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segunda-feira, 8 de março de 2021

Problemática do género na segurança e saúde no trabalho

 

Existem diferenças substanciais nas condições de trabalho das mulheres e dos homens que se repercutem nas respetivas Saúde e Segurança no Trabalho (SST).

 

Agência elaborou um relatório de análise destas diferenças, em função do género, da ocorrência de ferimentos e da prevalência de doenças de origem profissional e da falta de conhecimentos e das respetivas implicações para a melhoria da prevenção dos riscos.

 

Este projeto foi desenvolvido em 2003, contudo, as suas conclusões, lamentavelmente, ainda continuam a ser uma atualidade, pelo que relembramos, neste Dia Internacional da Mulher, as conclusões principais deste relatório:

 

 

São necessários esforços sustentados para melhorar as condições de trabalho das mulheres e dos homens.

 

As diferenças de género nas condições de emprego têm um impacto importante nas diferenças de género das repercussões para a saúde relacionadas com o trabalho. A investigação e as intervenções devem ter em conta o trabalho efetivamente executado pelas mulheres e pelos homens, bem como as diferenças na exposição a riscos e nas condições de trabalho.

 

É possível melhorar a investigação e o acompanhamento incluindo sistematicamente a dimensão do género na recolha de dados, ajustando as horas de trabalho efetuadas (dado as mulheres normalmente trabalharem menos horas do que os homens) e baseando a avaliação da exposição aos riscos nas tarefas efetivamente realizadas.

 

Os métodos epidemiológicos devem ser revistos para serem evitados quaisquer enviesamentos. Os indicadores dos sistemas de controlo, nomeadamente os relatórios e inquéritos nacionais de acidente, devem abranger os riscos profissionais efetivamente incorridos pelas mulheres.

 

Os riscos para a segurança e a saúde relacionados com o trabalho incorridos pelas mulheres têm sido subestimados e negligenciados relativamente aos mesmos riscos incorridos pelos homens, tanto na investigação como na prevenção.

 

Este desequilíbrio deve ser tido em conta nas atividades de investigação, sensibilização e prevenção.

 

A abordagem neutra em termos de género nas políticas e na legislação contribuiu para que fossem menores os recursos atribuídos para os riscos relacionados com o trabalho incorridos pelas mulheres e para a sua prevenção.

 

As diretivas comunitárias em matéria de segurança e saúde não contemplam os trabalhadores domésticos (na sua maioria mulheres). As mulheres que desempenham uma atividade informal, por exemplo, as esposas ou companheiras de homens com empresas agrícolas de tipo familiar, podem nem sempre estar cobertas pela legislação. 


Devem ser feitas avaliações do impacto sobre o género das diretivas de SST em vigor e futuras, do estabelecimento de normas e dos acordos de compensação.

 

Apesar de serem necessárias avaliações das repercussões sobre o género da legislação de SST, com base nos conhecimentos de que dispomos sobre prevenção e integração da dimensão do género na SST é possível implementar as diretivas existentes de forma a ter mais em conta as diferenças de género.

 

As intervenções que têm em conta a diferença de género exigem uma abordagem participativa envolvendo os trabalhadores interessados e assente numa análise das situações reais de trabalho.

 

A melhoria das condições de segurança e saúde no trabalho das mulheres não pode ser vista de forma dissociada das questões alargadas de discriminação no trabalho e na sociedade. As ações a favor da igualdade de emprego devem incluir a SST. 


As atividades de integração da segurança e saúde no trabalho em outras áreas de políticas, nomeadamente as iniciativas de saúde pública e de responsabilidade social das empresas, devem incluir a dimensão do género.

 

  As mulheres estão sub-representadas, a todos os níveis, no processo de tomada de decisão em matéria de saúde e segurança no trabalho. As mulheres deveriam ser mais diretamente envolvidas nesse processo, e os seus pontos de vista, as suas experiências, os seus conhecimentos e qualificações devem refletir-se na formulação e implementação de estratégias de SST.

 

Existem exemplos de casos bem sucedidos de abordagens de investigação, intervenções, consultas e tomadas de decisão, instrumentos e ações em que foi incluída, ou até visada especificamente, a dimensão do género. As experiências e recursos existentes devem ser partilhados.

 

Embora as tendências gerais das condições e situação de trabalho das mulheres nos Estados-Membros da União Europeia e nos países candidatos sejam semelhantes, não deixa de se registar algumas diferenças no interior dessas tendências. Cada país deve examinar as suas circunstâncias particulares no que respeita ao género e à SST para adotar as ações adequadas.

 

Uma abordagem holística à SST, incluindo a interface trabalho-vida privada, bem como as questões mais alargadas da organização do trabalho e o emprego, seria suscetível de melhorar a prevenção dos riscos relacionados com o desempenho de uma atividade profissional, beneficiando tanto mulheres como homens.

 

A mulheres não constituem um grupo homogéneo e nem todas as mulheres têm cargos tradicionalmente «femininos». O mesmo se aplica aos homens. Uma abordagem holística deve ter em conta a diversidade. As ações a favor do equilíbrio do trabalho e da vida privada devem ter em conta os horários de trabalho das mulheres e dos homens e ser apelativas para ambos. 



Fonte: relatório da UE-OSHA

Saiba mais Aqui.



As mulheres e a Segurança e Saúde no Trabalho

 


imagem com DR


Homens e mulheres não são iguais do ponto de vista biológico e as atividades que desempenham, bem como as condições de trabalho e a forma como são tratados pela sociedade, diferem igualmente (diferenças de género).

 

Tais diferenças podem afetar os perigos com que se deparam homens e mulheres no trabalho, bem como a forma de os avaliar e controlar. É por este motivo que a EU-OSHA se dedica à investigação sobre questões de SST que as mulheres enfrentam no trabalho, bem como a ações de sensibilização neste domínio.

 

Existem diferenças que afetam os riscos com que se deparam homens e mulheres:


      Trabalho em setores específicos e tipos específicos de trabalho


      Equilíbrio entre duas responsabilidade, no trabalho e em casa


      Sub-representarão nos lugares de supervisão e de gestão


      Diferenças físicas face aos homens, embora se observe muitas vezes uma maior variação entre mulheres do que entre homens e mulheres, por exemplo, no que respeita à força física.


      Trabalhos muitas vezes considerados, erroneamente, seguros e fáceis

 

Como se proceder a uma abordagem sensível ao género?


Uma abordagem sensível ao género no domínio da SST implica reconhecer e ter em conta as diferenças entre os trabalhadores masculinos e femininos.


Assim, entidades patronais podem:

  • Ter como objetivo tornar o trabalho mais seguro e mais fácil para todos

  • Incluir as questões de género na avaliação de riscos

  • Ter em conta o trabalho em concreto e evitar identificar, com base em meras conjeturas, os que estão em situação de risco e porquê

  • Admitir flexibilidade no horário de trabalho

  • Envolver as mulheres na tomada de decisões relativas à SST

Esta abordagem beneficia todos os trabalhadores e não apenas as mulheres.

 

Fonte: OSHA 

 

 

Mulheres e mão de obra envelhecida: Implicações para a Segurança e Saúde no Trabalho - perte II

 

Lacunas no Conhecimento

 

É necessária mais investigação sobre a interação entre a idade e o género em relação à SST e ao trabalho sustentável. Durante a revisão foram identificadas as seguintes lacunas gerais de conhecimento:

 

 São necessários mais trabalhos para melhorar a recolha de dados sobre os perigos a que as mulheres estão expostas, em vez de fazer suposições sobre as tarefas de trabalho e as funções de trabalho;

 Por causa da segregação horizontal em determinados setores, como o da limpeza e dos cuidados de saúde, as mulheres podem ser expostas a múltiplos perigos. São necessárias mais investigações para analisar esta questão em relação à idade e ao alargamento da vida ativa;

 São necessárias mais pesquisas para perceber porque é que as mulheres reportam resultados no âmbito da saúde mental mais pobres do que os homens que se encontram expostos aos mesmos riscos psicossociais;

 São necessárias mais investigações para reforçar a nossa compreensão do impacto das duplas funções das mulheres no trabalho remunerado e doméstico na sua saúde, especialmente no contexto do alargamento da vida profissional;

 Os estudos devem incluir trabalhadores mais velhos de diferentes grupos étnicos.

 

Foram igualmente identificadas lacunas de investigação mais específicas:


 A nossa compreensão do possível impacto da menopausa na vida profissional de uma mulher é ainda limitada e esta é uma área para a qual é necessária mais investigação, de forma a identificar estratégias de apoio ao local de trabalho;

 São necessárias mais investigações sobre as ligações entre o trabalho noturno e o cancro da mama nas mulheres para aumentar a nossa compreensão dos mecanismos de causa potenciais e melhorar as estratégias de prevenção de riscos;

 São necessárias mais investigações sobre o trabalho com condições dolorosas e fatigantes.

 

Conclusões gerais:  tendo em conta as questões   de género nos  aspetos de  segurança  e  saúde    no trabalho  no trabalho sustentável

 

 No futuro, será importante criar padrões de trabalho sustentáveis  para  os  trabalhadores mais   velhos,   com  especial  enfoque  nas trabalhadoras mais velhas,  através de  medidas  que  abordam  cargas de trabalho, tarefas de trabalho flexíveis, horários de trabalho   flexíveis,  trabalho–equilíbrio da vida,   apoio  no local de trabalho  para  questões específicas de saúde relacionadas com o género, e  desenvolvimento da força de  trabalho. 

 

Quadros políticos fortes, investimento e recursos são cruciais para apoiar ações, a nível estratégico e prático, na complexa interação entre a idade e  o género. Isto requer ações consistentes, coordenadas para abordar as questões de idade,  o género  e as questões de SST relacionadas  com  a gestão de riscos,   com a  adaptação  do  trabalho, e  com o  equilíbrio de responsabilidades de  trabalho.

 

 Além disso, é necessária mais investigação sobre a interação entre a idade e o género em relação à SST e ao trabalho sustentável, e é  também  necessário um apoio mais  prático no local de trabalho.  As trabalhadoras mais velhas são uma    mais-valia para as organizações. 

 

É importante contrariar as opiniões estereotipadas sobre as suas  capacidades  e  evitar  a  dupla  discriminação  que as mulheres mais   velhas podem  enfrentar no local de trabalho.

 

As principais conclusões  são  resumidas  abaixo:

 

As diferenças relacionadas com o género nas condições de trabalho  persistem  ao longo  da  vida profissional - as diferenças relacionadas com o género  entre  homens  e  mulheres  influenciam  as questões de saúde, o trabalho que desenvolvem, as suas  condições de trabalho  e  os  riscos  profissionais  que  enfrentam  ao longo  da  sua vida  profissional. 

 

Por conseguinte, é necessária uma abordagem específica do género para estratégias de trabalho sustentáveis, sendo que os planos políticos  devem  ser  avaliados  por forma a aferir os  eventuais  impactos específicos do género. 

 

Os impactos  físicos  e  emocionais  cumulativos do trabalho  das  mulheres  não  devem  ser    subestimados: As estratégias de trabalho   sustentáveis  devem centrar-se  no impacto  cumulativo das exposições que as mulheres   enfrentam  ao longo  da  sua vida profissional  (uma  abordagem de vida) em determinados setores e empregos,  incluindo  em relação ao trabalho repetitivo e  monótono, ao stresse e ao trabalho emocionalmente  exigente, e  ao trabalho acelerado  e por turnos.

 

No   local de trabalho, é necessário apoiar as  avaliações de risco da  exposição  cumulativa  a  riscos  que  incorporem  as  complexidades da idade e  do género: A  avaliação  das exposições cumulativas deve ter em  conta  diferenças relacionadas tanto com o género como com  a  idade.

 

A segregação em empregos de baixo nível sem promoção de carreira  pode levar a uma exposição a longo prazo a riscos: É necessário  prestar atenção  ao  desenvolvimento da carreira das mulheres, para  evitar  que  fiquem  presas  em  empregos de nível mais baixo, resultando  numa  exposição a longo prazo  aos  mesmos  riscos.

 

As barreiras à igualdade de  acesso à  reabilitação  e à formação  profissional   têm de   ser  abordadas: As mulheres de todas as  idades  necessitam de poder ceder de forma igualitária a programas de reabilitação adequados/adaptados, devendo a reconversão profissional  ser adaptada/relevante  para  os setores e postos de trabalho em que são habitualmente   empregadas.  

 

 São necessárias medidas simples de não estigmatização no local de trabalho para apoiar as mulheres  que  passam  pela  menopausa:  A compreensão  e  o apoio  às  trabalhadoras durante  a  menopausa;   tal  suporte  poderia  ser  tão  simples  como  fornecer  acesso  à  água potável.  É necessária mais investigação e conselhos práticos que sejam não estigmatizantes dirigidos ao local de trabalho.

 

As estratégias de promoção da saúde no local de trabalho necessitam de diferentes  abordagens para o público masculino e  feminino.

 

 As medidas de trabalho flexíveis devem   ser   relevantes    para  os cuidadores  de familiares mais velhos e para  homens  e  mulheres :  A  abordagem  no local de trabalho dos  cuidadores familiares  tem de ser  ajustada  e alterada do  modelo  atual  que se centra nas  mulheres, de modo a que  seja  relevante tanto para os cuidadores masculinos como  para as mulheres  de  familiares mais velhos.

 

 Os inspetores do trabalho precisam de   estratégias sobre diversidade, e  existem exemplos  dessas  estratégias: Os inspetores de trabalho precisam de adotar estratégias sobre diversidade  para  incorporarem as questões  de idade e de género  no  seu  trabalho,  evitar  discriminações  nas  suas  práticas  e  poder   apoiar  eficazmente as medidas nos locais de trabalho.

 

São necessárias mais pesquisas sobre a ligação entre idade e género: É necessária mais investigação sobre a interação entre sexo e idade em relação à SST e ao trabalho sustentável.

 

As trabalhadoras mais velhas devem ser encaradas como um bem valioso e a dupla discriminação que as trabalhadoras mais  velhas    podem  enfrentar  deve  ser  abordada através da sensibilização: Muitas vezes  podem  ser  tomadas medidas simples  no  local de trabalho  para  permitir que as mulheres  cujas com  capacidades se encontrarem em  declínio, possam continuar a  trabalhar. As medidas destinadas a  reduzir as exigências de trabalho  beneficiarão   frequentemente  todos os  trabalhadores.

 

Mulheres e mão de obra envelhecida: Implicações para a Segurança e Saúde no Trabalho



Resumo executivo

 

A UE-OSHA publicou este resumo resultado de um projeto,  denominado: 'Trabalho Mais Seguro  e  Saudável  em  Qualquer  Idade' e que visa:

 

- Melhorar  a  implementação  das  recomendações existentes;

- Intercâmbio  de  boas  práticas;

- Investigação  contínua de possíveis  formas  de melhorar a  segurança e a saúde no trabalho (SST) promovendo assim a  sustentabilidade  do trabalho.


Esta revisão analisa um conjunto de questões relacionadas com o género e a idade, particularmente relevantes para mulheres mais velhas, no contexto da segurança e  saúde no trabalho (SST) e  do trabalho sustentável. 


Hoje, assinala-se o Dia Internacional da Mulher. Continuamos a lutar pela igualdade de género nos locais de trabalho.


Neste dia, há que continuar a promover a sensibilização para os desafios que afetam as vidas das mulheres que trabalham, sendo que é fundamental equacionar uma série de questões, entre muitas, as relativas ao envelhecimento das mulheres em idade ainda ativa e quais as suas implicações para a SST. 


Pela pertinência da temática, o Departamento de SST da UGT traduziu este importante resumo executivo, em que são analisadas questões fundamentais, como sendo: 

- Diferenças de género e envelhecimento;

- Diferenças relacionadas com o género entre homens e  mulheres;

- A menopausa  e  promoção  da saúde no local de trabalho;

- Estratégias de  Segurança  e  Saúde sensíveis ao género em todo o percurso de  vida;

- Stresse e Lesões músculo-esqueléticas;

- Incorporar dimensões  etárias e  de género  na  avaliação de risco  e desenvolvimento de estratégias;

- Integrar a diversidade nas estratégias nacionais de Segurança e Saúde no Trabalho.


Advertimos que a tradução deste documento é da responsabilidade do Departamento de SST, podendo a versão original do mesmo ser consultada Aqui


Por que razão é o género relevante para a gestão da segurança e saúde no trabalho e do trabalho sustentável relacionados com a idade?

É  importante discutir  como o  género  e  a idade interagem  em  relação à SS e ao  trabalho sustentável, a  fim de contribuir para a definição de  políticas, para o debate e para a investigação futura  sobre  o trabalho  sustentável. 

 

A gestão relacionada com a idade, que representa as mudanças demográficas, é crucial para a implementação dos objetivos de aumento das taxas de emprego entre as mulheres, no contexto da Estratégia Europa  2020. 

 

No entanto,  podem ser necessárias medidas diferentes para  manter e melhorar  a SST das trabalhadoras mais velhas. É fundamental equacionar esta  dimensão relacionada com o género, no que diz respeito a diferentes abordagens:

 

- Medidas de equilíbrio entre o trabalho  e as responsabilidades de apoio aos trabalhadores mais velhos;

- Impacto do trabalho físico  nas  mulheres em  relação,  por exemplo, às   perturbações músculo-esqueléticas (LME);

-  Impacto do stresse e do burnout resultantes de um trabalho   emocionalmente  exigente  realizado pelas  mulheres. 

 

Apesar de se verificar um  crescente  trabalho  sobre  os  domínios do género e da idade no   local de    trabalho, abordados em separado,  tem   havido  uma investigação  limitada sobre a intersecção entre o género e a idade e a SST.  No entanto,  existem  informações   pertinentes  a partir de  estudos  sobre  género, elaborados pela EU-OSHA e  pela Eurofound.

 

 Diferenças de Género nas alterações do envelhecimento


Uma série de mudanças que são verificadas na capacidade física e na saúde das mulheres encontram-se associadas ao envelhecimento, e estas são influenciadas pelo género (isto é, relacionam-se com aspetos biológicos) e diferenças de género (isto é, aspetos socialmente construídos), podendo  afetar  a  capacidade de trabalho das mulheres mais velhas.

 

As mulheres vivem mais tempo do que os homens, mas também têm mais probabilidades de viver mais tempo com uma doença crónica ou incapacidade do que os homens.

 

A mudança de   idade mais óbvia é a menopausa, embora tenha havido    muito pouca pesquisa sobre a influência da menopausa nas mulheres trabalhadoras.   A osteoartrite e a osteoporose são  diagnosticadas com mais  frequência  nas  mulheres do que  nos  homens, e  estão relacionadas  com a idade. A osteoporose aumenta o risco de fraturas  no local de  trabalho. Foram   observadas diferenças entre homens e  mulheres   no que diz respeito   à   prevalência  de   doenças  crónicas, como  a doença pulmonar  obstrutiva   crónica.


Estes aspetos também podem ser explicados por diferenças na  exposição aos  riscos  no local de trabalho. O cancro da mama é  muito  mais  predominante  entre as mulheres; a evidência  está  a crescer para uma ligação  entre  o trabalho por turnos de longa duração,  particularmente  o trabalho noturno, e  o cancro da mama.


É importante   evitar estereótipos relacionados com os trabalhadores mais velhos, e relativamente às mulheres mais velhas em particular, e com a sua capacidade de trabalho. 


Os declínios verificados na capacidade física  e na saúde devido à  idade, nas  mulheres  e nos homens, muitas vezes, não afetam o desempenho do trabalho.  Muitas  doenças  crónicas  são  controláveis. Por  exemplo, podem  ser tomadas várias  medidas,  no local de trabalho,  para  ajudar  os trabalhadores  com  artrite a gerir a sua  dor e fadiga. Os trabalhadores mais velhos também  podem  usar a sua  experiência  para  adaptar as suas  formas  de  trabalho.

 

Muitas vezes podem ser  tomadas  medidas simples no local de trabalho para impedir  a  saída  precoce do  trabalho,   como  as alterações nos equipamentos,   alterações  na forma como  uma  tarefa  é  executada,  ajustes  no  horário de trabalho  ou  transferência  para um  trabalho alternativo,  se  tal for necessário. 


A adoção de  simples medidas  ergonómicas para reduzir  as  cargas horárias, por exemplo, o levantamento de carga com ajuda, têm um impacto  positivo  nos  trabalhadores jovens   e  nos mais velhos,  sendo que a  única  diferença  é que,  ao mesmo tempo que  facilitam   o trabalho  para os trabalhadores mais jovens,   muitas  vezes tornam  possível o  trabalho    para  os trabalhadores mais velhos.


Diferenças relacionadas com o género entre homens e  mulheres  existem em todo o curso  de  vida profissional

 

De acordo com o European Working Conditions Survey, existem  diferenças de género em todo o percurso da vida profissional  e, em geral,  o bem-estar  é mais baixo  para as mulheres do que  para os homens. Esta diferença de género acentua-se depois da mulher ter  tido  filhos.

 

A segregação vertical e horizontal no  mercado  de trabalho expõe, em  geral, as mulheres e  as mulheres mais  velhas,  a  riscos diferentes  daqueles a que  os  homens    estão  expostos.   Isto   afeta a saúde das mulheres  ao longo  da  sua  vida profissional.

 

A segregação vertical de género conduz a uma concentração de mulheres em empregos de categoria mais baixa na hierarquia do   emprego; isto  deve-se à falta de oportunidades  de  promoção  e  mobilidade profissional. A segregação vertical por falta de   mobilidade  profissional pode levar a  uma    exposição prolongada  a  determinados  riscos no local de trabalho,  tais como  o trabalho repetitivo  ou  o trabalho  que  requer posturas  inadequadas.

 

A segregação horizontal diz respeito ao facto de homens e mulheres  tenderem a  trabalhar em  diferentes setores económicos. As mulheres mais velhas estão sob-representadas nos setores da saúde e de apoio social, educação e outros setores de serviços. No contexto  do  trabalho sustentável,  é  importante  não subestimar  as exigências físicas  e  emocionais  do  trabalho de  algumas  mulheres.  

 

A movimentação manual de cargas, o trabalho altamente  repetitivo  e acelerado, o trabalho por turnos, o risco de  violência  e  assédio, e o stresse são  questões  que  afetam a  qualidade  da vida profissional em  muitos domínios em  que as mulheres trabalham.

 

Quanto a outras áreas da SST, as estratégias de trabalho sustentável  devem abordar  os setores e os postos de trabalho em  que as mulheres  predominam,  como  os  cuidados de saúde, a  educação, a limpeza  e  o trabalho a retalho, bem como os setores dominados pelos  homens,  como  a construção civil.

 

Esta questão é  igualmente  importante no contexto  de  um  risco  acrescido  de  se desenvolver  LMER em resultado  de  um  trabalho em escritório;  isto  é  especialmente  relevante  para os trabalhadores administrativos de qualidade   relativamente  baixa,  que  têm  menos  controlo  e  menso variedade  no  seu  trabalho.


A menopausa  e  promoção  da saúde no local de trabalho

 

Outras questões de saúde  enfrentadas  por  mulheres são as relacionadas, por  exemplo,  com a  menopausa e que continuam a ser  tabus  na  sociedade  e,  portanto, no   local de trabalho.

 

No   local de trabalho  podem  ser  tomadas  medidas simples para  resolver  estas  questões de saúde; por  exemplo, o acesso  à  água potável  pode  ser  providenciado, o vestuário  em   camadas  pode  ser  utilizado  para  uniformes, e o trabalho flexível  pode  ser  arranjado para facilitar  as  consultas médicas.   No entanto, é necessário uma maior sensibilização e apoio aos locais de trabalho, incluindo  aconselhamento  sobre medidas não estigmatizantes,  políticas-modelo  e listas de verificação de avaliação de riscos.

 

 Além disso, é necessária mais investigação sobre as implicações no local de trabalho. Do mesmo modo, é necessário que sejam necessárias abordagens mais adaptadas para  abordar a  promoção da saúde dos homens  no local de  trabalho,  especialmente  porque são necessárias    diferentes  técnicas   de sensibilização  para  envolver  homens  e  mulheres.

 

Estratégias de  Segurança  e  Saúde  Profissionais sensíveis ao género em todo o curso  de  vida

 

As estratégias de  Segurança  e  Saúde no local de trabalho para o trabalho sustentável ,  que  começam  pelos trabalhadores mais jovens,  devem    ser  sensíveis à  idade e  ao género.  Por  exemplo, uma abordagem ao longo da vida para o  trabalho sustentável  deve  abranger  a  educação  e a prevenção de riscos  para  raparigas  e rapazes nas  escolas e  garantir  que a educação em SST  aborda os riscos associados aos  empregos  dominados pelas mulheres e que  a  SST  esteja  incluída  na  formação  profissional nos empregos típicos  das mulheres. 

 

Stress e Lesões músculo-esqueléticos  

 

O stresse e as LME podem ter um grande impacto  na    sustentabilidade do trabalho das  mulheres.  É  necessário   dar mais atenção  a  estas  duas  questões,  incluindo a aposta  na  prevenção  de  riscos em postos de trabalho  predominantemente  realizados   pelas  mulheres. Por exemplo, no caso  das LME é necessário  dar mais  atenção  ao  trabalho  que  implique uma posição  prolongada  ou  uma sessão prolongada, ambas predominantes  em alguns postos  de trabalho  muitas vezes  realizados   por  mulheres,  como nos supermercados ou no  trabalho de administração de escritórios. 

 

Reabilitação

 

Deve  também ser  dada uma atenção específica ao  género para a  reabilitação  de  doenças relacionadas com o trabalho e para  garantir  que os programas sejam  acessíveis às mulheres  com  responsabilidades em cuidados   infantis.  O não reconhecimento  da   relação de trabalho  da  saúde   das  mulheres  pode  constituir  um  obstáculo para as mulheres  acederem à  reabilitação  se   esse  acesso    depender  de  um   problema de saúde  ocupacional reconhecido. 

 

Como    exemplo de boas  práticas  de  reabilitação,  a  organização  francesa de  seguros  de    lesões laborais  Anact  (L'agence  nationale  pour  l'amélioration  des  conditions  de  travail)  promoveu    um  guia  para a reabilitação  de  trabalhadores  do sexo feminino  após o tratamento  para  o  cancro da mama;  este  foi  desenvolvido  por associações de médicos   ocupacionais. O  cancro da mama é  um  dos   cancros femininos  mais  comuns    e afeta principalmente as mulheres  mais  velhas.

 

Incorporar dimensões  etárias e  de género  na  avaliação de risco  e desenvolvimento de estratégias  

 

Para a promoção de trabalho sustentável, é importante integrar a idade e a diversidade na avaliação de riscos, de modo a que as estratégias  da SST  promovam a diversidade  através da  prevenção  de  riscos  e  combatendo  os riscos  na  sua  origem.   Isto deve ser sustentado por princípios fundamentais    baseados    na importância das medidas coletivas, na consulta com os trabalhadores  e  na valorização da  diversidade  como  recurso.   Por conseguinte, é importante abordar a igualdade etária, a igualdade   de género e a SST num só quadro político.

 

A estreita ligação entre a igualdade de género e o trabalho sustentável  é demonstrada  numa intervenção que  foi  utilizada  por  uma  empresa de impressão francesa. As mulheres que trabalham nas atividades de 'acabamento' sofreram de taxas excecionalmente  elevadas de  LME. Recomendaram-se melhorias ergonómicas, mas foi necessário fazer mais para evitar a exposição a tarefas repetitivas por longos períodos.

 

Uma análise da duração do tempo passado em diferentes empregos por género, revelou que os homens eram mais rapidamente promovidos do que as mulheres, pelo que uma das recomendações incluía a promoção do desenvolvimento da carreira das mulheres e o reconhecimento de competências, a fim de evitar que as mulheres ficassem presas a longo prazo em empregos repetitivos. 

 

Um exemplo de desenvolvimento de uma boa prática integrada num setor dominado pela força de trabalho feminina é a estratégia implementada pelo Working Long Group  (WLG) do Serviço  Nacional de  Saúde  (SNS) no Reino Unido. Este grupo foi criado para fazer face          ao impacto do aumento da  idade  da  reforma de 65  anos  para 68  anos  na mão de obra do  SNS -  que  é  77 %  feminino-  com  quase dois terços dos  profissionais de enfermaria com  mais de  40  anos.

 

 As recomendações  abrangem  quatro áreas principais : dados; opções de pensões    e  decisões de reforma;  regimes  de trabalho e  ambiente de  trabalho; e  boas  práticas de saúde no trabalho,   segurança  e  bem-estar.

 

A  auditoria concluiu  que,  se os trabalhadores mais velhos estiverem  de  boa  saúde  e o seu  trabalho  estiver  correto,  podem  trabalhar  tão  produtivamente  como os seus congéneres mais jovens.  

 

Isto sublinhou a  importância  da plena aplicação das orientações setoriais  em matéria de saúde  e  bem-estar  no   trabalho,  a fim de garantir  que  uma  vida  profissional mais longa  não afete  negativamente a saúde  ou a capacidade de trabalho  de forma eficaz  e  segura dos trabalhadores.   

 

Foram feitas recomendações específicas no que respeita ao  desenvolvimento  e  implementação de  um  quadro de  avaliação dos riscos,  a  fim de ajudar as  organizações  a  abordarem  o  impacto  cumulativo  do  trabalho  por mais tempo. Para os empregadores, isto  significa  apoiar o pessoal  com  problemas de saúde,  promover a segurança  e  o bem-estar ao longo da  sua vida profissional,  a fim de   permitir-lhes trabalhar mais tempo.

 

Cuidadores familiares  

 

Com o envelhecimento da população ativa e   o aumento da idade da reforma, é provável que mais trabalhadores tenham a  responsabilidade de cuidar   dos seus  familiares doentes.  As medidas de conciliação  entre o   trabalho  e  a  vida familiar  são  cada vez mais reconhecidas como importantes,  no  contexto  da  Estratégia de Emprego  da UE para 2020, e como um motor para a igualdade de  género. 

 

Atualmente, cerca de 80 % do tempo é gasto a cuidar de pessoas com  deficiência  e  de idosos, sendo este trabalho prestado  por cuidadores informais. A maior proporção destas tarefas  é  prestada  por  mulheres com idade ou superior a  50  anos. 

 

Há provas de que os homens mais velhos são mais propensos   a serem  cuidadores, por exemplo,  de um  cônjuge doente  ou  de um pai idoso, do que os homens mais novos. No entanto, as estratégias atuais      destinadas aos cuidadores  concentram-se  em  jovens mulheres  com  necessidades de acolhimento de crianças. 

 

Devem  ser  evitados preconceitos sobre  quem  pode  ser  afetado  pelos  deveres  de cuidado,  a  fim de desenvolver políticas e  práticas de reconciliação  adequadas,   que  são  essenciais  para  promover  o  emprego das mulheres mais velhas   e  dos  homens mais velhos. 

 

Os regimes de trabalho flexíveis e as políticas de trabalho a tempo parcial, como já foram   implementados   para os jovens pais, devem também ser considerados, a fim de evitar que os cuidadores mais velhos, e especialmente as trabalhadoras, tenham que deixar de trabalhar para cuidar do seu familiar.

 

Integrar a diversidade nas estratégias nacionais de Segurança e Saúde no Trabalho

 

Os inspetores de trabalho devem poder apoiar o processo de incorporação de considerações de idade e de género nas estratégias sustentáveis no local de trabalho, sem causar discriminação. Para tal, a diversidade deve ser integrada de forma sistemática nas estratégias e atividades dos inspetores do trabalho.

 

Um exemplo de como o conseguir é dado pela estratégia de integração da diversidade que foi implementada pela inspeção do trabalho austríaca, que inclui uma série de instrumentos de integração de género, listas de verificação de formação e diversidade para os inspetores utilizarem nas empresas.

 

Outro exemplo é a investigação e aconselhamento para os empregadores em diferentes áreas de diversidade realizadas e fornecidas pelo Uk Health and Safety Executive.