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27 de julho de 2022
Assistimos a outro verão marcado por ondas de calor
mortais que vem mostrar por que razão a Europa precisa urgentemente de legislação
sobre a exposição a temperaturas máximas no trabalho, a fim de proteger os
trabalhadores dos efeitos das alterações climáticas.
Os sindicatos pedem à Comissão Europeia que tome
medidas depois de dois trabalhadores terem morrido após sofrerem um colapso devido
ao calor, em Espanha, na semana passada.
Em França, no ano de 2020, país onde também não existe
o estabelecimento de um limite de temperatura máxima de trabalho, 12 pessoas
morreram devido à exposição ao calor extremo.
Tragédias semelhantes tornar-se-ão mais comuns se não
se proceder à legalização dos limites de temperaturas para o trabalho seguro.
De acordo com a OMS, as pessoas funcionam melhor a uma
temperatura entre 16°C e 24°C. Quando as temperaturas sobem acima dos 30°C, o
risco de ocorrerem acidentes de trabalho aumenta em 5-7% e, quando as
temperaturas ultrapassam os 38ºC, os acidentes são entre 10% a 15% mais prováveis,
segundo um estudo de investigação da ETUI.
Tonturas, dores de cabeça e cãibras musculares são
sintomas precoces de stress térmico, o que pode levar a situações de perda de
consciência, vómitos e, em última análise, à morte, a menos que sejam tomadas
medidas.
Segundo a Eurofound, em toda a UE,
23% de todos os trabalhadores estão expostos a altas temperaturas, pelo menos
um quarto do tempo, subindo para 36% na agricultura e indústria, e 38% na
construção.
No entanto, um inquérito realizado às organizações
associadas da ETUC concluiu que apenas alguns países europeus têm legislação
para manter os trabalhadores seguros durante as ondas de calor, com uma grande
variação de limites entre os 28 e os 36 graus:
Bélgica: 29°C para atividades de carga física ligeira, 26°C
para uma carga física moderadamente pesada, 22°C em carga de trabalho física
pesada e 18°C em carga física muito pesada;
Hungria: 31°C para trabalho físico sedentário e leve, 29°C
para trabalho físico moderado e 27°C para trabalho físico pesado;
Letónia: Temperatura máxima de trabalho para trabalhos no
interior de 28°C;
Montenegro: Temperatura máxima de trabalho para trabalhos ao ar
livre de 36°C;
Eslovénia: A temperatura do ar nas zonas de trabalho não deve
exceder 28°C;
Espanha: As temperaturas máximas de trabalho para atividades
sedentárias, como o trabalho de escritório é de 27°C, enquanto para o trabalho
leve é de 25°C. Estes limites, no
entanto, não se aplicam a todo o tipo de trabalho, nem a todos os trabalhadores
e nem a todas as instalações.
No meio da crescente crise climática, a CEE exorta a
Comissão Europeia a colmatar as lacunas na proteção dos trabalhadores com uma
diretiva sobre as temperaturas máximas de trabalho.
A UE e os governos nacionais também necessitam de
impor as regras existentes, invertendo os enormes cortes para o número de
inspetores do trabalho na última década.
Os conselhos não são suficientes, uma vez que as
provas dos EUA mostram que os trabalhadores precários são mais vulneráveis ao
calor, com mais de 70% de todas as mortes relacionadas com o calor a ocorrerem
durante a primeira semana de trabalho.
O Secretário-Geral Adjunto da
ETUC, Claes-Mikael Ståhl, disse:
"As ondas de calor podem ser fatais para pessoas
que trabalham desprotegidas ao sol, como já assistimos, neste verão, em Espanha.
"Os trabalhadores, todos os dias, estão na linha
da frente da crise climática e precisam de proteções para corresponder ao
perigo cada vez maior das temperaturas extremas.”
"O clima não respeita as fronteiras nacionais, e
é por isso que precisamos de legislação à escala europeia sobre temperaturas
máximas de trabalho.
"Os políticos não podem continuar a ignorar, do
conforto dos seus escritórios climatizados, o perigo que a exposição a
temperatura extremas representam para os nossos trabalhadores mais vulneráveis.”
Notas
Relatório ETUI sobre ondas de calor como um risco ocupacional
Tradução da Responsabilidade do Dep. SST
Aceda à versão original
Imagem com DR
Bruxelas
13/05/2019
Resolução
da ETUC sobre a necessidade de medidas da UE para proteger os trabalhadores da exposição a temperaturas elevadas
Aprovado na Reunião da Comissão
Executiva de 18 a 19 de dezembro de 2018
Contexto
Quando o local de trabalho fica muito
quente, é mais do que uma questão de conforto. Quando a temperatura for
demasiado alta, como aconteceu durante o verão de 2018, então pode tornar-se
uma verdadeira questão de Saúde e Segurança no Trabalho.
Dado que é provável que as
temperaturas médias aumentem nos próximos anos devido ao aquecimento global,
este é um problema que é suscetível de aumentar. É também um problema que é
geralmente relativamente fácil de resolver, demonstrando o valor das campanhas
sindicais de saúde e segurança.
Altas
Temperaturas: O que está em Jogo?
Quando os trabalhadores ficam muito
quentes, arriscam ter tonturas, desmaios e golpes de calor. Em condições muito
quentes, a temperatura sanguínea do corpo sobe. Se a temperatura do sangue
subir acima dos 39°C, existe o risco de derrame de calor ou colapso. Há cada
vez mais indícios de que o stress do calor ocupacional está ligado à doença
renal entre trabalhadores ao ar livre.
Mesmo a temperaturas mais baixas, o
calor leva a uma perda de concentração e ao aumento do cansaço, o que significa
que os trabalhadores são mais propensos a colocarem-se a si próprios e a outros
em risco.
A exposição temperaturas elevadas significa que há um
aumento da probabilidade de ocorrerem acidentes
devido à redução da concentração; mãos escorregadias e suadas, bem como a um
aumento do desconforto de alguns equipamentos de proteção pessoal que podem
resultar em situações de proteção
reduzida através de uma utilização inadequada ou não utilização.
O calor também pode agravar outras
condições médicas e doenças, como a pressão arterial alta ou doenças cardíacas
devido ao aumento da carga no coração ou aumentar o efeito de outros riscos no
local de trabalho.
As mulheres grávidas correm um risco
particular e é necessário criar disposições específicas para garantir a sua efetiva
proteção.
Normalmente, as pessoas funcionam
melhor a uma temperatura entre 16°C e 24°C, embora isso possa variar dependendo
do tipo de trabalho que está a ser feito. O trabalho extenuante é mais bem
realizado a uma temperatura mais baixa do que o trabalho de escritório.
A
necessidade de ação a nível da UE
Os trabalhadores na Europa nunca devem
ter de trabalhar expostos a temperaturas que coloquem a sua saúde em risco.
Sendo o principal bloco comercial do mundo, a UE deve liderar as condições de
trabalho, garantindo locais de trabalho com temperaturas seguras.
Numa era de alterações climáticas em
que as condições climáticas difíceis são suscetíveis de ser mais frequentes e
mais extremas, é essencial que existam instrumentos legislativos adequados para
proteger os trabalhadores com papéis e responsabilidades claras para os
decisores políticos, empregadores e representantes sindicais.
Os desafios de temperatura que os
trabalhadores na Europa enfrentam variam muito, assim como os direitos a que
recorrem para a proteção.
Aqueles que se dedicam a trabalhos
árduos correm particular risco de estarem sujeitos a temperaturas extremas, uma
vez que as dificuldades inerentes são agravadas pelos fatores de stress
adicionais causados pelo trabalho – embora as definições do que constitui um
trabalho árduo em toda a Europa permaneçam opacas.
As proteções de que os trabalhadores
gozam em toda a Europa variam muito.
Os dados da ETUC demonstraram,
recentemente, que existe uma vasta gama de temperaturas mínimas permitidas nos
locais de trabalho europeus em diferentes Estados-Membros e diferentes setores,
de apenas 4°C até 20°C, dependendo do tipo de trabalho.
Da mesma forma, os limites máximos
mostram uma variação significativa de 18°C até 35°C.
Plano
de Ação da ETUC
As filiais da ETUC apoiam
esmagadoramente a ação a nível europeu para proteger os trabalhadores de
temperaturas elevadas e para se prepararem para um futuro em que estes desafios
sejam suscetíveis de apresentar com mais frequência.
Por conseguinte, o ETUC compromete-se:
Tradução da responsabilidade do
dep. SST


