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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Alerta digital: dados sobre Informação sobre SST e prevenção do stress relacionado com o trabalho


 

A edição de 2024 do Inquérito Europeu às Condições de Trabalho da EUROFOUND evidencia resultados de extrema pertinência relativamente às dimensões Informação sobre Saúde e Segurança no Trabalho e Prevenção do Stress Relacionado com o Trabalho.

 

A grande maioria dos trabalhadores está bem informada sobre os riscos de Segurança e Saúde no Trabalho (SS) e sobre a prevenção do stress relacionado com o trabalho.

ü  No entanto, existe um nível mais elevado de informação sobre os riscos de SST (41% estão muito bem informados) em comparação com a prevenção do stress relacionado com o trabalho (26%).

ü  As mulheres têm alguma maior probabilidade do que os homens de relatar estar pouco informadas sobre ambos os riscos (com uma diferença de género entre 2 e 4 pontos percentuais).

ü  Existem também diferenças importantes por setor que podem ser observadas nos quadros abaixo.

Seguem alguns Resultados/Proporção de trabalhadores informados sobre a SST:

Setores

Nada Bem informado

Não muito informado

Bem informado

Muito bem informado

Agricultura

7

15

51

29

Outros serviços

4

11

45

40

Comércio e Turismo

4

11

47

38

Educação

4

11

49

36

Construção

4

10

50

36

Transportes

3

10

46

41

Saúde

3

10

44

44

Indústria

2

10

44

45

Banca e financeiro

2

9

43

48

Administração Pública

1

7

42

49

UE-27

4

 

8

46

41

 

Seguem alguns Resultados/Proporção de trabalhadores informados sobre a Prevenção do Stress:

Setores

Nada Bem informado

Não muito informado

Bem informado

Muito bem informado

Agricultura

19

19

41

21

Comércio e Turismo

12

22

43

23

Construção

12

20

43

25

Educação

9

22

44

25

Outros serviços

11

19

44

27

Indústria

10

18

46

26

Transportes

10

18

50

23

Saúde

9

18

45

28

Banca e financeiro

7

15

48

30

Administração Pública

5

16

46

33

UE-27

10

 

19

45

26

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Aceda aos resultados integrais do Inquérito Europeu às Condições de Trabalho 2024 Aqui.

https://www.eurofound.europa.eu/en/publications/all/european-working-conditions-survey-2024-first-findings

 

 

 

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Dados europeus sobre riscos novos e emergentes

 



 

A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) revelou as principais conclusões do seu quarto Inquérito Europeu às Empresas sobre Riscos Novos e Emergentes (ESENER 2024), realizado em 2024. Este inquérito exaustivo abrangeu 41 458 estabelecimentos de diversos setores, cada um empregando pelo menos cinco pessoas, e abrange 30 países, incluindo a UE-27, a Islândia, a Noruega e a Suíça. 

 

Na generalidade, os resultados revelam uma estagnação preocupante nos esforços para mitigar os riscos psicossociais relacionados com o trabalho e os perigos da rápida digitalização, refletindo as tendências observadas em 2019, bem como um declínio preocupante na participação dos trabalhadores.

 

Os riscos psicossociais relacionados com o trabalho mantêm-se, em grande medida, inalterados

 

Os números mostram que os riscos psicossociais relacionados com o trabalho permanecem praticamente inalterados desde 2019. Sobre a questão dos clientes difíceis, doentes, alunos, etc., 56% dos inquiridos confirmaram ter passado por isso em 2024 contra 59% em 2019; na pressão de tempo, 43% em 2024 contra 45% em 2019; horários de trabalho longos/irregulares: aproximadamente 18% vs 21%; comunicação deficiente: 19% vs 18%; precariedade laboral: 11% vs 10%.

 

No entanto, existem variações por país na prevalência destes riscos. Por exemplo, nos países nórdicos, a pressão do tempo foi referida como um dos principais fatores de risco (Suécia, 64%; Finlândia, 71%.).

 

Embora mais estabelecimentos relatem dispor de informações suficientes para incorporar os riscos psicossociais nas suas avaliações, passando de 60% em 2019 para 64 % em 2024, a relutância em discutir abertamente as questões psicossociais continua a impedir o progresso, a par da falta de sensibilização e de apoio especializado.

 

Surpreendentemente, um quarto dos estabelecimentos inquiridos (25%) referiu não ter fatores de risco psicossociais. Destes, as percentagens mais elevadas encontram-se em Itália (47%) e na Lituânia (44%), enquanto as mais baixas se registam na Finlândia (12%), Chipre, Bélgica e Alemanha (14%).

 

Curiosamente, os estabelecimentos que reportam riscos psicossociais relacionados com o trabalho estão a integrar lentamente o apoio à saúde mental no local de trabalho, com 21% dos estabelecimentos a utilizarem os serviços de um psicólogo – contra 19% em 2019. Este número varia drasticamente de país para país, com a Finlândia a liderar com 73 %, seguida da Bélgica (48 %) e da Dinamarca (47 %).

 

Notavelmente, apenas 46% dos estabelecimentos têm procedimentos para lidar com ameaças, abusos ou agressões, contra 51% em 2019. No entanto, há sinais de melhoria: 39% têm agora planos de ação para lidar com o stress (contra 33%) e 55% têm protocolos para lidar com bullying ou assédio (contra 45%).

 

Digitalização: uma faca de dois gumes

Não é de estranhar que o trabalho a partir de casa tenha quase duplicado desde os tempos pré-pandemia, agora com 23% em comparação com 13% em 2019.

 

Além disso, a inclusão de avaliações de risco em teletrabalho aumentou significativamente, passando de 31% em 2019 para 48% em 2024.

 

Talvez seja por isso que a longa permanência na posição de sentado emergiu como o fator de risco físico mais prevalente, afetando 64% dos estabelecimentos em 2024 – um ligeiro aumento em relação aos 61% de 2019.

 

Apesar da rápida adoção de tecnologias digitais, apenas 43 % dos locais de trabalho incluem avaliações de riscos relacionadas com a sua utilização e apenas 42 % ministram formação neste domínio. Isto é preocupante, dado que mais de 80% da força de trabalho utiliza vários dispositivos digitais.

 

 O inquérito revela que 35% dos estabelecimentos que utilizam tecnologias digitais consultaram os trabalhadores sobre potenciais impactos na saúde e segurança – um aumento significativo em relação aos 24% de 2019.

 

Os riscos mais frequentemente comunicados associados à digitalização incluem a longa permanência na posição de sentado (54 %) e os movimentos repetitivos (47 %), a par de desafios psicossociais como o aumento da intensidade do trabalho (34 %) e a sobrecarga de informação (32 %).

 

A imagem país por país é muito diversificada. Na Finlândia, as taxas mais elevadas de riscos profissionais associados à digitalização são o trabalho sozinho e o isolamento dos colegas (43 %), juntamente com a falta de capacidade para trabalhar com tecnologias digitais (46 %), ao passo que, na Alemanha, 54 % dos locais de trabalho referem um aumento da intensidade do trabalho e da sobrecarga de informação.

 

Participação dos trabalhadores: tendência decrescente

Registou-se um declínio preocupante da participação dos trabalhadores na conceção e implementação de medidas de mitigação dos riscos psicossociais, baixando de 61% em 2019 para 55% em 2024.

 

Esta tendência reflete uma questão mais vasta, uma vez que quase um terço dos estabelecimentos não dispõe de qualquer forma de representação dos trabalhadores, um número que atinge um pico na Grécia (73%), Portugal (65%) e Letónia (65%).

 

Devido à natureza dos riscos psicossociais, seria de esperar que as medidas neste domínio implicassem a participação direta dos trabalhadores e um grau especialmente elevado de colaboração de todos os intervenientes no local de trabalho, mas as conclusões não sugerem isso.

 

Além disso, o cumprimento das obrigações legais continua a ser a principal motivação para a gestão da segurança e saúde no trabalho (SST), comunicada por 87% dos estabelecimentos.

 

No entanto, embora quase 80 % citem a prevenção de sanções por parte dos inspetores do trabalho como uma razão para a gestão da SST, a percentagem de estabelecimentos sujeitos a inspeções de trabalho diminuiu, descendo de 43,2 % em 2019 para 40 % em 2024, com as quedas mais significativas na Grécia e na Irlanda.

 

Estes resultados evidenciam uma tendência preocupante no que diz respeito à aplicação da legislação necessária para garantir locais de trabalho saudáveis e seguros para todos os trabalhadores europeus.

 

Fonte: ETUI/ Tradução da responsabilidade do Dep. SST

 

Consulte aqui o relatório completo do ESENER 2024.

 

 


segunda-feira, 3 de março de 2025

SST em Números | Fatores de risco de CANCRO profissional na Europa


PROMOVER AMBIENTES DE TRABALHO SEGUROS E SAUDÁVEIS



A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (UE-OSHA) realizou um inquérito aos trabalhadores - Inquérito sobre a exposição dos trabalhadores aos fatores de risco de cancro na Europa - em seis Estados-Membros da UE: Alemanha, Irlanda, Espanha, França, Hungria e Finlândia.


O inquérito estima a exposição provável dos trabalhadores durante a última semana de trabalho a 24 fatores de risco de cancro profissional conhecidos, incluindo produtos químicos industriais, substâncias e misturas geradas por processos e fatores de risco físico.

 

Seguem as conclusões iniciais deste inquérito.

 

1 - Exposições mais comuns

As exposições profissionais mais frequentes avaliadas entre os 24 fatores de risco de cancro considerados no inquérito foram as seguintes: radiação solar ultravioleta, emissões de gases de escape dos motores diesel, benzeno, poeira de sílica cristalina respirável e formaldeído, seguidas de compostos de crómio hexavalente, chumbo e seus compostos inorgânicos, e poeira de madeira.

São evidenciados os seguintes resultados:

 

A poeira de sílica, as emissões de gases de escape dos motores diesel e as poeiras de madeira destacam-se com percentagens mais elevadas de trabalhadores, provavelmente, expostos a estes fatores de risco a um nível elevado, com 4,5%, 4% e 3% respetivamente.

A maioria dos trabalhadores não estava exposta a nenhum dos 24 fatores de risco de cancro considerados no inquérito (52,6 %) durante a última semana de trabalho, enquanto 21,2 % foram considerados expostos a um deles, 12.7% foram expostos a dois fatores de risco, 6.9% a três fatores de risco, 3.1% a quatro fatores, 1.5% a cinco e 1,9 % a mais de cinco fatores de risco.

Entre os trabalhadores expostos a um fator de risco de cancro, 14 % trabalhavam em atividades transformadoras, 14 % no comércio por grosso e a retalho e 13 % em atividades relacionadas com a saúde humana e a ação social.

O inquérito evidencia resultados sobre a ocorrência de exposições múltiplas a fatores de risco de cancro no trabalho, com uma exposição combinada - tanto a substâncias químicas como a fatores de risco físicos - que podem justificar medidas de prevenção muito diferentes ao nível do local de trabalho.

As Exposições combinadas prováveis mais frequentes são as seguintes:


11% dos trabalhadores foram expostos simultaneamente a gases de escape de motores diesel e a radiação solar UV;

5.9% a benzeno e a gases de escape de motores diesel;

5.8% a benzeno e a radiação solar UV;

4.1% à sílica cristalina e a radiação solar UV;

4.0% a gases de escape de motores diesel, benzeno e radiação solar UV;

2.6% à sílica cristalina, a gases de escape de motores diesel e solar UV;

2.5% ao formaldeído e benzeno.

 

2 - Circunstâncias de exposição

O inquérito fornece informações sobre os grupos de trabalhadores expostos, mas também sobre as diferentes circunstâncias de exposição a cada fator de risco de cancro durante a última semana de trabalho.


Para cinco das exposições profissionais mais frequentes avaliadas no inquérito, fornecem-se a seguir alguns pormenores sobre a população e as circunstâncias de exposição:


20,8 % dos trabalhadores foram considerados expostos à radiação solar UV (incluindo a exposição ocular), que é a exposição mais comum entre os inquiridos do inquérito. A exposição foi repartida por todos os tipos de atividades, em particular entre os trabalhadores ao ar livre, como os trabalhadores da construção civil, os trabalhadores agrícolas, os condutores e os trabalhadores dos transportes e dos serviços de proteção.

Um em cada cinco trabalhadores foi considerado exposto a emissões de gases de escape dos motores diesel, 19.9% foi exposto a um nível baixo ou médio e apenas e 2% foram expostos num nível elevado.  A maioria dos trabalhadores dos postos de abastecimento de gasolina e gasóleo, os trabalhadores de minas e pedreiras, os trabalhadores da construção e manutenção rodoviárias, bem como os condutores e os trabalhadores dos transportes estiveram provavelmente expostos a este fator de risco de cancro (de 76 % a 99 % de cada categoria de trabalho).

13 % dos trabalhadores foram considerados expostos ao benzeno. Muitos dos trabalhadores dos postos de abastecimento e estações de serviço (98 %), dos trabalhadores da construção e manutenção de estradas (68 %) e dos bombeiros (51 %) estavam provavelmente expostos a este fator de risco de cancro.  As principais circunstâncias que resultaram numa exposição provável ao benzeno foram o abastecimento de veículos com gasolina como parte do trabalho, a realização de trabalhos de manutenção em veículos que utilizam gasolina, seguidos de trabalho na proximidade de veículos movidos a gasolina com o motor ligado.

8,4 % dos trabalhadores foram considerados expostos a poeiras contendo sílica cristalina respirável (SCR). Entre todos os trabalhadores provavelmente expostos à SCR, mais de dois em cada cinco eram trabalhadores do setor da construção.Mais de 90 % dos trabalhadores de minas e pedreiras e dos trabalhadores da construção e manutenção de estradas estiveram provavelmente expostos à sílica durante a última semana de trabalho, bem como 79 % dos trabalhadores da indústria cerâmica.

Considerou-se que 6,4 % dos trabalhadores estavam expostos ao formaldeído. Mais de dois em cada cinco trabalhadores das seguintes categorias profissionais estavam provavelmente expostos ao formaldeído: trabalhadores da indústria de estofos (62 %); floristas (50,7 %); bombeiros e trabalhadores que fabricam/reparam calçado ou artigos de couro acabado (ambos 45,3 %); e trabalhadores da indústria da borracha, artigos de borracha, artigos de plástico ou resina (42,5 %). As principais circunstâncias que resultaram numa exposição provável ao formaldeído foram a utilização de colas de madeira epoxídicas de duas partes ou de resina de plástico e o trabalho com lenha, cartão de partículas, espuma marinha ou fibra de média densidade (MDF).

 

3 – Exposição, profissões e condições de trabalho

Tendo em conta a exposição em comparação com a ausência de exposição, os trabalhadores de um local de trabalho de micro ou pequena dimensão (com menos de 50 trabalhadores) tiveram 1,3 vezes mais probabilidades de estarem expostos a um ou mais fatores de risco de cancro do que os trabalhadores em locais de trabalho de média ou grande dimensão.

As categorias profissionais com o maior número médio de exposição por trabalhador (3 ou mais fatores de risco de cancro) foram:

Os trabalhadores da construção de estradas, com 92.2% expostos à sílica cristalina, 78.2% aos gases de escape de motores diesel, 75.4% à radiação UV e 68.4% ao benzeno.

Os bombeiros e os mineiros/pedreiros, com 57.7% expostos à radiação UV, 51.8% aos gases de escape de motores diesel, 51.3% ao benzeno e 45.7% expostos ao gás butano.

Os trabalhadores das minas/construção, com 98.5% expostos aos gases de escape de motor a diesel, 98.2% expostos à sílica, 55.9% expostos à radiação ultravioleta e 13.5% ao benzeno.

 

 

Fonte:


Inquérito sobre a exposição dos trabalhadores a fatores de risco de cancro: Descrição e principais conclusões (2025)