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terça-feira, 16 de abril de 2019

Dia Mundial da Voz – Campanha de Prevenção de Riscos Profissionais no Setor da Educação






No âmbito da Campanha de Prevenção de Riscos Profissionais no Setor da Educação desenvolvida pela UGT , foram levadas a cabo ações de informação e sensibilização sobre os riscos profissionais a que estes profissionais se encontram sujeitos, entre eles os relacionados com o uso da voz.

Tendo em conta que hoje se assinala o Dia Mundial da Voz, não podemos perder a oportunidade de disseminar o folheto informativo sobre esta temática.


A VOZ DO PROFESSOR: PROTEGER, CUIDAR, USUFRUIR

A voz do professor: proteger, cuidar, usufruir

A voz é um instrumento de trabalho fundamental da profissão de professor. Na verdade, o professor é um profissional da voz e, como tal, deve cuidar da sua voz para que a possa utilizar sempre nas melhores condições de saúde e com a máxima qualidade.

Como profissionais da voz, os professores são um grupo de risco: o abuso e, por vezes, o uso indevido da voz, conduzem  frequentemente a problemas de saúde vocal que perturbam, ou mesmo inviabilizam, o exercício da profissão. Por isso, o professor deve cuidar e proteger a sua voz e aprender a utilizá-la de modo a usufruir de todas as possibilidades que este instrumento privilegiado de comunicação lhe oferece.

Principais causas de problemas vocais:

- Ineficiência de técnicas respiratórias.
- Ineficácia dos gestos de projecção vocal em sala de aula.
- Uso prolongado da voz falada, por vezes em situações de fadiga e de stress.
- Necessidade de falar para grandes grupos em espaços de pobre qualidade acústica.
- Necessidade de falar sobre barulho de fundo.
- Exposição a substâncias irritantes tais como o tabaco ou o álcool.
- Problemas de saúde tais como alergias, infecções, refluxo gastroesofágico
Principais problemas vocais:
- Disfonia, afonia (rouquidão) provocadas por edemas das cordas vocais. Nódulos e pólipos das cordas vocais.

Sinais de alerta:

- Rouquidão continuada (mais de seis dias), perda de voz inexplicável, voz débil ou permanentemente cansada, necessidade constante de pigarrear, incapacidade de projectar a voz, dor sistemática na garganta ou sensação de objecto estranho na garganta.

Cuidados de higiene e saúde vocal:

- Manter-se hidratado consumindo água suficiente. Evitar bebidas desidratantes como o café e o álcool. Evitar consumir alimentos como o chocolate e os produtos lácteos antes do uso profissional da voz. Não fumar.

- Aprender a reconhecer sinais de cansaço vocal. Adoptar estratégias de descanso vocal após abuso vocal utilizando, por exemplo, métodos activos em sala de aula permitindo-lhe permanecer em silêncio por alguns períodos de tempo. Permitir-se momentos de pausa vocal durante o dia.

- Não se auto-medicar: o uso da aspirina, por exemplo, pode ter efeitos hemorrágicos nas cordas vocais. Alguns anti-histamínicos têm efeitos desidratantes. Muitas pastilhas para a garganta, especialmente as que contém mentol, são desidratantes.

- Ter especial atenção quando se tem doenças que envolvem o tracto respiratório - tais como alergias, constipações, gripes, sinusites, etc - pois conduzem frequentemente a problemas vocais.

- Os estados emocionais afectam a eficácia fisiológica da voz e, consequentemente, a qualidade da voz falada. Assim, é preciso estar consciente de que em condições emocionais adversas o normal funcionamento da voz é afectado exigindo, por isso, especial atenção.

Comportamentos vocais adequados:

- Evitar falar em locais de muito ruído como salas de professores, carros ou aviões.

- Evitar gritar. Em vez disso assobiar, bater palmas ou usar um apito para chamar a atenção.

 - Evitar sussurrar.

- Evitar pigarrear. Beber água para controlar a necessidade de pigarrear e procurar o diagnóstico do problema conducente ao pigarreio.

 - Evitar tossir. Beber água e procurar o diagnóstico do problema conducente à tosse.

Aquecimento

No início do dia o professor deve aquecer a sua voz. Alguns exercícios de boca fechada e em consoantes vozeadas na região média da voz podem ser eficazes para o efeito.

Relaxamento e Respiração

- Praticar técnicas de relaxamento para manter o corpo relaxado de modo a optimizar o uso vocal.

- Adoptar uma respiração relaxada, pausada e fundamentalmente controlada pelos músculos abdominais. Falar devagar dando tempo para a respiração.

- Não puxar o ar para a inspiração, nem empurrar o ar para falar.

- Permitir o retomar natural da inspiração. Manter a flexibilidade muscular durante o ciclo respiratório.

Postura

- Ter consciência da postura corporal e em como esta afecta a qualidade da ressonância e da projecção vocal. Uma postura com um bom alinhamento corporal é fundamental.

Articulação e Projecção

- Usar os articuladores de modo flexível, manter o maxilar e a língua relaxados. Manter um espaço entre o maxilar superior e inferior enquanto se articula.

- Prolongar as vogais e não sobrevalorizar as consoantes.

- Utilizar uma prosódia acentuada – melodia e ritmo da voz falada – evitando assim o cansaço vocal.

- Procurar falar numa frequência confortável para a voz. Subir um ou dois tons relativamente à frequência média da voz falada quando se pretender falar em público.

Adequação à acústica das salas

- Ambientes revestidos de superfícies tais como madeira, vidro, espelho, metal, são ambientes com elevada reverberação, pois estas superfícies são reflectoras do som. O professor deve adequar-se a esta acústica falando mais devagar e pausadamente e não enfatizar o volume da voz.

- Ambientes revestidos com materiais tais como alcatifas, cortinados, esponjas, são ambientes secos, pois estes materiais absorvem o som. São ambientes extremamente fatigantes para a fonação, o professor deve utilizar todos os recursos de projecção vocal que possuir e, idealmente, falar com microfone.


Voz e comunicação em sala de aula

Parte significativa da comunicação não verbal ocorre através da prosódia da voz falada. A consciência de que esta comunicação se realiza, a todo o momento, independentemente dos conteúdos a transmitir, é fundamental para que o profissional da voz possa manipular a sua voz – inflexão, timbre, velocidade, melodia, ritmo, altura, etc – tendo em conta os fins a atingir. 

A qualidade vocal do professor exibe a todo o momento os seus estados emocionais e estes são ouvidos e entendidos pelo aluno permanentemente. A manipulação desta qualidade pode pois ser utilizada com fins pedagógicos tais como os de manter a atenção e a motivação do interlocutor pelo discurso.

A voz é, pois, veículo de comunicação verbal e não verbal!



PROTEJA A SUA VOZ, CUIDE DA SUA VOZ, USUFRUA DA SUA VOZ!



Dia Mundial da Voz


Hoje celebra-se o Dia Mundial da Voz. A data tem como objetivo alertar a população para os cuidados a ter com o aparelho vocal e com a prevenção de doenças da laringe.



A UGT associa-se às comemorações deste dia na plena convicção de que o uso da voz é uma ferramenta de trabalho fundamental para milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

Os trabalhadores das mais diversas áreas são confrontados com doenças provocadas pelo uso excessivo ou inadequado do aparelho vocal, isto é, são confrontados com doenças cuja origem está no exercício da sua atividade profissional, e por isso mesmo são consideradas como doenças profissionais.

De entre as profissões mais vulneráveis a adquirir doenças profissionais do foro vocal destacam-se atores, advogados, locutores de televisão e rádio, cantores, conferencistas, guias turísticos, operadores telefónicos, vendedores, políticos, professores e educadores, tradutores e interpretes,  entre muitos outros.

Hoje é sabido que de entre os hábitos que são prejudiciais à voz se destacam o uso forçado da voz, falar em ambientes secos e poluídos (com poeira, mofo e vapores químicos), falar em ambientes muito quentes ou frios (ar condicionado), falar demasiado e durante muito tempo.

Cabe por isso ao movimento sindical em geral e à UGT em particular lutar continuadamente pelos direitos da saúde dos trabalhadores e da adequação dos locais de trabalho às mais elementares condições de segurança e saúde.

Tendo em consideração os estudos produzidos internacionalmente a União Europeia através da Comissão adotou uma Recomendação (2003/670/CE) a 19 de Setembro de 2003 no que concerne à adoção de uma lista Europeia das doenças profissionais. Esta Recomendação esteve no horizonte da comissão técnica nacional que apresentou a última revisão da Lista das doenças profissionais em Portugal e que se encontra plasmada através do Decreto Regulamentar nº 76/2007 de 17 de Julho.

Ora, a Recomendação esclarece que:
« (2) Durante o período transcorrido desde a Recomendação 90/326/CEE, o progresso científico e técnico permitiu conhecer melhor os mecanismos de aparecimento de certas doenças profissionais e os nexos de causalidade. Convém, por conseguinte, introduzir numa nova recomendação, bem como na lista europeia e na lista complementar, as alterações que daí decorrem.»
Neste sentido a Comissão reconhece na lista complementar da Recomendação (2003/670/CE) como doença profissional provocadas pelos agentes físicos os “Nódulos nas cordas vocais devidos a esforços repetidos da voz por razões profissionais”.

A Comissão recomenda também que os Estados membros “promovam a investigação no domínio das doenças ligadas à atividade profissional, nomeadamente as doenças que constam do anexo II e as perturbações de natureza psicossocial ligadas ao trabalho e reconhece que é forte a possibilidade de virem a constar já em próxima Lista do Anexo I as doenças que se suspeita serem de origem profissional e inseridas na Lista do Anexo II, donde se encontram os “Nódulos nas cordas vocais devidos a esforços repetidos da voz por razões profissionais (2.503)”.

Tendo em consideração que estudos internacionais têm demonstrado que os Nódulos se encontram entre as doenças profissionais por uso prolongado da voz e que a disfonia funcional com abuso vocal prolongado pode levar ao desenvolvimento de alterações orgânicas secundárias, como os nódulos vocais - que apesar de serem considerados entidades patológicas individualizadas eles são entendidos como o resultado de uma disfonia funcional precedente, a UGT entende que tal discriminação deveria constar da Lista Nacional das Doenças Profissionais, evitando-se deste modo o complexo e moroso procedimento da necessidade de prova de consequência necessária e direta da atividade exercida, como manda o artigo 94º da Lei nº 98/2009, de 4 de Setembro.

A UGT neste dia realça a necessidade da revisão da Lista Nacional, no sentido se serem incluídos explicitamente os Nódulos vocais como uma lesão associada às alterações funcionais da voz, salvaguardando deste modo o direito de reparação e tratamento adequado a milhares de trabalhadores que apresentam tais lesões pelo desempenho da sua atividade profissional, não deixando também de exortar a investigação científica a dedicar alguma da sua atividade a esta área tão importante para milhares de trabalhadores.


UGT, 16 de Abril de 2019