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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

A SST em números - Dados da OIT sobre o Impacto das Alterações climáticas no mundo do trabalho

 


O aumento de ocorrências meteorológicas extremas resulta em condições de trabalho mais perigosas e inseguras para os trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo.

 

Estas mudanças nos padrões climáticos, incluem eventos cada vez mais frequentes de fenómenos climáticos extremos que podem acentuar os impactos da exposição a riscos profissionais, tais como o stresse térmico, a radiação UV, a poluição do ar, acidentes industriais graves, aumento de doenças transmitidas por vetores e aumento da exposição a produtos químicos.

 

As mudanças nos padrões climáticos estão indubitavelmente a afetar a segurança do trabalho e a saúde dos trabalhadores, e continuarão a ter efeitos prejudiciais sobre a saúde humana e nas condições de trabalho.

 

Os trabalhadores, especialmente os que trabalham ao ar livre, são frequentemente os primeiros a ser expostos às consequências das alterações climáticas, muitas vezes por períodos mais longos e em intensidades mais elevadas do que a população em geral.

 

Com efeito, têm sido associados às alterações climáticas numerosos efeitos na saúde dos trabalhadores, incluindo lesões, cancro, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, problemas de saúde mental, entre outros.

 

O Relatório da OIT “Ensuring safety and health at work in a changing climate” (2024), cujo objetivo é sensibilizar para os impactos das alterações climáticas no mundo do trabalho, especialmente na Segurança e a Saúde dos trabalhadores releva fundamental que a “… inclusão de um ambiente de trabalho seguro e saudável como princípio fundamental e direito no trabalho significa que abordar os impactos perigosos das alterações climáticas no local de trabalho é agora uma prioridade absoluta.”

 

Sublinha, ainda, que são necessárias políticas específicas a nível nacional, a par de medidas preventivas eficazes no local de trabalho para proteger os trabalhadores dos graves impactos das alterações climáticas.

 

1 – Problemática das alterações climáticas e efeitos na SST

 

As alterações climáticas têm um impacto significativo na Segurança e Saúde no Trabalho, afetando cada vez mais trabalhadores em todo o mundo. Seguem alguns dos principais efeitos:

 

- A OIT calcula que mais de 2,4 bilhões de trabalhadores estão provavelmente expostos ao calor excessivo em algum momento do seu trabalho, de acordo com os números mais recentes disponíveis.

 

- A proporção de trabalhadores expostos aumentou de 65,5% para 70,9 % desde 2000.

 

- Além disso, o relatório estima que 18.970 vidas e 2,09 milhões de anos de vida são perdidos por incapacidades todos os anos devido a 22,87 milhões de lesões ocupacionais atribuíveis ao calor excessivo.

 

- Sem esquecer as 26,2 milhões de pessoas em todo o mundo que vivem com doença renal crónica associada ao stresse térmico no local de trabalho (dados de 2020).

 

O impacto das alterações climáticas inclui:

 

- 1,6 bilhão de trabalhadores expostos à radiação UV, com mais de 18.960 mortes relacionadas ao trabalho anualmente devido ao câncer da pele não melanoma.

- 1,6 bilhão de pessoas provavelmente expostas à poluição atmosférica no local de trabalho, o que resulta em até 860.000 mortes relacionadas ao trabalho anualmente entre pessoas que trabalham ao ar livre.

 

- Mais de 870 milhões de trabalhadores na agricultura, provavelmente expostos a pesticidas, com mais de 300.000 mortes atribuídas ao envenenamento por pesticidas anualmente.

 

- 15.000 mortes relacionadas ao trabalho anualmente devido à exposição a doenças parasitárias e transmitidas por vetores.

 

- Mais de 1,2 mil milhões de trabalhadores estão expostos à poluição atmosférica, e registam-se mais de 860 000 mortes por ano.

 

- As alterações climáticas ameaçam os ecossistemas e, por conseguinte, os 1,2 mil milhões de postos de trabalho que deles dependem, como a agricultura, a silvicultura e a pesca.

 

- Estima-se que a perda financeira acumulada devida apenas a doenças relacionadas ao calor atinja US$ 2,4 trilhões até 2030.

 

Fonte: Relatório da OIT “Ensuring safety and health at work in a changing climate”

 

https://www.ilo.org/publications/ensuring-safety-and-health-work-changing-climate

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 30 de abril de 2025

SST em Números | Fatores de risco de CANCRO profissional na Europa

 



A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (UE-OSHA) realizou um inquérito aos trabalhadores - Inquérito sobre a exposição dos trabalhadores aos fatores de risco de cancro na Europa - em seis Estados-Membros da UE: Alemanha, Irlanda, Espanha, França, Hungria e Finlândia.


O inquérito estima a exposição provável dos trabalhadores durante a última semana de trabalho a 24 fatores de risco de cancro profissional conhecidos, incluindo produtos químicos industriais, substâncias e misturas geradas por processos e fatores de risco físico.

 

Seguem as conclusões iniciais deste inquérito.

 

1 - Exposições mais comuns

As exposições profissionais mais frequentes avaliadas entre os 24 fatores de risco de cancro considerados no inquérito foram as seguintes: radiação solar ultravioleta, emissões de gases de escape dos motores diesel, benzeno, poeira de sílica cristalina respirável e formaldeído, seguidas de compostos de crómio hexavalente, chumbo e seus compostos inorgânicos, e poeira de madeira.


São evidenciados os seguintes resultados:

 

A poeira de sílica, as emissões de gases de escape dos motores diesel e as poeiras de madeira destacam-se com percentagens mais elevadas de trabalhadores, provavelmente, expostos a estes fatores de risco a um nível elevado, com 4,5%, 4% e 3% respetivamente.

A maioria dos trabalhadores não estava exposta a nenhum dos 24 fatores de risco de cancro considerados no inquérito (52,6 %) durante a última semana de trabalho, enquanto 21,2 % foram considerados expostos a um deles, 12.7% foram expostos a dois fatores de risco, 6.9% a três fatores de risco, 3.1% a quatro fatores, 1.5% a cinco e 1,9 % a mais de cinco fatores de risco.

Entre os trabalhadores expostos a um fator de risco de cancro, 14 % trabalhavam em atividades transformadoras, 14 % no comércio por grosso e a retalho e 13 % em atividades relacionadas com a saúde humana e a ação social.

O inquérito evidencia resultados sobre a ocorrência de exposições múltiplas a fatores de risco de cancro no trabalho, com uma exposição combinada - tanto a substâncias químicas como a fatores de risco físicos - que podem justificar medidas de prevenção muito diferentes ao nível do local de trabalho.

As Exposições combinadas prováveis mais frequentes são as seguintes:

 

11% dos trabalhadores foram expostos simultaneamente a gases de escape de motores diesel e a radiação solar UV;

5.9% a benzeno e a gases de escape de motores diesel;

5.8% a benzeno e a radiação solar UV;

4.1% à sílica cristalina e a radiação solar UV;

4.0% a gases de escape de motores diesel, benzeno e radiação solar UV;

2.6% à sílica cristalina, a gases de escape de motores diesel e solar UV;

2.5% ao formaldeído e benzeno.

 

2 - Circunstâncias de exposição


O inquérito fornece informações sobre os grupos de trabalhadores expostos, mas também sobre as diferentes circunstâncias de exposição a cada fator de risco de cancro durante a última semana de trabalho.

Para cinco das exposições profissionais mais frequentes avaliadas no inquérito, fornecem-se a seguir alguns pormenores sobre a população e as circunstâncias de exposição:

 

20,8 % dos trabalhadores foram considerados expostos à radiação solar UV (incluindo a exposição ocular), que é a exposição mais comum entre os inquiridos do inquérito. A exposição foi repartida por todos os tipos de atividades, em particular entre os trabalhadores ao ar livre, como os trabalhadores da construção civil, os trabalhadores agrícolas, os condutores e os trabalhadores dos transportes e dos serviços de proteção.


Um em cada cinco trabalhadores foi considerado exposto a emissões de gases de escape dos motores diesel, 19.9% foi exposto a um nível baixo ou médio e apenas e 2% foram expostos num nível elevado.  A maioria dos trabalhadores dos postos de abastecimento de gasolina e gasóleo, os trabalhadores de minas e pedreiras, os trabalhadores da construção e manutenção rodoviárias, bem como os condutores e os trabalhadores dos transportes estiveram provavelmente expostos a este fator de risco de cancro (de 76 % a 99 % de cada categoria de trabalho).


13 % dos trabalhadores foram considerados expostos ao benzeno. Muitos dos trabalhadores dos postos de abastecimento e estações de serviço (98 %), dos trabalhadores da construção e manutenção de estradas (68 %) e dos bombeiros (51 %) estavam provavelmente expostos a este fator de risco de cancro.  As principais circunstâncias que resultaram numa exposição provável ao benzeno foram o abastecimento de veículos com gasolina como parte do trabalho, a realização de trabalhos de manutenção em veículos que utilizam gasolina, seguidos de trabalho na proximidade de veículos movidos a gasolina com o motor ligado.


8,4 % dos trabalhadores foram considerados expostos a poeiras contendo sílica cristalina respirável (SCR). Entre todos os trabalhadores provavelmente expostos à SCR, mais de dois em cada cinco eram trabalhadores do setor da construção.Mais de 90 % dos trabalhadores de minas e pedreiras e dos trabalhadores da construção e manutenção de estradas estiveram provavelmente expostos à sílica durante a última semana de trabalho, bem como 79 % dos trabalhadores da indústria cerâmica.


Considerou-se que 6,4 % dos trabalhadores estavam expostos ao formaldeído. Mais de dois em cada cinco trabalhadores das seguintes categorias profissionais estavam provavelmente expostos ao formaldeído: trabalhadores da indústria de estofos (62 %); floristas (50,7 %); bombeiros e trabalhadores que fabricam/reparam calçado ou artigos de couro acabado (ambos 45,3 %); e trabalhadores da indústria da borracha, artigos de borracha, artigos de plástico ou resina (42,5 %). As principais circunstâncias que resultaram numa exposição provável ao formaldeído foram a utilização de colas de madeira epoxídicas de duas partes ou de resina de plástico e o trabalho com lenha, cartão de partículas, espuma marinha ou fibra de média densidade (MDF).

 

3 – Exposição, profissões e condições de trabalho


Tendo em conta a exposição em comparação com a ausência de exposição, os trabalhadores de um local de trabalho de micro ou pequena dimensão (com menos de 50 trabalhadores) tiveram 1,3 vezes mais probabilidades de estarem expostos a um ou mais fatores de risco de cancro do que os trabalhadores em locais de trabalho de média ou grande dimensão.

As categorias profissionais com o maior número médio de exposição por trabalhador (3 ou mais fatores de risco de cancro) foram:

Os trabalhadores da construção de estradas, com 92.2% expostos à sílica cristalina, 78.2% aos gases de escape de motores diesel, 75.4% à radiação UV e 68.4% ao benzeno.

Os bombeiros e os mineiros/pedreiros, com 57.7% expostos à radiação UV, 51.8% aos gases de escape de motores diesel, 51.3% ao benzeno e 45.7% expostos ao gás butano.

Os trabalhadores das minas/construção, com 98.5% expostos aos gases de escape de motor a diesel, 98.2% expostos à sílica, 55.9% expostos à radiação ultravioleta e 13.5% ao benzeno.

 


Fonte:



Inquérito sobre a exposição dos trabalhadores a fatores de risco de cancro: Descrição e principais conclusões (2025)