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terça-feira, 20 de abril de 2021

Artigo - O meu chefe é um algoritmo - Reflexões preliminares sobre a uberização do trabalho



imagem com DR


Divulgamos neste Blog mais um interessante artigo da autoria do Dr. João Areosa. Recomendamos a sua leitura. 

Uma das principais transformações verificadas no mundo do trabalho, na última década, foi o surgimento de formas de organização do trabalho absolutamente novas, coordenadas por plataformas on-line que, mais não são, do que sítios Web altamente dinâmicos que se constituem como mercados de trabalho digitais.

O trabalho em plataformas digitais compreende diversas modalidades de trabalho, diferentes tipos de tarefas e muitas formas de emprego não convencionais, desde o trabalho altamente qualificado a serviços realizados em casa ou noutras instalações e geridos através de aplicações baseadas na Internet.

Como consequência, também as condições de trabalho variam significativamente, assim como os riscos para a Segurança e Saúde no Trabalho (SST).

Este interessante artigo reflete sobre estas plataformas digitais e sobre as condições em que trabalhadores e trabalhadoras prestam o seu trabalho.

 

“O novo formato de trabalho uberizado surgiu durante a última década e ainda está sem regulamentação ou legislação. Aos trabalhadores é vendida a ilusão de executar as suas tarefas com total autonomia, sem horários rígidos e nem ordens hierárquicas. No entanto, esta sedução é falaciosa, porque os trabalhadores estão sujeitos a um forte controlo no desempenho das suas tarefas, desde a cadência de pedidos, passando pelo controlo tecnológico (por exemplo, na sua localização e velocidade de entregas), até à avaliação de desempenho feita pelos clientes. A uberização do trabalho está a gerar nómadas urbanos que sobrevivem através de um subemprego e que estão despossuídos de direitos fundamentais de cidadania e dignidade. É urgente repensar esta nova forma de trabalho!”


Fonte: Artigo “O meu chefe é um algoritmo - Reflexões preliminares sobre a uberização do trabalho”

 


Aceda ao Artigo Aqui.

https://www.researchgate.net/publication/350621711_O_meu_chefe_e_um_algoritmo_-_Reflexoes_preliminares_sobre_a_uberizacao_do_trabalho

terça-feira, 6 de abril de 2021

Capacitar os trabalhadores para a prevenção das LMELT: contributos da abordagem participativa da Ergonomia.


 

Disseminados no nosso blog SST um interessante artigo da autoria do Dr. António Sousa Uva sobre uma temática cada vez amais atual: As LMERT.


 

Segue o Resumo:

 

“As lesões musculoesqueléticas ligadas ao trabalho (LMELT) são, provavelmente, o maior e mais frequente problema de saúde dos trabalhadores na União Europeia. Compreender a complexidade, quer da génese, quer da avaliação e da prevenção das LMELT, são aspetos fundamentais que a abordagem participativa da Ergonomia promove através da capacitação (ou “empoderamento”) dos trabalhadores.

Os programas participativos em Ergonomia necessitam, para além dos conhecimentos específicos, de valorizar alguns aspetos como a participação dos trabalhadores, o apoio da organização (ou da empresa) e das suas administrações. Não existe ninguém mais interessado na sua saúde do que o próprio trabalhador. A Ergonomia pode contribuir para o “despertar” desse interesse, envolvendo o trabalhador na utilização desses

conhecimentos e, em meio hospitalar, os profissionais de saúde, desde que envolvidos, são profissionais informados e recetivos à mudança que tal tipo de intervenção requer."


Fonte: Artigo  

Capacitar os trabalhadores para a prevenção das LMELT: contributos da abordagem participativa da Ergonomia, ACADEMIA.EDU.


 

Aceda ao artigo na integra Aqui.

 


quarta-feira, 17 de março de 2021

O trabalho como palco do sofrimento

 

Autor: João Areosa

Instituto Politécnico de Setúbal

 

Divulgamos neste Blog um interessante artigo da autoria de João Areosa sobre uma temática cada vez mais atual. Infelizmente.

Segue o resumo e a sugestão séria para a sua leitura.

 

Resumo

 

De certo modo podemos afirmar que o sofrimento no trabalho está democratizado, tendo em conta que pode afetar todos os trabalhadores, em qualquer nível hierárquico. As organizações aparentam ter inúmeras preocupações com a sua imagem para o exterior, mas raramente revelam a mesma atitude para com os seus profissionais. Metaforicamente, as empresas parecem aqueles presentes baratos com embalagens conspícuas, ou seja, são apenas “laminagens a ouro”.

 

O universo laboral quotidiano está a produzir novas e velhas formas de sofrimento, o qual é preciso saber identificar e analisar. É esse o objetivo principal deste artigo. Todavia, é pertinente sublinhar que o teatro laboral não oferece apenas este lado negativo.

 

 Há aspetos positivos no mundo do trabalho. Por isso, sustentámos a nossa reflexão numa abordagem que retrata as consequências do trabalho na saúde mental dos trabalhadores, a partir do prazer que suscita ou do sofrimento que produz.

 

Esta disciplina é a psicodinâmica do trabalho, cujo principal mentor é Christophe Dejours.

 

Aceda ao Artigo Aqui.

 


 

sexta-feira, 29 de maio de 2020

A DOENÇA PROFISSIONAL COVID-19: MAIS UMA INFEÇÃO TRANSMITIDA A PROFISSIONAIS DE SAÚDE ATRAVÉS DE GOTÍCULAS DO TRATO RESPIRATÓRIO


Divulgamos no nosso Blog este interessante artigo de opinião da autoria do Professor Dr. António de Sousa Uva - A DOENÇA PROFISSIONAL COVID-19: MAIS UMA INFEÇÃO TRANSMITIDA A PROFISSIONAIS DE SAÚDE ATRAVÉS DE GOTÍCULAS DO TRATO RESPIRATÓRIO



" Os fatores de risco microbiológicos foram, nos últimos cinquenta a sessenta anos, fatores de risco de natureza profissional muito pouco valorizados em profissionais de saúde tendo, no entanto, a propósito do vírus de imunodeficiência adquirida identificado há cerca de 40 anos, despertado mais a nossa atenção, e de forma muito marcada e, mais recentemente, também o risco da tuberculose multirresistente. A gravidade das doenças e o seu desfecho são, portanto, fatores determinantes na percepção desses riscos profissionais numa perspectiva comum do conceito de risco.

De facto, a exposição a fatores de risco dessa natureza na prestação de cuidados de saúde e a manipulação de produtos biológicos constituem situações de risco assinaláveis. A principal via de transmissão (transmissão por via aérea) faz-se através de gotículas provenientes das secreções respiratórias que têm tendência a sedimentar rapidamente devido ao seu peso.

O coronavírus SARS-Cov2 transmite-se através de gotículas provenientes da árvore respiratória de um indivíduo infetado quando tosse, espirra ou fala, as quais se depositam nas mucosas de um indivíduo suscetível. São essas as principais razões (agora por vezes denominadas o racional) da necessidade imperiosa de evitar a proximidade entre pessoas (distanciamento físico também denominado distanciamento social), a permanência em ambientes fechados e pouco arejados, assim como a higiene das mãos deficiente que também é muito facilitadora do contágio.

Contrariamente à gripe (existem muitas diferenças …) a vacinação não está disponível na prevenção da doença. Quando (e se) existir, naturalmente que os profissionais de saúde serão um dos grupos prioritários para essa vacinação, com o duplo objetivo de se protegerem, mas também de minimizarem a transmissão do vírus aos seus doentes.

A parotidite infeciosa (ou papeira) também causada por um outro vírus, hoje muito pouco frequente devido à vacinação (VASPR – que contém antigénios específicos do vírus do Sarampo, da Papeira e da Rubéola) era muito frequente na altura, por exemplo, do baby boom após a segunda grande guerra. E poderíamos falar também do sarampo e de outras doenças infecciosas com vias de transmissão semelhantes.

A Lista Portuguesa de Doenças Profissionais não inclui no seu capítulo quinto (Doenças Infeciosas e Parasitárias), a COVID-19 por razões óbvias, mas o seu reconhecimento como doença profissional poderá ser feito dada a natureza mista do nosso sistema de reparação de danos emergentes de doença profissional.

São muitos os agentes microbiológicos que se transmitem por gotículas e incluem os vírus ou as bactérias que são responsáveis por quadros clínicos diversos, muito frequentemente envolvendo o aparelho respiratório.

Enquanto não dispusermos de vacina (ou de uma terapêutica eficaz) a tranquilização dos profissionais de saúde será uma tarefa árdua (mas indispensável) que passa, para além da mais robusta formação e informação, pelo recurso a medidas (organizacionais e outras) de gestão do risco e pelo recurso, complementarmente às medidas de protecção colectiva, aos equipamentos de proteção individual (adequados!) e à sua mais correcta utilização.

Os Serviços de Saúde Ocupacional, com profissionais competentes e com formação específica adequada e recursos igualmente adequados, são indispensáveis para que essas tarefas sejam cumpridas pelo que se torna inadiável um maior investimento na sua implementação e na sua valorização no seio das organizações (também hospitais e agrupamentos de centros de saúde). É essa a diferença entre o cumprimento de disposições normativas (custo) e a promoção e proteção da saúde de quem trabalha (investimento).

Médico do trabalho, Imunoalergologista e Professor catedrático da NOVA (ENSP)

 FONTE: conteúdo retirado do site da HEALTHNEWS - Informação em saúde