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terça-feira, 16 de outubro de 2012


Promoção da Saúde no sector dos transportes

 
O setor dos transportes é ocupado maioritariamente por homens. Estes trabalhadores encontram-se sujeitos a riscos profissionais vária ordem, a começar, desde logo, pelo facto de terem de permanecer durante muito tempo sentados ou em posições incómodas ou penosas.

Além disso, estão sujeitos a horários de trabalho prolongados (mais de 48 horas por semana, em média) e irregulares (trabalho noturno e ao fim de semana, e mais de 10 horas de trabalho por dia), o que tem, necessariamente, implicações ao nível do equilíbrio vida profissional/ familiar.

Os problemas de saúde mais referidos pelos condutores são as dores lombares, o excesso de peso, as doenças cardiovasculares e respiratórias e o stresse relacionado com o trabalho.

A Agência Europeia para a SST publicou, recentemente, uma ficha informativa sobre esta temática, sendo apontados os principais riscos associados a esta atividade e as ações concretas de promoção da saúde no local de trabalho que podem ser realizadas com o objetivo de melhorar as condições de saúde e bem-estar dos condutores, bem como casos de boas práticas.

Pode aceder a esta publicação Aqui
 
Para aceder a mais recursos sobre a promoção da saúde no sector dos transportes, visite as seguintes seções do site da EU_OSHA:
 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012


 A Inspeção e os/as Trabalhadores/as Domésticos/as

Fórum da OIT

 
Encontra-se a decorrer (11 e 12 de outubro), em Lisboa, um encontro de peritos de toda a Europa, convocados pela OIT - Organização Internacional do Trabalho - para debaterem a inspeção do trabalho e o setor do trabalho doméstico.

Representantes dos governos e das principais organizações de trabalhadores e empregadores encontram-se neste Fórum da OIT para concertarem medidas adequadas com vista à promoção do trabalho digno neste setor de atividade.

Relembramos que na última Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Junho deste ano, a OIT aprovou a Convenção nº189 - Convenção sobre o Trabalho Decente para as Trabalhadoras e os Trabalhadores Domésticos, em que são fixadas normas mínimas para este tipo de trabalho realizado de modo especial pelas mulheres e imigrantes.

O trabalho doméstico é um tema que apresenta grandes desafios, nomeadamente no que toca à ação inspetiva, entre outros aspetos, devido à natureza privada dos locais de trabalho (famílias), aos défices de informação dos empregadores e trabalhadores sobre os seus direitos e obrigações, a dificuldades de prova e da necessidade de uma forte cooperação - ainda mais do que para outras áreas - com o sistema judiciário.

O trabalho doméstico é ainda, muitas das vezes, associado a trabalho não declarado, sendo estes trabalhadores afetados por um elevado índice de desproteção e de precariedade.

O trabalho doméstico, principalmente aquele que é ministrado no seio familiar, é muitas das vezes prestado à margem das regras legais e dos princípios que deverão estar na base da igualdade de tratamento entre trabalhadores/as.

Em suma, o trabalho doméstico continua a ser dos mais precários, dos mais mal pagos, dos menos protegidos, ou seja, uma das formas de emprego com maiores riscos.

Os/as Trabalhadoras/es domésticas/os continuam sistematicamente a sofrerem com o desrespeito aos direitos humanos e aos direitos fundamentais no trabalho.

As trabalhadoras/es domésticas/os continuam, lamentavelmente, a ser vítimas frequentes de violação dos direitos humanos e dos direitos fundamentais no trabalho, como o trabalho forçado, o trabalho infantil e a discriminação.

Esta é uma realidade que continua a verificar-se em muitos países, não apenas nos menos desenvolvidos mas também em alguns países europeus (basta recordar a situação de extrema precariedade que atingiu um grupo de trabalhadoras domésticas portuguesas que se encontravam a prestar serviço na Alemanha).

O trabalho doméstico é, pois, uma das atividades para as quais a noção de trabalho decente tem especial importância e, considerando as discriminações de gênero e raça envolvidas, tem estreita relação com a questão mais ampla da igualdade de oportunidades e tratamento no mundo do trabalho.

Ficamos, pois a aguardar as conclusões deste Fórum.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012


 
10 de outubro – Dia Mundial da Saúde Mental

 
Assinala-se, hoje, o “Dia Mundial da Doença Mental”, uma data que se destina a sensibilizar para as questões de saúde mental.

De acordo com um estudo realizado pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, 1 em cada 4 portugueses já sofreu, em algum momento da sua vida, de depressão, 59 % dos portugueses reconhece-a como uma patologia que necessita de acompanhamento clínico e medicação e 96 % acredita que a crise económica está a provocar um aumento dos casos desta doença em Portugal.

Com efeito, na atualidade, é impossível dissociar as condições de saúde mental da situação generalizada de crise económica, na medida em que todas as evidências mostram que esses impactos económicos têm graves consequências sociais que se traduzem no aumento dramático dos níveis de desemprego e no consequente sofrimento das pessoas, no aumento das situações de pobreza e exclusão social, o que aumentará as probabilidades de risco no desenvolvimento de problemas de saúde mental, como a depressão e tendências suicidas.

A EU-OSHA publicou, recentemente, um relatório que apresenta boas práticas na promoção da saúde mental no local de trabalho.

O relatório contém informações sobre como integrar a promoção da saúde mental numa abordagem mais global de melhoria e promoção da saúde, segurança e bem-estar dos trabalhadores no local de trabalho.

Promoção da saúde mental no local de trabalho - Resumo de um relatório de boas práticas

quinta-feira, 4 de outubro de 2012


Relatório Anual da Procuradoria-Geral da República

Recurso a tribunais por acidentes de trabalho decresceu em 2011
 

O recurso aos tribunais por acidentes de trabalho diminuiu em 2011, o mesmo acontecendo nos processos de doenças profissionais e outros relacionados com a área laboral, revela o (PGR).

Os dados reunidos nos serviços do Ministério Público indicam que os processos por acidentes de trabalho instaurados decresceram de 21.325 em 2010 para 20.272 para o ano passado.

Nos processos de doenças profissionais e outros, movimentaram-se 148, com 38 abertos em 2011 e os restantes 93 instaurados há dois anos.

Do total dos processos movimentados, 87 foram encerrados, mais 13 do que no ano transato.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012


Saúde Mental

em Tempo de Crise Económica

 
Em junho de 2012, o Parlamento Europeu organizou um workshop sobre "Saúde Mental em Tempo de Crise Económica ", com o objetivo de discutir as evidências sobre a relação entre a saúde mental e a crise financeira global.

Com efeito, a crise económica atingiu seriamente a Europa, causando o aumento dos níveis de dívida nacionais, subindo taxas de juros, diminuição do PIB, e agravamento das taxas de desemprego.

 A evidência sugere que esses impactos económicos têm graves consequências sociais que se traduzem no aumento dramático dos níveis de desemprego e no consequente sofrimento das pessoas, no aumento das situações de pobreza e exclusão social, o que aumentará as probabilidades de risco no desenvolvimento de problemas de saúde mental, como a depressão, que poderão conduzir ao suicídio.
 
Estudos recentes na Europa têm relacionado o aumento de 1% nas taxas de desemprego nacionais a um aumento de 0,8% na taxa de suicídio.
 Destaca-se uma das considerações finais deste encontro, em que se enfatizou a necessidade de se classificar as doenças mentais como doenças profissionais.

Consulte Aqui o Relatório que resume as apresentações e as discussões no Workshop sobre "Saúde Mental em tempo de crise económica", realizado no Parlamento Europeu.

terça-feira, 2 de outubro de 2012


Segurança e Saúde do Trabalho e a Prevenção do Consumo de Substâncias Psicoativas: Linhas Orientadoras para Intervenção em Meio Laboral

 
«Os indivíduos passam cerca de um terço da vida adulta no local de trabalho. O facto de permanecer no local de trabalho sob a influência de substâncias psicoativas depende da conjugação de múltiplos fatores, alguns dos quais ligados a caraterísticas individuais e hábitos de vida e outros de natureza profissional relacionados, por exemplo, com a tipologia do trabalho, ritmos e cadencias, trabalho por turnos, stresse, entre outros».
 
Este texto faz parte do Preâmbulo do Guia Prático «Segurança e Saúde do trabalho e a Prevenção do consumo de substâncias psicoativas-Linhas orientadoras para intervenção em meio laboral» da autoria do IDT (atual SICAD – Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências) e ACT.

A UGT colaborou na elaboração deste documento, tendo o trabalho sido desenvolvido por um grupo de trabalho restrito que englobou técnicos do IDT, da ACT, representantes da CNPD, da CIP, da CCP, da CGTP, da DGS e da SPMT.

Partindo da evidência que a prevenção e a intervenção no consumo de substâncias psicoativas em contexto laboral, deve constituir um investimento das organizações pelo potencial reflexo positivo na qualidade de vida dos trabalhadores e na produtividade, foi elaborado este Guia que constitui um instrumento enquadrador que tem como objetivo ser um referencial técnico-legal que oferece resposta a diferentes situações no âmbito desta problemática.
 
Destaca-se, pois, a sua utilidade para trabalhadores, sindicatos, empresários, técnicos dos setores público e privado com intervenção nesta área.

Mais se acrescenta que o documento insere-se nos objetivos consignados na Estratégia Nacional de Luta Contra a Droga, no Plano Nacional para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool e na Estratégia Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho que na sua medida n.º Medida n.º 1.7 preconiza o desenvolvimento, em articulação com o Plano Nacional contra a Droga e as Toxicodependências, programas de prevenção em meio laboral para combater o alcoolismo e outras toxicodependências.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012


A Prevenção e a Segurança em tempos de crise.
Reflexão
Colocar a questão assim…. Porque é assim que tem sido colocada nos últimos tempos, pode ser entendido como uma forma de transformar um direito que assiste a todos os trabalhadores – o direito à prestação de trabalho em condições que respeitem a sua segurança e a sua saúde asseguradas pelo empregador - numa espécie de luxo a que apenas os prósperos se podem conceder.
No entanto, será a Prevenção algo de contingente? Algo que pode, ou não, ser considerado como direito dependendo das circunstâncias financeiras das sociedades e das empresas?
A Prevenção e Segurança no local de trabalho é uma despesa ou um investimento? Se for uma mera despesa – um luxo - então, o retorno ou não existe ou, é diminuto. Será este o caso? Sabemos que não……
O que sabemos é que todos os anos morrem cerca de 6 mil pessoas na UE em consequência de acidentes de trabalho para além de quase cerca 160 mil de doença profissional.
Em Portugal, sabemos que em 2011 a ACT realizou cerca de 161 inquéritos de acidentes de trabalho mortais.
Sabemos também que as instituições se encontram mais atentas a estas questões - nomeadamente a Organização Internacional do Trabalho - e preocupadas com os efeitos da crise na qualidade do trabalho, tendo em conta a tendência de retração das empresas, particularmente as pequenas e microempresas, que leva à eventual diminuição dos investimentos em matéria de segurança e saúde.
Necessariamente que não é muito difícil retirar e elação que esta tendência poderá levar a mais acidentes e doenças profissionais com o aumento dos custos económicos, sociais e humanos que se lhes estão inerentes.
Também há verdades que não perdem atualidade. Assim são muitas das fábulas de Esopo e, particularmente a fábula do javali e da raposa.
Um javali estava a afiar as presas no tronco de uma árvore, quando apareceu uma raposa. «Para que fazes isso?», perguntou a raposa. «Não há caçadores nas proximidades e neste momento não noto mais nenhum perigo». «Bom», respondeu o javali «pode ser, mas eu gosto de ter as presas afiadas para quando o perigo surgir, estar pronto para lutar».
Moral: Devemos estar sempre preparados para o perigo, porque mais vale prevenir do que remediar.
Mais vale prevenir que remediar.
Se o bom senso popular já o recomendava na Grécia antiga, como podemos nós, hoje, equacionar uma diminuição dos padrões de segurança e de prevenção em nome de imperativos financeiros, em nome da competitividade e em nome da crise que sobre nós se abateu?
A Prevenção e a Segurança são acima de tudo um investimento em pessoas.
Ora, desperdiçar as pessoas é um luxo que uma Europa onde os nascimentos são cada vez menos e a média de idades aumenta cada vez mais….
Numa Europa, e num Portugal em que o abismo societal se tem vindo a alargar, em que as condições de trabalho são também um importante fator de desigualdade.
Neste ano europeu do envelhecimento ativo, não deixa de ser interessante ponderar que, de acordo com dados do Eurofound, apenas cerca de 43% dos homens e 36% das mulheres portuguesas pensam que poderão continuar a trabalhar depois dos 60 anos (contra mais de 70% dos holandeses/as) o que é um reflexo da forma como as condições de trabalho afetam o bem-estar dos indivíduos.
Quando falamos de Prevenção e Segurança no Trabalho falamos de direitos Humanos. Os progressos civilizacionais da UE assentaram, precisamente, na sua capacidade de construir uma sociedade-modelo, desenvolvida sobre valores humanistas.

Estes são valores que urge preservar e aprofundar a par da coesão social sobretudo, quando muitos dos sinais vão em sentido contrário.
Com efeito, todos os dias somos confrontados com notícias que aumentam as pressões sobre o mundo do trabalho: aumento do desemprego (com especial incidência entre os mais jovens); despedimentos; salários em atraso; alteração de legislação que na prática introduz uma maior incerteza; alteração das relações laborais. Todo um conjunto de notícias cuja base de fundamentação é a crise económica ou, a estratégia para a ultrapassar e que têm um forte impacto nos trabalhadores.
O maior impacto da crise sente-se naturalmente, nos trabalhadores que perdem o seu “ganha-pão”. O desemprego tem consequências nefastas para a saúde que se manifestam numa perda das relações sociais, autoestima, sentimentos de abandono, depressão.
Acresce que são muitas vezes os mais frágeis os primeiros a ser despedidos. Até porque uma saúde débil ou a idade podem ser um dos fatores de seleção.
Para os trabalhadores “resistentes”, aqueles que permanecem apesar de tudo, a primeira consequência é a intensificação do trabalho. Esta intensificação comporta frequentemente a degradação da qualidade do trabalho fazendo aumentar a pressão sobre o trabalhador e colocando à prova a sua saúde mental e física.
Nos dias que correm não basta ter uma vida longa, há que preservar a saúde e o bem-estar assegurando, aos trabalhadores, na medida do possível, uma vida ativa e digna. Ora, para isso, é importante que desde o primeiro momento, ou seja desde o momento em que se começa a trabalhar, e desejavelmente, a partir da escola, estar sensibilizado, informado e formado para a problemática da SST.
A prevenção não é um luxo para as sociedades. A prevenção não é uma sobrecarga para as economias. Luxo é desperdiçar vidas em virtude de critérios economicistas.
Claramente, a prevenção e a segurança implicam custos. Claro que a prevenção implica investigação, análise, procura de soluções. Mas, e os acidentes, não implicam custos diretos e indiretos? Quanto custa uma vida humana? Em quanto está avaliada a saúde de um trabalhador?
A Segurança e a saúde são direitos de todos os trabalhadores.
Passamos uma parte muito significativa das nossas vidas no local de trabalho, por isso, as condições de trabalho são de uma importância crucial para a saúde física e mental dos indivíduos pelo que é essencial que apesar da crise, e tendo em conta o retorno que o investimento nesta área representa, quer para os indivíduos, em particular, quer para a sociedade em geral, se continue a investir/ a apostar na Prevenção.