerca de 75% dos trabalhadores referem que trabalham a ritmo elevado, 66% têm de trabalhar com prazos muito curtos e cerca de 48% afirmam não terem tempo suficiente para fazer todo o trabalho;

ü  Pouco controlo sobre o trabalho: as tarefas monótonas, sem criatividade e que exigem pouca iniciativa são muito comuns;

ü  Contato com colegas e com o chefe: a falta de apoio pode agravar o stresse provocado pelo trabalho; cerca de 70% dos trabalhadores são capazes de pedir ajuda aos colegas, mas apenas 53% conseguem pedir ajuda aos supervisores;

ü  O contacto contínuo com clientes pode ser uma fonte de stresse ou, nos piores casos, conduzir ao assédio ou mesmo à violência;

ü  Falta de formação e de educação; certas tarefas não exigem qualquer educação formal, a par de um baixo nível de formação e de experiência; as pessoas nem sempre possuem a formação adequada às tarefas que executam, o que pode gerar mais stresse.

Fonte:



sexta-feira, 13 de julho de 2012


Promoção da saúde junto dos trabalhadores jovens

Uma síntese de casos de boas práticas


De acordo com os dados disponíveis, a taxa de acidentes de trabalho não mortais, entre os trabalhadores dos 18 aos 24 anos, é superior, em mais de 40%, relativamente ao conjunto dos trabalhadores em geral. Os jovens têm igualmente maior probabilidade de ser afetados por uma doença profissional.

No entanto, em vez de serem pouco saudáveis, os locais de trabalho podem ser meios importantes para promover a saúde, oferecendo a oportunidade de melhorar a saúde geral dos trabalhadores, o que é igualmente benéfico para as empresas, porquanto permite reduzir os custos relacionados com doenças e aumentar a produtividade.

Um jovem trabalhador de 18 anos partiu ambas as pernas depois de iniciar o seu segundo dia de trabalho, ao cair da plataforma de um camião de recolha de resíduos. O jovem deslocava-se no exterior do veículo porque a cabina não tinha espaço suficiente para ele e para os colegas que também iam no camião.

Um jovem de 16 anos, no seu primeiro trabalho de férias, numa carpintaria perdeu os dedos da mão ao utilizar indevidamente uma serra elétrica. Não lhe foi dada informação ou formação sobre a utilização deste equipamento de risco.

Falamos de jovens. Falamos de trabalhadores jovens que têm que viver o resto das suas vidas com marcas profundas decorrentes de acidentes de trabalho. Falamos de jovens trabalhadores que perdem as suas vidas nos locais de trabalho.

As razões para esta situação são de vária ordem, apontando-se, indiscutivelmente, como uma das grandes causas a falta de educação e formação para a prevenção.

É, pois, certo que a ausência de educação e formação para a prevenção, constitui em Portugal, uma das causas para os números disponíveis sobre a sinistralidade laboral, principalmente no que respeita à população jovem recém admitida no mercado de trabalho.

Sectores de grande sinistralidade como a construção civil e a agricultura registam um número de acidentes de trabalho preocupante ao nível dos jovens trabalhadores.

Torna-se claro que na ausência de educação e formação sobre prevenção, os jovens recém chegados ao mercado de trabalho têm mais dificuldade em reconhecer os riscos profissionais e, mesmo quando os reconhecem podem ter mais dificuldade em tomar as medidas preventivas consideradas adequadas.

Tal facto sugere uma melhor preparação dos potenciais jovens trabalhadores em matérias sobre segurança, higiene e saúde no trabalho, de forma a adquirirem informação, atitudes e comportamentos adequados para a prevenção em geral e, para a prevenção dos riscos profissionais que vão encontrar no exercício da sua atividade profissional futura.

Nesta perspetiva, a interiorização de comportamentos e atitudes dirigidos à prevenção deve desenvolver-se mesmo antes da entrada na vida ativa, ou seja, a cultura de prevenção deve começar a ser construída nos bancos de escolas incutindo, desta forma, nos potenciais jovens trabalhadores, os princípios de uma verdadeira cultura de prevenção.

Entendemos que esta abordagem constitui um imperativo para a melhoria da qualidade de vida e das condições de trabalho, sendo a educação e a formação para a prevenção uma das suas expressões mais estruturantes.

É imperativo garantir que aos jovens seja assegurado o início da sua vida profissional de forma segura, saudável e em proteção pelo valor fundamental que é a

VIDA!


quinta-feira, 12 de julho de 2012


A nova estratégia da UE para a segurança e saúde no trabalho em 2013

Principais prioridades de uma futura Estratégia:


O Comissário Europeu do Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão - László Andor - definiu na Conferência Presidência dinamarquesa sobre Saúde e Segurança no Trabalho, em Copenhaga, em 28 de Junho, as prioridades-chave da nova estratégia e enfatizou a necessidade de se concentrar em medidas de prevenção especiais e instrumentos de avaliação de risco eficientes para promover e melhorar efetivamente a Segurança e Saúde Ocupacional.

Uma estratégia para o próximo período deve concentrar-se num número menor de prioridades.

A primeira área-chave devem ser as questões de saúde e da prevenção de problemas relacionados com o trabalho. As doenças ocupacionais relacionadas com o trabalho são um fardo pesado para os trabalhadores e empresas.

Por exemplo, as músculo-esqueléticas relacionados com o trabalho são um grave problema de saúde que afeta o emprego e a produtividade.

Estima-se que pelo menos 11 milhões de trabalhadores sofrem de tais distúrbios, sendo que o custo total estimado destas condições para os trabalhadores, empregadores e autoridades públicas é quase 163000000000 € em dois anos.

Os riscos psicossociais relacionados com o trabalho são também um problema crescente na UE, especialmente no momento de crise que passamos na atualidade.

Por exemplo, o medo de perder o emprego e os efeitos que isso possa ter - combinado com a falta de perspetivas de carreira - pode ter sérias implicações para a saúde e para o bem-estar dos trabalhadores e suas famílias.

Os riscos potenciais das novas tecnologias são, igualmente, preocupantes. A Engenharia de nanotecnologia, genética e biologia sintética são exemplos significativos.

A segunda área-chave que qualquer nova estratégia deve focar é uma implementação mais eficaz da legislação da UE, o que tem particular  importância nas PME, que empregam a maioria dos trabalhadores da UE, e especialmente nas microempresas.

 Essas empresas podem ter dificuldade em cumprir regras de segurança e saúde, dada a sua falta de recursos especializados próprios. A consequência são as más condições de trabalho com maiores riscos para os trabalhadores, ou custos elevados, devido à necessidade de contratar consultores a custo elevado.

A adoção de medidas especiais e abordagens são, portanto, necessárias para ajudar as PME a cumprir com as disposições legais e a promover um melhor desempenho, sem impor uma carga desnecessária.

A ferramenta interativa Oira - Avaliação de Risco on-line - desenvolvida pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho em Bilbau pode proporcionar às PME uma solução eficaz e menos onerosa para documentar avaliação de risco. Esta é, pois, uma ferramenta que precisa ser promovida e utilizada no seu pleno potencial.

 A terceira área chave envolve a necessidade de um esforço especial ao longo dos próximos anos para tornar a vida de trabalho sustentável.

Face aos desafios demográficos que a Europa enfrenta, a manutenção da boa saúde e da segurança dos trabalhadores é uma condição prévia para uma vida de trabalho sustentável e para o envelhecimento ativo e saudável após a reforma.

Melhores carreiras e mais trabalho são urgentemente necessários para financiar e apoiar o prolongamento da vida dos cidadãos europeus.

Contudo, os locais de trabalho têm que ser adequados ao envelhecimento da população ativa.

Importa, portanto, pensar sobre iniciativas específicas para promover a saúde e a segurança dos trabalhadores mais velhos, facilitando o seu envelhecimento saudável no trabalho e o desenvolvendo de uma cultura de prevenção em toda a vida ativa.

Consulte aqui

 

UE - A nova estratégia da UE para a segurança e saúde no trabalho em 2013

Até o final do ano, a Comissão Europeia deverá apresentar os resultados finais da avaliação da atual estratégia e, dependendo dos resultados, uma nova estratégia de saúde e segurança no trabalho será adotada em 2013.

Esta confirmação foi dada pelo Comissário Europeu do Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão - László Andor - na Conferência Presidência dinamarquesa sobre Saúde e Segurança no Trabalho, em Copenhaga, em 28 de Junho.

O Comissário Andor definiu as prioridades-chave da nova estratégia e enfatizou a necessidade de se concentrar em medidas de prevenção especiais e instrumentos de avaliação de risco eficientes para promover e melhorar efetivamente a Segurança e Saúde Ocupacional.


Aponta como razões para uma nova Estratégia, as seguintes:

1ª – Saúde – Os problemas de saúde e os riscos para a segurança e a saúde, bem como os efeitos nocivos são praticamente os mesmos em toda a Europa. Trabalhadores, empresas e Estados-Membros enfrentam, pois, desafios semelhantes.

Fundamenta com a apresentação dos seguintes números:

- Os Trabalhadores europeus continuam a ser expostos a riscos físicos - 33% dos trabalhadores manifestam transportar cargas pesadas, pelo menos, um quarto do seu tempo de trabalho, e quase a metade de todos os trabalhadores - 46% - trabalham em posições dolorosas ou cansativas, pelo menos, um quarto do seu tempo de trabalho.

- Quase 30% dos trabalhadores estão expostos a ruídos intensos, pelo menos, um quarto do seu tempo de trabalho e 15%, manifestam respirar poeiras ou lidam com produtos químicos perigosos.

2ª – Legislação que cobre os principais riscos, contudo a sua transposição per si não é suficiente para reduzir a incidência de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Importará assegurar uma melhor aplicação das disposições nacionais neste domínio e uma abordagem mais coerente a nível da EU.

A troca de experiências e boas práticas em várias áreas, identificando indicadores comuns, definindo metas, tomar iniciativas conjuntas para identificar novos riscos e adotar uma abordagem estratégica comum para a saúde ocupacional e os problemas de segurança são exemplos de um verdadeiro valor acrescentado da UE.

3º - Planeamento – a definição de objetivos políticos em áreas de relevância para a saúde e segurança ocupacional, tais como a saúde pública, a defesa do consumidor, o emprego, a proteção ambiental e a competitividade.

Aqui, novamente, o papel da UE é crucial para o desenvolvimento e implementação de ações efetivas e consistentes em todos os Estados-Membros.


Consulte aqui