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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

CES: Parlamento Europeu vota legislação sobre stress relacionado com o trabalho

 

A Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais do Parlamento Europeu votou a favor de exigir à Comissão Europeia que apresente legislação vinculativa necessária para combater o aumento do stress no local de trabalho, responsável por milhares de mortes todos os anos.


Os eurodeputados votaram a favor de um relatório de iniciativa própria, apresentado por Estelle Ceulemans, sobre os riscos psicossociais, o stress e a saúde mental no trabalho. A votação ocorre durante a segunda fase da consulta da Comissão Europeia sobre a Lei dos Empregos de Qualidade (Quality Jobs Act), que inclui uma possível intervenção sobre os riscos psicossociais.


A Confederação Europeia dos Sindicatos (CES) considera que a inclusão de legislação vinculativa sobre a prevenção e gestão dos riscos psicossociais relacionados com o trabalho, no âmbito da Lei dos Empregos de Qualidade, é urgentemente necessária, num momento em que:


  • O stress no local de trabalho é responsável por mais de 10 000 mortes por ano na União Europeia e no Reino Unido;
  • O stress no trabalho representa atualmente mais de 40% de todos os casos de depressão;
  • Menos de 40% dos locais de trabalho na UE dispõem de planos de ação para prevenir os riscos psicossociais;
  • A economia europeia perde 620 mil milhões de euros por ano devido à depressão relacionada com o trabalho;
  • Em 9 em cada 10 empresas, a adoção de medidas de saúde e segurança é motivada por uma obrigação legal.

Esther Lynch, Secretária-Geral da CES, afirmou:

“Durante demasiado tempo, a saúde mental no trabalho foi tratada como um problema pessoal que cada pessoa deveria gerir, em vez de ser encarada como um risco profissional que deve ser prevenido. Os trabalhadores não deveriam ter de chegar ao limite antes de os empregadores tomarem medidas. A prevenção não é um complemento opcional; é precisamente o objetivo da legislação de saúde e segurança no trabalho.


“As mudanças significativas na nossa cultura de trabalho ao longo das últimas décadas aumentaram os níveis de burnout, depressão e doenças cardíacas, ao ponto de os riscos psicossociais representarem agora um perigo maior para a saúde dos trabalhadores do que os acidentes físicos.


“No entanto, não existe legislação da UE especificamente dedicada aos riscos psicossociais no trabalho. O Parlamento deixou hoje claro à Comissão que esta situação é insustentável. A solução não passa por colocar cartazes a dizer aos trabalhadores para cuidarem da sua saúde mental perante condições de trabalho cada vez mais impossíveis.


“O que precisamos é de legislação vinculativa sobre os riscos psicossociais no âmbito da Lei dos Empregos de Qualidade, que responsabilize os empregadores pela prevenção e gestão dos riscos psicossociais da mesma forma que são responsabilizados pelos riscos físicos. Todos os empregos, todas as profissões, todos os setores e todas as idades devem estar abrangidos.”


Jan Willem Goudriaan, Secretário-Geral da EPSU, afirmou:

“A EPSU congratula-se com este tão aguardado relatório, que apela à criação de legislação europeia sobre os fatores de risco psicossocial. Durante demasiado tempo, os trabalhadores dos serviços públicos têm exercido as suas funções em condições prejudiciais para a sua saúde mental, incluindo cargas de trabalho excessivas, falta de pessoal e violência.


“Em particular, nos setores da saúde e da assistência social, os riscos psicossociais constituem a segunda principal causa de absentismo por doença, depois das perturbações musculoesqueléticas. O inquérito de 2025 da OMS/Europa demonstrou a situação preocupante entre médicos e enfermeiros: um em cada três profissionais refere sintomas de depressão ou ansiedade e mais de 10% relatam pensamentos de pôr termo à própria vida ou de se automutilarem. Muitos trabalhadores que prestam serviços públicos encontram-se na linha da frente, expostos à violência por parte de terceiros e ao stress que esta provoca.


“Existe uma necessidade urgente de implementar as recomendações deste relatório, num momento de emergência nos serviços públicos, e de desenvolver uma diretiva específica. A proteção dos trabalhadores contra os fatores de risco psicossocial é fundamental para o futuro dos serviços públicos europeus.”


Nayla Glaise, Presidente da Eurocadres, afirmou:

“Mais uma vez, a Comissão é chamada a agir, uma vez que uma intervenção legislativa contra os riscos psicossociais há muito que se tornou necessária. A Eurocadres congratula-se com o mais recente relatório do Parlamento, que deixa claro que não basta reconhecer o problema: é necessária uma ação concreta numa área em que a Europa tem falhado continuamente.


“A existência de regras vinculativas para prevenir a exposição dos trabalhadores a estes riscos é uma necessidade, tendo em conta o número crescente de profissionais e dirigentes afetados em toda a UE. Longe de ser apenas uma reivindicação sindical, os especialistas têm apelado continuamente a definições claras e a regras que ajudem a reduzir o risco para a saúde e segurança representado por estes fatores.


“Este relatório constitui uma continuação importante de um apelo que tem sido feito há muito tempo e esperamos que a Comissão lhe dê a devida resposta.”

 

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