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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Sumário Executivo - Relatório da OIT - O ambiente psicossocial de trabalho: Tendências globais e orientações para a ação


28 de abril de 2026 – Dia Mundial da Segurança e saúde no Trabalho

 

Riscos psicossociais relacionados com o trabalho - uma ameaça cada vez mais expressiva para a segurança e saúde dos trabalhadores, para a produtividade e o desempenho económico das organizações.

 

De acordo com as estimativas da OIT recentemente divulgadas no Relatório mundial O ambiente psicossocial de trabalho: tendências globais e orientações para a ação, os fatores de risco psicossocial são responsáveis por mais de 840.000 mortes anuais devido a doenças cardiovasculares e perturbações mentais associadas.

 

 Estes riscos também originam perdas anuais de quase 45 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade (DALY). Estima-se que o impacto combinado das doenças cardiovasculares e das perturbações mentais associadas a fatores de risco psicossocial resulte numa perda anual de 1,37 por cento do PIB global.


 Em relação a isto, é importante frisar que as longas jornadas de trabalho, um fator de risco psicossocial crítico associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares e de acidentes vasculares cerebrais (AVC), prevalecem. A OIT estima que, a nível mundial, 35 por cento das pessoas trabalham mais de 48 horas por semana.


 A exposição ao bullying e a outras formas de violência e de assédio constituem outra grande preocupação. A OIT estima que a nível mundial 23 por cento dos trabalhadores e das trabalhadoras tenham experienciado pelo menos uma forma de violência ou assédio ao longo da sua vida profissional, sendo a violência psicológica a mais prevalente, atingindo os 18 por cento.


Em resposta às persistentes lacunas na disponibilidade de dados e às preocupações relativas à qualidade e comparabilidade das estatísticas de segurança e saúde no trabalho (SST), a OIT lançou em 2025 um questionário direcionado para os pontos focais nacionais das estatísticas de SST. Os resultados indicam que 37 por cento das instituições respondentes (41 de 111) possuem planos concretos para reforçar as estatísticas sobre riscos psicossociais e saúde mental no trabalho nos próximos cinco anos.


A integração destes temas nos quadros de diálogo social transnacional ainda é incipiente. Apenas 18 por cento dos 338 acordos transfronteiriços registados entre 2000 e 2025 no Repositório do Diálogo Social Transfronteiriço (CBSD) da OIT, aborda explicitamente fatores de saúde mental ou psicossociais nas disposições relacionadas com a SST.

 

O que é o ambiente psicossocial de trabalho?

O ambiente psicossocial de trabalho abrange as componentes do trabalho e as interações relacionadas com a forma como as tarefas são concebidas, o trabalho é organizado e gerido, as políticas, práticas e procedimentos mais amplos que regem o trabalho, o modo como estes elementos se interrelacionam, e como podem influenciar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores e das trabalhadoras, bem como o desempenho organizacional.


O relatório destaca as mudanças no mundo do trabalho e as suas implicações para o ambiente psicossocial de trabalho. A digitalização e o uso da inteligência artificial (IA) têm vindo a transformar a forma como as tarefas são coordenadas, monitorizadas e avaliadas. As novas formas de emprego, incluindo o trabalho em plataformas, a diversidade das formas contratuais e a expansão do trabalho remoto e híbrido, obrigam a redefinir a supervisão, as expectativas e o tempo de trabalho.


Paralelamente, alguns fatores externos mais amplos, nomeadamente a incerteza geopolítica, também contribuem para uma remodelação da organização do trabalho. Embora estas tendências possam criar oportunidades para promover ambientes psicossociais de trabalho mais positivos, também podem agravar os riscos psicossociais, sublinhando a necessidade de uma gestão proativa.


Para apoiar a ação preventiva, o relatório propõe uma perspetiva multidimensional centrada em atributos identificáveis e variáveis do ambiente de trabalho. Enfatiza aspetos que, na medida do praticável, podem ser geridos para minimizar riscos e fomentar o trabalho saudável e produtivo. Ao fazê-lo, identificam-se três dimensões do ambiente psicossocial de trabalho que se interrelacionam:

 

O trabalho – as características inerentes às tarefas e responsabilidades, incluindo as exigências das tarefas, o alinhamento com as competências dos trabalhadores e trabalhadoras, o acesso a recursos e atributos das tarefas como o seu propósito, diversificação e utilização de competências.  Como o trabalho é gerido e organizado – modo como trabalho é estruturado e experienciado na prática, a clareza de funções, a autonomia, a carga e os ritmos de trabalho, a supervisão, o apoio e a qualidade das interações sociais no local de trabalho.

 

Políticas, práticas e procedimentos gerais sob as quais o trabalho se rege – os sistemas organizacionais e institucionais mais amplos que determinam as condições de trabalho, os tempos de trabalho, a monitorização digital, os procedimentos dos sistemas de desempenho e recompensas, medidas para prevenir a violência e o assédio e mecanismos para consulta e participação dos trabalhadores.


Estas dimensões abrangem um conjunto de fatores psicossociais que refletem as características essenciais dos ambientes de trabalho presentes em todas as formas e contextos de trabalho. A forma como aqueles fatores operam e interagem em contextos específicos determina se promovem a saúde e o desempenho eficaz ou se originam riscos psicossociais e consequências adversas.


A compreensão destes processos é apoiada por evidências de áreas como a epidemiologia, a psicologia organizacional, a economia laboral e a investigação em saúde ocupacional. Apesar das limitações metodológicas e de uma cobertura geográfica desigual, os dados disponíveis tenham indicam que os riscos psicossociais ocorrem de forma generalizada.


Certos contextos de trabalho e formas de emprego, nomeadamente a economia informal e o trabalho independente respetivamente, bem como características setoriais específicas, podem aumentar a exposição a estes fatores. Apesar destas limitações, a investigação demonstra consistentemente que ambientes psicossociais de trabalho adversos estão associados a problemas de saúde e impactos organizacionais negativos.

 

Compilação de quadros regulatórios e políticas para abordar os riscos psicossociais

 

As normas internacionais do trabalho sobre SST, constituem uma base normativa sólida para abordar os riscos psicossociais e proteger a saúde física e mental dos trabalhadores e das trabalhadoras. Embora as convenções fundamentais de SST não se refiram explicitamente aos riscos psicossociais, fornecem o enquadramento de base para políticas e sistemas de SST abrangentes com foco na prevenção, quer se trate de instrumentos nacionais ou ao nível das empresas.


A Convenção (n.º 190) sobre Violência e Assédio, de 2019 é o primeiro instrumento da OIT a referir-se explicitamente aos riscos psicossociais configurando um quadro abrangente de obrigações de prevenção e de proteção contra aqueles riscos. Existem também outras normas que reforçam ainda mais o quadro normativo para a prevenção e gestão dos riscos psicossociais.


A análise dos instrumentos regionais apresentada neste relatório, evidencia uma integração cada vez mais frequente e um número cada vez maior de riscos psicossociais, em sistemas de SST, embora a amplitude e o nível de detalhe regulatório variem entre regiões. Alguns desses instrumentos identificam explicitamente fatores de risco, como a violência e o assédio, enquanto outros abordam os riscos psicossociais através de referências mais gerais à saúde mental, à organização do trabalho e às condições de trabalho.


Em várias regiões, verifica-se que os quadros regulatórios colocam a ênfase na prevenção e destacam os aspetos organizacionais do trabalho como determinantes-chave dos riscos psicossociais. O relatório também ilustra iniciativas recentes que refletem igualmente a crescente atenção a contextos emergentes, como a inteligência artificial e a economia das plataformas, assim como o desenvolvimento de orientações e de ferramentas práticas.


A análise das políticas e programas nacionais de SST evidencia um reconhecimento crescente da prevenção dos riscos psicossociais, como prioridade nacional em todas as regiões. Estas políticas promovem medidas para prevenir e mitigar riscos psicossociais, inclusive através da monitorização, formação e utilização de ferramentas validadas para avaliação dos riscos e para a ação.


Em muitos casos, estão alinhadas com estratégias nacionais mais amplas que promovem a saúde e o bem-estar, especialmente aquelas que enfatizam a saúde mental. Em alguns países, os esforços de prevenção são reforçados através da coordenação entre as autoridades de saúde e do trabalho, abordagens intersetoriais e envolvimento dos parceiros sociais.


As legislações nacionais sugerem uma mudança gradual do enquadramento dos deveres do empregador principalmente em termos de proteção da "saúde mental"- que pode incentivar respostas personalizadas, no sentido do desenvolvimento de quadros preventivos que reconhecem explicitamente os riscos psicossociais.


Muitos países já definem estes riscos regulando-os através de disposições sobre organização do trabalho, a avaliação de riscos e a avaliação de medidas preventivas, embora o âmbito e a especificidade variem consideravelmente.

 

Tradicionalmente, a avaliação dos riscos psicossociais encontra-se frequentemente integrada nos requisitos gerais de avaliação e prevenção de riscos para a segurança e saúde no trabalho, com base em mecanismos de denúncia e de fiscalização que apoiam a ação preventiva. 


Contudo, a dificuldade de prova – especialmente na demonstração da causalidade do trabalho – continuam a influenciar a forma como as denúncias são tratadas e a forma como o controlo do cumprimento das obrigações legais é realizado. As abordagens legislativas mais desenvolvidas relacionam de forma mais clara a avaliação de riscos e a implementação de medidas preventivas e corretivas, embora essa operacionalização não seja uniforme.


Uma variação semelhante é observada nos processos de reconhecimento de doenças profissionais, sendo o transtorno de stresse pós-traumático (PTSD), mais amplamente reconhecido do que outras perturbações relacionadas com o stresse e a saúde mental. Estes são frequentemente abordados através de processos de avaliação individualizada do nexo de causalidade.

 

A negociação coletiva e o diálogo social desempenham um importante papel na tradução prática das disposições legais em medidas de âmbito setorial e ao nível dos locais de trabalho. A análise dos acordos transfronteiriços indica que a referência explícita à saúde mental e aos fatores psicossociais nas disposições de SST ainda é muito incipiente: apenas 18 por cento dos 338 acordos registados entre 2000 e 2025 no Repositório do Diálogo Social Transfronteiriço (CBSD) da OIT–  incluem tais referências.


No entanto, verifica-se um aumento desde meados da década de 2010, da integração destas matérias em acordos recentes com abordagens mais frequentes sobre o stresse, a saúde mental e o bem-estar, o assédio laboral, o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, a digitalização e o teletrabalho.


Por outro lado, o envolvimento dos parceiros sociais contribuiu para o desenvolvimento de ferramentas de orientação setorial e de conhecimento para fundamentar os instrumentos políticos e regulatórios subsequentes. 


A adoção de normas voluntárias, ferramentas de orientação e campanhas de sensibilização também tem contribuído para traduzir os quadros de prevenção em abordagens práticas e orientadas para a ação.


Em várias regiões do mundo, verificou-se que as inspeções do trabalho têm adaptado modelos tradicionais para abordar os riscos psicossociais, através de verificações de conformidade legal integradas com abordagens de prevenção, do desenvolvimento de ferramentas especializadas e da adoção de estratégias com foco ou no risco ou em cada setor.


As campanhas de sensibilização tornaram-se também um importante instrumento para complementar e fortalecer a prevenção de riscos psicossociais, através da melhoria da compreensão dos riscos e incentivando a ação preventiva nas empresas.

 

Respostas ao nível dos locais de trabalho 

 

O relatório baseia-se nas Diretrizes da OIT sobre Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (OIT-SST 2001) que se constitui como um quadro flexível para a gestão dos riscos psicossociais. Embora não sejam específicas para estes riscos, as Diretrizes apresentam uma abordagem estruturada — abrangendo elementos como as políticas, a organização, o planeamento e implementação, e a avaliação — assegurando que o ambiente psicossocial é considerado como parte integrante de sistemas eficazes de gestão da SST, em vez de ser tratado como um sistema separado ou um processo paralelo.


A política de SST estabelece o compromisso de uma organização com a proteção da segurança e saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, devendo reconhecer de forma explícita que os riscos psicossociais são originados pela forma como as tarefas e funções são concebidas, como o trabalho é organizado e de sistemas organizacionais mais abrangentes alinhadas com funções relevantes como a gestão de pessoas e do desempenho. 


Uma gestão eficaz da SST deve definir de forma clara as responsabilidades, lideranças competentes uma coordenação transversal de funções e uma participação significativa dos trabalhadores e trabalhadoras na identificação de perigos, avaliação de riscos e controlo dos mesmos em todos os níveis da organização.


Para que o planeamento e a implementação de medidas traduzam este compromisso em ações práticas, é necessário definir de forma clara objetos, responsabilidades e a alocação de recursos baseada bum a análise das condições existentes. Identificar os fatores de risco psicossocial requer uma análise do conteúdo funcional, da organização e da gestão do trabalho, bem como dos processos organizacionais mais amplos que influenciam o trabalho diariamente.


Também é necessário levar em conta as interações entre aqueles elementos, juntamente com as relações de poder e práticas discriminatórias que possam criar ou intensificar riscos psicossociais.


Como os riscos psicossociais nem sempre são diretamente observáveis, a avaliação deve basear-se em evidencias provenientes de múltiplas fontes, como por exemplo indicadores organizacionais, registos de pessoal e resultados de inquéritos aos trabalhadores. Embora os inquéritos possam conter elementos subjetivos, o uso de ferramentas validadas e confidenciais pode melhorar a fiabilidade.


A avaliação de riscos deve considerar a duração, a frequência e a natureza cumulativa da exposição, pois com frequência os riscos psicossociais desenvolvem-se gradualmente. 


A prevenção é o objetivo central. De acordo com a hierarquia de controlos, a prioridade deve ser dada a medidas organizacionais e coletivas que abordem as causas profundas, incluindo a gestão da carga de trabalho, a clarificação de papéis, a comunicação, a participação e as práticas de liderança. Pode ser necessária uma intervenção imediata em caso de risco iminente, por exemplo em situações de violência e assédio, ou de estratégias a longo prazo que podem implicar a redefinição de papéis ou a revisão de sistemas. e de promoção da saúde podem apoiar os trabalhadores e trabalhadoras, a gerir as exigências e a aceder à assistência, mas devem complementar, e não substituir, a ação sobre as condições organizacionais.


O relatório apresenta exemplos de medidas preventivas nas três dimensões já referidas do ambiente psicossocial de trabalho e as suas inter-relações, apoiando as partes interessadas na identificação de áreas prioritárias de ação e na prevenção dos riscos na sua origem. Na prática, estas medidas devem ser consideradas coletivamente, uma vez que as mesmas frequentemente se destinam a múltiplos riscos psicossociais que interagem entre si, reforçando a necessidade de uma abordagem abrangente. 


As organizações devem rever periodicamente a implementação e a eficácia da gestão dos riscos psicossociais, através de indicadores e dos contributos de todas as partes impactadas. Essa revisão contribui para identificar consequências indesejadas e problemas emergentes ou persistentes, e simultaneamente garante a atualidade e relevância, à medida que o trabalho evolui. 

 

O caminho a seguir

 O relatório identifica três áreas interrelacionadas para ações futuras, com vista a encorajar os avanços na prevenção de riscos psicossociais construir ambientes psicossociais de trabalho que promovam a segurança e a saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras e o desempenho organizacional:


Investigação – É necessário produzir dados mais consistentes, baseados em instrumentos de avaliação harmonizados e que permitam ampliar a cobertura geográfica, colmatar lacunas e reforçar a compreensão das causas da prevalência e tendências dos riscos psicossociais. A integração de indicadores psicossociais nos sistemas de inspeção da SST e nas estatísticas nacionais contribuirá para um melhor acompanhamento das exposições e dos resultados. Embora vários países indiciem esforços para reforçar as estatísticas sobre os riscos psicossociais e a saúde mental relacionada com o trabalho, são necessárias medidas adicionais para garantir a produção sistemática de dados, que sejam harmonizados e internacionalmente comparáveis. Essa informação deve assegurar a desagregação por características dos trabalhadores e abordar diversas formas de trabalho, juntamente com uma avaliação mais rigorosa das políticas e da ação nos locais de trabalho, uma vez que podem facilitar a identificação e adoção de abordagens mais eficazes e abrangentes.

 

Enquadramentos políticos e regulatórios – Verifica-se a necessidade de uma maior coerência, clareza e consistência das abordagens políticas e regulatórias, uma vez que as práticas divergem quanto ao âmbito, à terminologia e aos níveis de proteção. Com vista a um reforço da prevenção, as políticas e a legislação de SST devem abordar explicitamente os riscos psicossociais, evitando que o foco principal se concentre nos resultados da saúde mental no trabalho. Para além da atenção contínua a problemas urgentes e visíveis, de que são exemplo ocorrências de violência e de assédio, é necessário colocar maior ênfase nos aspetos estruturais e organizacionais do trabalho.


Uma intervenção eficaz requer a combinação entre a imposição do cumprimento das obrigações legais, com orientações práticas, instrumentos de operacionalização e desenvolvimento de competências, especialmente para pequenas e médias empresas, bem como uma comunicação mais clara e uma coordenação institucional mais forte. A cooperação reforçada entre as autoridades de SST, instituições de saúde pública e parceiros sociais pode apoiar de forma mais eficaz prevenção e a partilha de conhecimentos.

 

Nos locais de trabalho – Embora nem todos os fatores psicossociais possam ser totalmente eliminados, os riscos que deles decorrem podem muitas vezes ser mitigados através da introdução de melhorias na conceção, organização e gestão do trabalho. Para tal é necessário proceder à revisão da carga de trabalho, da atribuição de tarefas, da supervisão e outros elementos do ambiente de trabalho, e simultaneamente reforçar as capacidades dos trabalhadores e trabalhadoras para reconhecer e se protegerem dos riscos. Uma liderança responsável é determinante para integrar a prevenção nas decisões de gestão operacional corrente e em todas as funções organizacionais. As abordagens participativas de trabalhadores e respetivos representantes, aliadas à cooperação entre profissionais de SST, recursos humanos e a administração, contribuem para garantir que as medidas sejam exequíveis, contextualizadas específicas e sustentáveis.

 

Fonte: Sumário Executivo do Relatório Global da OIT "O ambiente psicossocial de trabalho: Tendências globais e orientações para a ação" disponível em:

https://www.ilo.org/pt-pt/publications/o-ambiente-psicossocial-de-trabalho-tendencias-globais-e-orientacoes-para

 

 

 

 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Comunicado da CSI - Dia Internacional em Memória dos Trabalhadores 2026: Combater os riscos psicossociais no trabalho

 

Neste Dia Internacional em Memória dos Trabalhadores, 28 de abril, a CSI apela a uma ação urgente para enfrentar a crise global dos riscos psicossociais no trabalho – atualmente uma das principais causas de morte, doença e sofrimento para trabalhadores em todo o mundo.

 

Por trás da realidade diária do trabalho, milhões de trabalhadores enfrentam uma pressão implacável: longas horas, insegurança no emprego, metas impossíveis e culturas laborais tóxicas.


Estes não são apenas maus empregos – são empregos perigosos. O stresse, a ansiedade e o esgotamento estão agora a causar mais danos a nível global do que os riscos tradicionais no local de trabalho, como os químicos ou as poeiras.


O Novo relatório da CSI mostra a dimensão da crise:

 

  • Só as longas horas de trabalho são responsáveis por cerca de 745.000 mortes por ano.
  • Há pelo menos 70.000 suicídios relacionados com o trabalho anualmente.
  • Perdem-se 12 mil milhões de dias úteis todos os anos devido à depressão e ansiedade.
  • O burnout afeta cerca de um em cada cinco trabalhadores a nível global.
  • Os riscos psicossociais estão ligados a mais de 10 por cento dos casos de doenças cardíacas, depressão e suicídios.
  •  

"Maus trabalhos podem destruir qualquer um. Quando os trabalhadores são empurrados para além dos seus limites devido à insegurança no emprego, cargas excessivas de trabalho e falta de controlo, as consequências podem ser fatais. Isto não é inevitável – é resultado de escolhas feitas nas salas de reuniões e pelos governos." Secretário-Geral da CSI Luc Triangle.

 

Por todo o mundo, os sindicatos estão a provar que a mudança é possível. As evidências mostram que uma forte presença sindical democrática no local de trabalho é a proteção mais eficaz contra riscos psicossociais, melhorando a saúde dos trabalhadores e os resultados económicos.

 

A CSI reivindica:

 

  • Legislação rigorosa para prevenir riscos psicossociais no trabalho.
  • Pleno envolvimento dos sindicatos na Saúde e Segurança no Trabalho.
  • Trabalho digno, incluindo empregos seguros, salário justo e cargas de trabalho adequadas.
  • Reconhecimento das condições de saúde mental como doenças profissionais.

 

Luc Triangle concluiu: "As soluções para estes problemas começam com a democracia no local de trabalho, com uma voz para os trabalhadores através dos seus sindicatos. Os empregadores podem ignorar a saúde psicossocial dos trabalhadores e quebrá-los, perder competências valiosas e enfrentar o custo financeiro, ou podem trabalhar com os sindicatos para garantir que os trabalhadores são valorizados. Se os empregadores têm dificuldade em perceber qual é a escolha correta, os sindicatos estão prontos e disponíveis para os lembrar. A luta pela democracia no local de trabalho é a luta pelo bem-estar de todos os trabalhadores."

  

Neste 28 de abril, lembramos os mortos – e lutamos pelos vivos. O trabalho não deve custar vidas.

 

Deve proteger Vidas, Dignidade e Saúde Mental.

 

Comunicado amavelmente cedido pela CSI, cuja tradução é da responsabilidade do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho da UGT

 

Garantir ambientes de trabalho saudáveis e bem estar psicossocial - OIT

 

O ambiente psicossocial no trabalho é definido pela forma como o trabalho é concebido, organizado e gerido, bem como pelas práticas organizacionais que moldam diariamente as condições de trabalho. Fatores psicossociais – tais como  a carga  e o horário de trabalho, funções bem definidas, autonomia, apoio, processos justos e transparentes – influenciam fortemente a forma como o trabalho é realizado e afetam a segurança, a saúde e o desempenho dos trabalhadores e trabalhadoras.  

Quando os fatores psicossociais prejudicam os trabalhadores, tornam-se riscos que, tal como os riscos físicos, químicos e biológicos, devem ser abordados e geridos para garantir ambientes de trabalho seguros e saudáveis.

Para assinalar o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, em 28 de abril de 2026, a OIT preparou um conjunto de materiais para promover a campanha, nos quais se incluem - para além do cartaz - um relatório mundial e uma apresentação em PowerPoint. 

O relatório apresenta uma abordagem organizacional centrada na prevenção e analisa os fatores de risco psicossocial em três níveis: o trabalho, a forma como o trabalho é gerido e organizado e as políticas, práticas e procedimentos mais amplos que regem o trabalho.





Este relatório analisa os elementos, e interações que influenciam o ambiente psicossocial de trabalho e a sua relação com a forma como o trabalho é concebido, organizado e gerido, e as políticas, práticas e procedimentos mais abrangentes que regem o trabalho.

O relatório apresenta uma abordagem inovadora estruturada em três níveis dimensões interrelacionadas  para melhor compreender os fatores que influenciam o ambiente psicossocial de trabalho, nomeadamente, as exigências do trabalho, clareza na definição de funções, carga de trabalho, autonomia, modalidades e horários de trabalho e transparência e justiça nos processos. Essa abordagem  tem o objetivo de promover a prevenção e a gestão bem direcionadas e proativas para melhorar a segurança, saúde e o desempenho dos trabalhadores e das organizações. 

Fonte: OIT

 

Garantir ambientes de trabalho SAUDÁVEIS E BEM-ESTAR PSICOSSOCIAL - OIT



840.000 mortes por ano estão ligadas a riscos psicossociais no trabalho.


Mais de 840 mil pessoas morrem anualmente devido a problemas de saúde relacionados com riscos psicossociais, tais como longas jornadas de trabalho, insegurança no emprego e assédio no local de trabalho, segundo um novo Relatório global da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Esses riscos psicossociais relacionados com o trabalho estão associados a doenças cardiovasculares e a transtornos mentais, incluindo o suicídio.

O relatório constata também que esses riscos são responsáveis ​​por quase 45 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs) perdidos anualmente, refletindo anos de vida saudável perdidos devido a doenças, incapacidades ou morte prematura, e estima-se que resultem em perdas económicas equivalentes a 1,37% do PIB global a cada ano.

O Relatório, intitulado "O ambiente de trabalho psicossocial: desenvolvimentos globais e caminhos para ação" , destaca o crescente impacto da forma como o trabalho é concebido, organizado e gerido na segurança e saúde dos trabalhadores.

Alerta que os fatores de risco psicossociais — incluindo longas jornadas de trabalho, insegurança laboral, elevadas exigências com pouco controlo, e assédio moral e sexual no local de trabalho — podem criar ambientes de trabalho prejudiciais se não forem devidamente abordados.


O que é o ambiente de trabalho psicossocial? 

O Relatório apresenta o ambiente psicossocial de trabalho como os elementos do trabalho e das interações no local de trabalho relacionados à forma como os cargos são estruturados, como o trabalho é organizado e gerido, e as políticas, práticas e procedimentos mais amplos que orientam o trabalho. Esses elementos, tanto individualmente quanto em conjunto, afetam a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, bem como o desempenho organizacional.

Para melhor compreender os riscos psicossociais, o Relatório propõe três níveis interrelacionados do ambiente de trabalho:

Em primeiro lugar, a natureza do próprio trabalho, incluindo exigências, responsabilidades, alinhamento com as competências dos trabalhadores, acesso a recursos e a conceção das tarefas em termos de significado, variedade e utilização de competências. 

Em segundo lugar, a forma como o trabalho é organizado e gerido, abrangendo a clareza de funções, expectativas, autonomia, carga de trabalho, ritmo de trabalho, supervisão e apoio.

Em terceiro lugar, as políticas, práticas e procedimentos mais amplos que regem o trabalho no local de trabalho. Isso inclui os contratos de emprego e horários de trabalho, a gestão da mudança organizacional, a monitorização digital, os processos de desempenho e recompensa, as políticas e sistemas de gestão de SST (Saúde e Segurança no Trabalho), os procedimentos para prevenir a violência e o assédio no trabalho e os mecanismos de consulta e participação dos trabalhadores. 

O Relatório enfatiza que os riscos psicossociais decorrem desses elementos e podem ser prevenidos através de abordagens organizacionais que abordem as suas causas. Destaca também a importância de integrar a gestão de riscos psicossociais nos sistemas de segurança e saúde ocupacional, com o apoio do diálogo social entre governos, empregadores e trabalhadores.


Como a OIT estimou 840.000 mortes

A estimativa de mais de 840.000 mortes por ano foi baseada em duas fontes principais de evidência. A primeira refere-se a dados sobre a prevalência global de cinco fatores de risco psicossociais no trabalho: stresse ocupacional (altas exigências de trabalho combinadas com baixo controle), desequilíbrio entre esforço e recompensa, insegurança no trabalho, longas jornadas de trabalho e assédio moral e sexual no ambiente de trabalho.

As segundas referem-se a pesquisas científicas que demonstram como esses riscos aumentam a probabilidade de doenças graves, como doenças cardíacas, acidente vascular cerebral e transtornos mentais, incluindo o suicídio.

Esses níveis de risco foram aplicados aos dados globais mais recentes de mortalidade e saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do estudo Carga Global de Doenças (GBD) para estimar o número de mortes e DALYs atribuíveis a esses riscos a cada ano. Essa abordagem permitiu à OIT quantificar tanto o ônus humano quanto o económico, incluindo a estimativa das perdas de produtividade refletidas nos custos do PIB associados aos anos de vida saudável perdidos.

Além disso, o Relatório sintetiza um amplo conjunto de evidências que demonstram que os riscos psicossociais estão ligados a uma vasta gama de problemas de saúde mental e física entre os trabalhadores, incluindo depressão e ansiedade, bem como doenças metabólicas, distúrbios musculoesqueléticos e distúrbios do sono.

Exposição generalizada

Embora muitos riscos psicossociais não sejam novos, grandes transformações no mundo do trabalho, incluindo a digitalização, a inteligência artificial, o trabalho remoto e novos modelos de emprego, estão a remodelar o ambiente psicossocial do trabalho. Essas mudanças podem intensificar os riscos existentes ou criar novos, se não forem devidamente abordadas.

Ao mesmo tempo, podem oferecer oportunidades para uma melhor organização do trabalho e maior flexibilidade, ressaltando a necessidade de ações proativas.

“Os riscos psicossociais estão a tornar-se um dos desafios mais significativos para a segurança e saúde ocupacional no mundo do trabalho moderno”, disse Manal Azzi, Líder da Equipa de Políticas e Sistemas de SST da OIT. “A melhoria do ambiente de trabalho psicossocial é essencial não apenas para proteger a saúde mental e física dos trabalhadores, mas também para fortalecer a produtividade, o desempenho organizacional e o desenvolvimento económico sustentável.”

Ao abordar esses riscos de forma proativa, conclui o relatório, países e empresas podem criar ambientes de trabalho mais saudáveis ​​que beneficiem, tanto os trabalhadores quanto as organizações, enquanto fortalecem a produtividade e a resiliência económica.


Fonte: OIT

Saiba mais Aqui


segunda-feira, 27 de abril de 2026

Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho 2026: Relatório Mundial da OIT

 


Disseminamos o sumário executivo em português do Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), intitulado “O ambiente psicossocial de trabalho: tendências globais e orientações para a ação”, preparado por ocasião do Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho 2026.

Este relatório analisa os elementos, e interações que influenciam o ambiente psicossocial de trabalho e a sua relação com a forma como o trabalho é concebido, organizado e gerido, e as políticas, práticas e procedimentos mais abrangentes que regem o trabalho.

O relatório apresenta uma abordagem inovadora estruturada em três níveis dimensões interrelacionadas para melhor compreender os fatores que influenciam o ambiente psicossocial de trabalho, nomeadamente, as exigências do trabalho, clareza na definição de funções, carga de trabalho, autonomia, modalidades e horários de trabalho e transparência e justiça nos processos. Essa abordagem  tem o objetivo de promover a prevenção e a gestão bem direcionadas e proativas para melhorar a segurança, saúde e o desempenho dos trabalhadores e das organizações. 

Para destacar os impactos  dos riscos psicossociais na saúde e os custos económicos dos ambientes psicossociais de trabalho adversos, o relatório vai além da revisão das evidências documentadas e inclui novas estimativas mundiais da OIT que demonstram que os fatores de risco psicossocial são responsáveis por mais de 840.000 mortes anuais, perdas de cerca de 45 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade (DALY) anualmente e uma perda anual estimada equivalente a 1,37 por cento do PIB mundial.

Também analisa os desenvolvimentos de quadros regulatórios e políticas internacionais, regionais e nacionais e apresenta abordagens práticas para prevenir e gerir riscos psicossociais ao nível dos locais de trabalho.


Aceda ao Sumário Executivo Aqui.

Fonte: OIT

Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho 2026



quarta-feira, 22 de abril de 2026

Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho 2026 - OIT

 



28 de abril de 2026

 

Vamos garantir um ambiente de trabalho psicossocial saudável.

O ambiente psicossocial de trabalho é definido pela forma como o trabalho é concebido, organizado e gerido, e pelas práticas organizacionais que moldam as condições diárias de trabalho. Fatores psicossociais – como a carga de trabalho e o horário de trabalho, a clareza de funções, a autonomia, o apoio e os processos justos e transparentes – influenciam fortemente a experiência do trabalho e afetam a segurança, a saúde e o desempenho dos trabalhadores.  

Quando os fatores psicossociais prejudicam os trabalhadores, tornam-se riscos que, juntamente com os riscos físicos, químicos e biológicos, devem ser abordados e gerenciados para garantir ambientes de trabalho seguros e saudáveis. 

Para marcar o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, em 28 de abril de 2026, a OIT compartilhará materiais de campanha, incluindo um relatório global e uma apresentação em PowerPoint. O relatório adota uma abordagem organizacional, focada na prevenção, e analisa fatores psicossociais em três níveis: o trabalho em si, a gestão e organização do trabalho e as políticas, práticas e procedimentos mais amplos que regem o trabalho.

 Fonte: OIT


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