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quinta-feira, 10 de março de 2022

Organização Mundial de Saúde e a Organização Internacional do Trabalho divulgam documento técnico sobre o teletrabalho saudável e seguro

 

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) apelaram à adoção de medidas para proteger a saúde dos trabalhadores durante o teletrabalho, através da nota técnica sobre teletrabalho saudável e seguro.

 

O documento descreve os benefícios e os riscos para a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras no contexto de teletrabalho, indicando as mudanças a adotar nas diferentes formas de organização do trabalho à distância, ditado pela pandemia da COVID-19 e pela consequente transformação digital do trabalho.

 

Segundo a publicação, os principais benefícios são o equilíbrio entre trabalho e a vida pessoal, as oportunidades para horários de trabalho flexíveis e atividade física, a redução do tráfego e o tempo de deslocação, e uma diminuição da poluição atmosférica, aspetos que contribuem para a melhoria da saúde física e mental, assim como do bem-estar social.

 

O teletrabalho também pode levar a uma maior produtividade e a custos operacionais mais baixos para muitas empresas. Por outro lado, o documento adverte para a necessidade de um planeamento adequado, sendo por isso necessário reforçar o apoio no que concerne à saúde e segurança, uma vez que o impacto do teletrabalho na saúde física e mental e no bem-estar social dos trabalhadores pode ser significativo.

 

As principais consequências do teletrabalho são o isolamento, o burnout, a depressão, a violência doméstica, as lesões músculo-esqueléticas e outras, tais como tensão ocular, aumento do tabagismo e do consumo de álcool, tempo excessivo sentado em frente de um écran e por fim, aumento de peso.

 

A nota técnica descreve o papel que os governos, empregadores, trabalhadores e serviços de saúde no local de trabalho devem desempenhar na promoção e proteção da saúde e segurança durante o teletrabalho.

 

Mensagens-chave

 

 ■ Teletrabalho – a prática de trabalhar remotamente usando tecnologia de informação e comunicação tem um papel importante e crescente no local de trabalho e tem um impacto potencial na saúde, na segurança e no bem-estar dos trabalhadores.


■ Quando organizado e realizado adequadamente, o teletrabalho pode ser benéfico para a saúde física e mental e para o bem-estar social. Pode melhorar o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, reduzir significativamente o tempo gasto na deslocação entre local de trabalho e habitação, o que pode melhorar a saúde física e mental. O teletrabalho também pode ter benefícios sociais e de saúde pública.

 ■ As configurações de teletrabalho podem não atender aos padrões de segurança e saúde ocupacional disponíveis nos locais de trabalho tradicionais.


■ O ambiente físico, o design do posto de trabalho e os equipamentos sendo inadequados, podem resultar em distúrbios musculoesqueléticos, fadiga ocular e lesões de diversa ordem.

 

■ Trabalhar num ambiente digital em situação de isolamento físico relativamente aos restantes colegas de trabalho, juntamente com as possíveis dificuldades na gestão do equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, pode resultar em problemas de saúde mental e em comportamentos inadequados.


■ Proteger e promover a saúde e o bem-estar em situação de teletrabalho requer um conjunto abrangente de medidas para proporcionar um ambiente de trabalho saudável e seguro, incluindo uma organização adequada do trabalho propriamente dito.


■ Governos, empregadores e trabalhadores têm um papel na proteção e na promoção da saúde e segurança durante o teletrabalho, incluindo, assegurar todas as condições de ergonomia, saúde mental e bem-estar, conforme definido pela Convenção da OIT sobre Segurança e Saúde Ocupacional, de 1981 e pelo Quadro Promocional para Segurança Ocupacional.


■ Os empregadores que têm a seu cargo teletrabalhadores devem desenvolver programas para promover o teletrabalho saudável e seguro. Esses programas devem fornecer assistência para avaliar e gerir os fatores de risco para a saúde e segurança, para o posto de trabalho e todos os equipamentos e suportes remotos de TIC.


■ Os serviços de saúde ocupacional podem oferecer apoio ergonómico, de saúde mental e psicossocial.


■ Os trabalhadores devem colaborar com os empregadores na implementação destas medidas, cooperando com o seu empregador e cumprindo os seus próprios deveres de saúde e segurança para garantir condições dignas e seguras para o teletrabalho.

 

Nota: tradução da responsabilidade do Departamento de SST

 

Consulte o documento HEALTHY AND SAFE TELEWORK TECHNICAL BRIEF


quinta-feira, 3 de junho de 2021

ILO e OMS - Longas horas de trabalho são um grande assassino do coração

 

 


imagem com DR

 

As longas horas de trabalho estão a matar centenas de milhares de pessoas por ano, de acordo com as agências da ONU. O primeiro estudo global deste tipo mostrou que 745.000 pessoas morreram em 2016 devido a um AVC e a doenças cardíacas devido às longas horas de trabalho.

 

O relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou que a tendência pode agravar-se devido à pandemia coronavírus. A pesquisa descobriu que trabalhar 55 horas ou mais por semana estava associado a um risco 35 % maior de AVC e um risco 17 % maior de morrer de doenças cardíacas, em comparação com uma semana de trabalho de 35 a 40 horas.

 

O estudo também mostrou que quase três quartos daqueles que morreram em resultado de trabalhar longas horas eram homens de meia-idade ou mais velhos.

 

Muitas vezes, as mortes ocorreram muito mais tarde na vida, por vezes décadas mais tarde, do que quando as horas excessivas eram trabalhadas.

 

A OMS e a OIT estimam que, em todo o mundo, em 2016, 398.000 pessoas morreram de AVC e 347.000 de doenças cardíacas, em resultado de terem trabalhado pelo menos 55 horas por semana.

 

Entre 2000 e 2016, o número de mortes por doenças cardíacas devido ao trabalho de longas horas aumentou 42 %, e de AVC em 19%.

 

O estudo observou que, com o trabalho de longas horas, agora conhecido como responsável por cerca de um terço do peso total estimado da doença relacionada com o trabalho, é estabelecido como o fator de risco com a maior carga da doença profissional.

 

 O número de pessoas que trabalham longas horas está a aumentar e, atualmente, situa-se em 9% da população total a nível mundial, refere o relatório. O Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, disse: "Nenhum trabalho vale o risco de acidente vascular cerebral ou doença cardíaca. Os governos, os empregadores e os trabalhadores precisam de trabalhar em conjunto para chegar a um acordo sobre os limites para proteger a saúde dos trabalhadores."

 

Vera Paquete-Perdigão, diretora do departamento de governação e tripartismo da OIT, afirmou: "Trabalhar longas horas pode levar a inúmeros efeitos mentais, físicos e sociais. Os governos devem levar esta questão muito a sério."

 

E acrescentou: "A pandemia Covid-19 agravou a situação, uma vez que os trabalhadores podem ser afetados por riscos psicossociais adicionais decorrentes da incerteza da situação de trabalho e de horários de trabalho mais longos."

 

Tradução da responsabilidade do departamento de SST


Aceda à versão original Aqui.



quarta-feira, 26 de maio de 2021

Longas jornadas de trabalho podem aumentar as mortes por doenças cardíacas e derrames, de acordo com a OIT e a OMS

 


Comunicado de Imprensa de 17 de maio de 2021

 

O número de pessoas que trabalham longos períodos de tempo, em todo o mundo, aumentou significativamente, atingindo cerca de 479 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, ou seja 9% da população mundial.

 

As longas jornadas de trabalho levaram a 745.000 mortes por doença isquemia do coração e a derrames em 2016, um aumento de 29% desde 2000, de acordo com novas estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Numa primeira análise global da perda de vida e da saúde devido a essas duas doenças, que estão associadas aos longos períodos de trabalho, a OMS e a OIT, estimaram que, em 2016, 398.000 pessoas morreram de acidente vascular cerebral e 347.000 de doenças cardíacas atribuíveis a terem trabalhado 55 ou mais horas por semana.

 

A revisão encontrou evidências suficientes de que trabalhar pelo menos 55 horas por semana está associado a um maior risco de doença cardíaca isquemia e a acidente vascular cerebral, em comparação com trabalhar entre 35 e 40 horas por semana.

 

De 2000 a 2016, o número de mortes por doenças cardíacas devido a longas horas de trabalho aumentou 42% e as por acidente vascular cerebral em 19%.

 

“Trabalhar muitas horas pode provocar numerosos efeitos mentais, físicos e sociais. Os governos deveriam levar este assunto muito a sério."

 

Vera Paquete-Perdigão, diretora, Departamento de Governança e Tripartismo da OIT

Com isso, 72% das mortes ocorreram entre homens. Os trabalhadores de meia-idade ou mais velhos com idades entre 60 e 79 anos que trabalharam 55 horas ou mais por semana entre as idades de 45 e 74 anos foram particularmente afetados.

 

Isso é especialmente preocupante, dado que o número de pessoas que trabalham longas horas em todo o mundo aumentou, atingindo cerca de 479 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, ou seja 9 % da população mundial, uma tendência que coloca mais pessoas em risco de incapacidades relacionadas ao trabalho e à morte prematura.

 

"Trabalhar muitas horas pode provocar numerosos efeitos mentais, físicos e sociais. Os governos deveriam levar este assunto muito a sério. " Vera Paquete-Perdigão, diretora, Departamento de Governança e Tripartismo da OIT. 

 

"A pandemia da COVID-19 piorou a situação, pois os trabalhadores podem ser afetados por riscos psicossociais adicionais decorrentes da incerteza da situação de trabalho e do aumento do tempo de trabalho."

 

A disseminação do teletrabalho, as novas tecnologias de informação e comunicação e o aumento dos empregos flexíveis, temporários ou autônomos têm aumentado a tendência para trabalhar longas horas. Também levou à uma indefinição dos limites entre o tempo de trabalho e os períodos de descanso.

 

Para enfrentar este problema, o relatório afirma que governos, empregadores e trabalhadores devem implementar uma série de medidas, incluindo:

 

- Governos podem ratificar e desenvolver políticas para implementar as Normas Internacionais do Trabalho sobre tempo de trabalho, como o estabelecimento de normas sobre os limites de tempo de trabalho, os períodos de descanso diários e semanais, férias anuais remuneradas, proteção de trabalhadores noturnos e o princípio da igual de tratamento para pessoas com trabalho em meio período.

- Governos, em consulta com os parceiros sociais (organizações de trabalhadores e de empregadores), podem introduzir leis e políticas que garantam limites máximos ao tempo de trabalho e promovam a conformidade no local de trabalho para condições de trabalho decente.

- Empregadores, em colaboração com os trabalhadores, podem organizar o tempo de trabalho para evitar resultados negativos para a saúde dos trabalhadores em relação ao trabalho por turnos, trabalho noturno, trabalho de fim de semana e horários flexíveis.

 

As novas estimativas analisam o número de mortes e vidas saudáveis perdidas devido à exposição a fatores de risco ocupacionais, por exemplo, exposição a substâncias químicas e cancro, entre muitos outros.

 

 A análise detalhada das estimativas indica que as 15 convenções ativas da OIT relativas às horas de trabalho salvaram cerca de 143.000 vidas, além disso, a ratificação universal das convenções seria capaz de salvar mais 415.000 vidas em todo o mundo.

 

A análise foi possível graças às novas metodologias desenvolvidas em conjunto pela OIT e pela OMS, que permitem estimar o impacto dos fatores de risco ocupacionais na saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras. Espera-se que essas metodologias permitam mais ações de prevenção baseadas em evidências.

 

Aceda á versão original Aqui