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segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

CES - Verificações de Segurança em máquinas perigosas restauradas após 15 anos

 

As máquinas perigosas terão de ser submetidas a controlos de segurança independentes, pela primeira vez em mais de 15 anos, ao abrigo de um regulamento comunitário recentemente acordado.

Em 2006, foram suprimidos controlos obrigatórios de segurança de máquinas de alto risco por parte de terceiros, no âmbito do esforço de desregulamentação da Comissão Europeia, conhecido como "Melhor Regulamentação".

O número de trabalhadores na Europa feridos por máquinas aumentou posteriormente, revelam os dados do Eurostat  .

Agora, pelo menos seis categorias de máquinas serão novamente sujeitas a controlos obrigatórios de terceiros, e a Comissão Europeia poderá adicionar mais produtos à lista numa base contínua.

 

Inteligência Artificial

 

Foi este o acordo feito entre o Conselho Europeu e o Parlamento Europeu na semana passada.

É importante que os controlos obrigatórios de terceiros se apliquem a máquinas perigosas que utilizam inteligência artificial, que já foram a causa de acidentes de trabalho. As bicicletas eletrónicas também estão incluídas.

Os Estados-Membros terão de melhorar a comunicação de acidentes envolvendo máquinas e, com base nessas estatísticas, outras máquinas serão sujeitas a inspeções de segurança obrigatórias.

Os sindicatos insistiram para que mais categorias de máquinas fossem sujeitas a controlos obrigatórios de terceiros, mas este regulamento ainda representa um passo na direção certa.

 

O Secretário-Geral Adjunto da ETUC, Claes-Mikael Stahl, afirmou:

 

"A decisão de acabar com todos os controlos obrigatórios de segurança de terceiros para máquinas de alto risco em 2006 baseou-se inteiramente na ideologia política de direita e não em considerações práticas sobre a segurança dos trabalhadores.

"Congratulo-me com o facto de a Europa ter, mais uma vez, regras de segurança baseadas na necessidade de salvar vidas em vez de apenas poupar dinheiro.

"Acreditamos que mais máquinas devem ser sujeitas a controlos de segurança independentes, mas este regulamento é um passo há muito esperado na direção certa."

 

A  Vice-Secretária-Geral, da industri All Europe, Isabelle Barthès afirmou:

"Garantir locais de trabalho seguros e prevenir riscos futuros são prioridades máximas para os sindicatos. Congratulamo-nos, pois, com o novo regulamento, na medida em que proporciona uma melhor proteção dos trabalhadores contra os riscos relacionados com as tecnologias da IA.

"No entanto, lamentamos que o Conselho e o PE tenham conseguido limitar os controlos de segurança externos a determinadas categorias de máquinas. Isto é contrário à abordagem original da Comissão de criar um ambiente de trabalho totalmente seguro para todas as máquinas de alto risco.

"Os sindicatos continuarão vigilantes na garantia de que as novas categorias de máquinas sejam elegíveis para inspeções obrigatórias de segurança de terceiros, sempre que necessário. Se queremos que as pessoas aceitem a IA, temos de garantir que beneficia tanto as empresas como os trabalhadores e não origina riscos.

 

Notas

 

Lesões aumentam após corte nas verificações de segurança https://www.etuc.org/en/pressrelease/machine-injuries-increase-after-cut-safety-checks

 

Documento de posição da CE sobre a proposta da CE relativa a um regulamento relativo aos produtos de máquinas

https://www.etuc.org/en/document/etuc-position-paper-ec-proposal-regulation-machinery-products

 

Tradução da responsabilidade do Dep. SST

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Nota Informativa - Crise climática exige legislação da UE sobre a exposição a temperaturas máximas no trabalho

 


27 de julho de 2022

 

Assistimos a outro verão marcado por ondas de calor mortais que vem mostrar por que razão a Europa precisa urgentemente de legislação sobre a exposição a temperaturas máximas no trabalho, a fim de proteger os trabalhadores dos efeitos das alterações climáticas.

Os sindicatos pedem à Comissão Europeia que tome medidas depois de dois trabalhadores terem morrido após sofrerem um colapso devido ao calor, em Espanha, na semana passada.

Em França, no ano de 2020, país onde também não existe o estabelecimento de um limite de temperatura máxima de trabalho, 12 pessoas morreram devido à exposição ao calor extremo.  

Tragédias semelhantes tornar-se-ão mais comuns se não se proceder à legalização dos limites de temperaturas para o trabalho seguro.

De acordo com a OMS, as pessoas funcionam melhor a uma temperatura entre 16°C e 24°C. Quando as temperaturas sobem acima dos 30°C, o risco de ocorrerem acidentes de trabalho aumenta em 5-7% e, quando as temperaturas ultrapassam os 38ºC, os acidentes são entre 10% a 15% mais prováveis, segundo um estudo de investigação da ETUI.

Tonturas, dores de cabeça e cãibras musculares são sintomas precoces de stress térmico, o que pode levar a situações de perda de consciência, vómitos e, em última análise, à morte, a menos que sejam tomadas medidas.

Segundo a Eurofound, em toda a UE, 23% de todos os trabalhadores estão expostos a altas temperaturas, pelo menos um quarto do tempo, subindo para 36% na agricultura e indústria, e 38% na construção.

No entanto, um inquérito realizado às organizações associadas da ETUC concluiu que apenas alguns países europeus têm legislação para manter os trabalhadores seguros durante as ondas de calor, com uma grande variação de limites entre os 28 e os 36 graus:

Bélgica: 29°C para atividades de carga física ligeira, 26°C para uma carga física moderadamente pesada, 22°C em carga de trabalho física pesada e 18°C em carga física muito pesada;

Hungria: 31°C para trabalho físico sedentário e leve, 29°C para trabalho físico moderado e 27°C para trabalho físico pesado;

Letónia: Temperatura máxima de trabalho para trabalhos no interior de 28°C;

Montenegro: Temperatura máxima de trabalho para trabalhos ao ar livre de 36°C;

Eslovénia: A temperatura do ar nas zonas de trabalho não deve exceder 28°C;

Espanha: As temperaturas máximas de trabalho para atividades sedentárias, como o trabalho de escritório é de 27°C, enquanto para o trabalho leve é de 25°C.  Estes limites, no entanto, não se aplicam a todo o tipo de trabalho, nem a todos os trabalhadores e nem a todas as instalações. 

No meio da crescente crise climática, a CEE exorta a Comissão Europeia a colmatar as lacunas na proteção dos trabalhadores com uma diretiva sobre as temperaturas máximas de trabalho.

A UE e os governos nacionais também necessitam de impor as regras existentes, invertendo os enormes cortes para o número de inspetores do trabalho na última década.

Os conselhos não são suficientes, uma vez que as provas dos EUA mostram que os trabalhadores precários são mais vulneráveis ao calor, com mais de 70% de todas as mortes relacionadas com o calor a ocorrerem durante a primeira semana de trabalho.

O Secretário-Geral Adjunto da ETUC, Claes-Mikael Ståhl, disse:

"As ondas de calor podem ser fatais para pessoas que trabalham desprotegidas ao sol, como já assistimos, neste verão, em Espanha.

"Os trabalhadores, todos os dias, estão na linha da frente da crise climática e precisam de proteções para corresponder ao perigo cada vez maior das temperaturas extremas.”

"O clima não respeita as fronteiras nacionais, e é por isso que precisamos de legislação à escala europeia sobre temperaturas máximas de trabalho.

"Os políticos não podem continuar a ignorar, do conforto dos seus escritórios climatizados, o perigo que a exposição a temperatura extremas representam para os nossos trabalhadores mais vulneráveis.”


Notas

Resolução da ETUC sobre a necessidade de medidas da UE para proteger os trabalhadores de temperaturas elevadas

Relatório ETUI sobre ondas de calor como um risco ocupacional

 

Tradução da Responsabilidade do Dep. SST


Aceda à versão original Aqui.




Aceda à versão original 

 

Resolução da ETUC sobre a necessidade de medidas da UE para proteger os trabalhadores da exposição a temperaturas elevadas

 

Imagem com DR


Bruxelas 13/05/2019

 

Resolução da ETUC sobre a necessidade de medidas da UE para proteger os trabalhadores da exposição a temperaturas elevadas


Aprovado na Reunião da Comissão Executiva de 18 a 19 de dezembro de 2018

 

Contexto


Quando o local de trabalho fica muito quente, é mais do que uma questão de conforto. Quando a temperatura for demasiado alta, como aconteceu durante o verão de 2018, então pode tornar-se uma verdadeira questão de Saúde e Segurança no Trabalho.

Dado que é provável que as temperaturas médias aumentem nos próximos anos devido ao aquecimento global, este é um problema que é suscetível de aumentar. É também um problema que é geralmente relativamente fácil de resolver, demonstrando o valor das campanhas sindicais de saúde e segurança.

 

Altas Temperaturas: O que está em Jogo?

Quando os trabalhadores ficam muito quentes, arriscam ter tonturas, desmaios e golpes de calor. Em condições muito quentes, a temperatura sanguínea do corpo sobe. Se a temperatura do sangue subir acima dos 39°C, existe o risco de derrame de calor ou colapso. Há cada vez mais indícios de que o stress do calor ocupacional está ligado à doença renal entre trabalhadores ao ar livre.  

Mesmo a temperaturas mais baixas, o calor leva a uma perda de concentração e ao aumento do cansaço, o que significa que os trabalhadores são mais propensos a colocarem-se a si próprios e a outros em risco.

A exposição  temperaturas elevadas significa que há um aumento da probabilidade de ocorrerem  acidentes devido à redução da concentração; mãos escorregadias e suadas, bem como a um aumento do desconforto de alguns equipamentos de proteção pessoal que podem resultar em situações de  proteção reduzida através de uma utilização inadequada ou não utilização.

O calor também pode agravar outras condições médicas e doenças, como a pressão arterial alta ou doenças cardíacas devido ao aumento da carga no coração ou aumentar o efeito de outros riscos no local de trabalho.

As mulheres grávidas correm um risco particular e é necessário criar disposições específicas para garantir a sua efetiva proteção.

Normalmente, as pessoas funcionam melhor a uma temperatura entre 16°C e 24°C, embora isso possa variar dependendo do tipo de trabalho que está a ser feito. O trabalho extenuante é mais bem realizado a uma temperatura mais baixa do que o trabalho de escritório.


A necessidade de ação a nível da UE

Os trabalhadores na Europa nunca devem ter de trabalhar expostos a temperaturas que coloquem a sua saúde em risco. Sendo o principal bloco comercial do mundo, a UE deve liderar as condições de trabalho, garantindo locais de trabalho com temperaturas seguras.

Numa era de alterações climáticas em que as condições climáticas difíceis são suscetíveis de ser mais frequentes e mais extremas, é essencial que existam instrumentos legislativos adequados para proteger os trabalhadores com papéis e responsabilidades claras para os decisores políticos, empregadores e representantes sindicais.

Os desafios de temperatura que os trabalhadores na Europa enfrentam variam muito, assim como os direitos a que recorrem para a proteção.

Aqueles que se dedicam a trabalhos árduos correm particular risco de estarem sujeitos a temperaturas extremas, uma vez que as dificuldades inerentes são agravadas pelos fatores de stress adicionais causados pelo trabalho – embora as definições do que constitui um trabalho árduo em toda a Europa permaneçam opacas.

As proteções de que os trabalhadores gozam em toda a Europa variam muito.

Os dados da ETUC demonstraram, recentemente, que existe uma vasta gama de temperaturas mínimas permitidas nos locais de trabalho europeus em diferentes Estados-Membros e diferentes setores, de apenas 4°C até 20°C, dependendo do tipo de trabalho.

Da mesma forma, os limites máximos mostram uma variação significativa de 18°C até 35°C. 

 

Plano de Ação da ETUC

As filiais da ETUC apoiam esmagadoramente a ação a nível europeu para proteger os trabalhadores de temperaturas elevadas e para se prepararem para um futuro em que estes desafios sejam suscetíveis de apresentar com mais frequência.

 

Por conseguinte, o ETUC compromete-se:


  • Desenvolver esforços, no âmbito do Comité de Saúde e Segurança da ETUC, para identificar as ações necessárias para promover esta questão da definição de temperaturas de trabalho seguras e saudáveis. Isto incluirá o desenvolvimento de orientações que abordarão diferentes ambientes de trabalho e temperaturas;
  • Levantar a questão das temperaturas de trabalho inseguras, tanto com a Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho (UE-OSHA), como com o Comité Consultivo para a Saúde e Segurança no Trabalho;
  • Para lançar um dia de ação em junho de 2019, agendado para coincidir com a Comissão Executiva da ETUC de junho, que gerará publicidade para as exigências;
  • Exortar a Comissão Europeia a introduzir um instrumento legislativo que reconheça este risco acrescido para os trabalhadores e proporcione um quadro para a proteção dos trabalhadores. As condições climáticas não respeitam as fronteiras nacionais, pelo que é necessária uma ação europeia.
  • Exigir que as organizações patronais europeias levem esta questão a sério, emitindo orientações aos seus afiliados sobre a forma de proteger os seus trabalhadores de temperaturas inseguras para o trabalho, tanto no interior como no exterior. A ETUC está pronta para trabalhar com os empregadores no desenvolvimento destas questões.
  • Compromete-se a prosseguir estes objetivos ao longo do próximo mandato da Comissão Europeia e do Parlamento.

 

 Tradução da responsabilidade do dep. SST

Aceda à versão original Aqui.



 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Plataforma EndStress.EU.




A CES respondeu positivamente à proposta da Eurocadres para cooperar na construção de uma plataforma para trabalhar por uma diretiva sobre riscos psicossociais para a saúde. Essa plataforma será chamada EndStress.EU.

A CES tornou-se, nos últimos anos, cada vez mais ativa em matéria de riscos psicossociais e suas implicações na saúde e segurança ocupacional. As estatísticas apontam numa direção errada. O número de pessoas que sofrem de problemas de saúde mental relacionados com o trabalho está a aumentar, levando a elevados custos humanos e financeiros.

Poucos Estados-Membros da UE têm legislação dedicada ao ambiente de trabalho, nos seus aspetos organizacionais e sociais e a Diretiva-Quadro de 1989 sobre Segurança e Saúde Ocupacional provou não suficiente para alterar essa situação.

Por conseguinte, numa resolução de 2018, a CES apelou a uma nova diretiva dedicada aos riscos psicossociais no trabalho e, no Congresso de Viena de 2019, reafirmou esta posição, tendo sido colocada como prioritária no seu plano de ação.

O site encontra-se disponível apenas em inglês, tendo que por esse motivo o Departamento de SST da UGT procedido à sua tradução.

O stresse tornou-se uma epidemia. Mais da metade de todos os dias úteis perdidos na EU são causados pelo stresse relacionado com o trabalho. Está na hora de uma nova legislação europeia sobre os riscos psicossociais no trabalho.

4 em cada 5 gestores expressam preocupação com o stresse relacionado com o trabalho. Mais da metade de todos os trabalhadores da UE relatam que o stresse relacionado com o trabalho é comum nos seus locais de trabalho. 88% dos empregadores afirmam que o cumprimento da legislação é a principal razão pela qual eles gerem a saúde e a segurança ocupacional. Apenas alguns estados membros possuem legislação clara sobre riscos psicossociais.

Chegou a hora de #EndStress na EU!


Convidamos a Comissão da UE a propor uma nova legislação europeia sobre riscos psicossociais no trabalho.

Os trabalhadores da UE sofrem de stresse no trabalho

51%

Mais da metade de todos os trabalhadores da UE afirmam que o stresse é comum no local de trabalho.

É hora de agir

Passamos grande parte de nossas vidas a trabalhar e o trabalho não nos deve deixar doentes. A vida profissional de hoje está a tornar-se mais desafiadora. As estatísticas apontam na direção errada. Cada vez mais trabalhadores sofrem de problemas de saúde mental. As novas formas de trabalho, a digitalização e as mudanças rápidas na organização do trabalho têm contribuído para isso. Em vez disso, as mudanças podem ser boas se lidarmos com elas de uma maneira inteligente. Chegou a hora de garantir que a legislação apoia a melhoria e o bem-estar mental.

É Hora de acabar com o stresse na UE!

Os gestores da UE sofrem de stresse


79%

4 em cada 5 gestores expressam preocupação com o stresse relacionado com o trabalho.

61% das gestoras mulheres sofrem de problemas de sono

Os gestores precisam de melhores ferramentas
20% de todos os gestores experimentam ansiedade - a parcela mais alta de todas as ocupações. Os gestores enfrentam o mais alto nível de conflitos entre o equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal. Gestores e profissionais têm também a maior intensidade de trabalho, bem como os dias úteis mais longos. 42% dos gestores acham mais difícil lidar com os riscos psicossociais do que com os outros problemas de saúde e segurança ocupacional.

O Stresse custa vidas e dinheiro

60%

Cerca de 60% de todos os dias de trabalho perdidos podem ser atribuídos ao stresse relacionado com o trabalho e com os riscos psicossociais.

Vidas e dinheiro - Dinheiro e vidas

Numa perspetiva economicista de dinheiro puro faz muito sentido para as empresas e para os políticos melhorar a prevenção de riscos psicossociais. As perdas financeiras são enormes. Na Europa, apenas o custo da depressão devido ao trabalho é estimado em 617 bilhões de euros por ano. Mas o dinheiro é apenas um lado. Minimizar o sofrimento até à perda de vidas é uma questão de decência humana básica. Passamos grande parte de nossas vidas a trabalhar e o trabalho não deve deixar-nos doentes.

Por que os empregadores gerem a saúde e a segurança ocupacional?

88%

88% dos empregadores dizem "Cumprir a legislação"


Nenhuma legislação significa uma oportunidade perdida de levar os empregadores a agir.

Embora a legislação seja uma forte força motriz para os empregadores assumirem a sua responsabilidade pela saúde e segurança ocupacional, há pouca legislação que lide diretamente com os riscos psicossociais e apenas em alguns estados membros. Ao nível da UE, não existe legislação específica e, na Diretiva-Quadro sobre Segurança e Saúde no Trabalho, existe apenas uma referência à organização do trabalho.

Convidamos a Comissão da UE a propor nova legislação europeia sobre os riscos psicossociais no trabalho.



Aceda à Plataforma Aqui.



segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Press Release da CES Sindicatos remetem primeiros casos de exploração à nova Autoridade Europeia do Trabalho para investigação




Entre os casos de exploração de trabalhadores destacados que a Confederação Europeia dos Sindicatos (CES) está a anunciar hoje que será encaminhada à nova Autoridade Europeia do Trabalho (ELA) para investigação, encontra-se o caso de um trabalhador da construção civil que espera há três anos mais de € 8.000 em salários não pagos.

O ELA, foi lançado em Bruxelas no passado dia 16 de outubro, pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apoiará os Estados membros na aplicação das regras de emprego da UE, incluindo aquelas que estipulam que os trabalhadores enviados temporariamente de um país da UE devem receber os mesmos salários e condições que os trabalhadores que aí residem.

Antes do lançamento, a CES e a Federação Europeia de Construtores e Marceneiros (EFBWW) estão a publicar detalhes sobre nove casos que envolvem o abuso de centenas de trabalhadores vulneráveis, que serão arquivados na ELA para investigação, o mais rápido possível.

Os casos, típicos do abuso generalizado de trabalhadores destacados, incluem:

- Trabalhadores destacados que auferem salários significativamente inferiores aos trabalhadores locais;
- Retenção do pagamento de férias e de subsídios de doença;
- Empresas que evitam o pagamento de contribuições para a segurança social;
- Falsos destacamentos por parte de empresas sem atividade económica no seu país de origem.
Os casos dizem respeito a trabalhadores enviados da Polónia, da República Checa, da Bulgária, da Eslováquia e da Eslovénia para trabalharem na Alemanha, na Áustria e na Dinamarca. Publica-se em baixo um resumo destes nove casos.
O secretário-geral adjunto da CES, Per Hilmersson, representante sindical no conselho de administração da ELA, disse:
“Demasiados trabalhadores destacados vêem-se confrontados com baixos salários, sendo-lhes negados direitos básicos. Esta é a desvantagem da livre circulação de serviços no mercado interno da UE.”
“Os sindicatos lutaram com sucesso por mudanças nas regras da UE para serem garantidos salários e direitos iguais aos trabalhadores destacados e a nova Autoridade Europeia do Trabalho deve desempenhar um papel crucial para garantir que sejam rigorosamente respeitadas.”

"Precisamos de ver um combate aos empregadores desonestos que obtêm grandes lucros com o dumping social às custas dos trabalhadores vulneráveis e da confiança pública na liberdade de circulação".

"Congratulamo-nos com a criação da Autoridade Europeia do Trabalho e trabalharemos em conjunto com ela, de forma a obter um acordo justo para os trabalhadores."

Werner Buelen, secretário político da Construção da EFBWW, afirmou:

“É muito triste que o destacamento e a liberdade de circulação tenham criado uma indústria substancial que lucra com a exploração de trabalhadores com empresas falsas, falso trabalho independente e que conta com o desconhecimento local dos sistemas de segurança social, pensões, saúde e outros contributivos noutros países. A Agência Europeia do Trabalho deverá ajudar a combater esta fraude transfronteiriça.”

“Os casos que estamos a denunciar à Agência Europeia do Trabalho são o resultado de muito trabalho por parte dos sindicatos para proteger os trabalhadores, mas não podem ser resolvidos apenas pelos sindicatos. Precisamos que a Agência Europeia do Trabalho investigue as irregularidades e garanta o cumprimento das regras em todos os países envolvidos. ”



Notas:

Um 'trabalhador destacado' é uma pessoa empregada num país da UE e enviada temporariamente pelo empregador para trabalhar noutro.

Em 2018, a Diretiva sobre o Destacamento de Trabalhadores foi revista para garantir que os trabalhadores recebessem tratamento igual em relação à remuneração e a outras condições essenciais de trabalho.

As Instituições Europeias criaram a Autoridade Europeia do Trabalho para "garantir que as regras da UE em matéria de mobilidade laboral são aplicadas de forma justa, simples e eficaz".

O conselho de administração da ELA é composto por representantes dos governos nacionais, sindicatos e organizações de empregadores a nível europeu.

Tradução da responsabilidade da UGT

Leia na íntegra a Press Release divulgada pela CES Aqui.




segunda-feira, 30 de abril de 2018

CES - Sindicatos emitem alerta de emergência




A Confederação Europeia de Sindicatos (CES) emitiu um "alerta de emergência" sem precedentes que destaca países e situações em que a oportunidade de os trabalhadores europeus conseguirem salários e condições de trabalho dignos se encontra ameaçada.

“No coração da Europa existe um contrato social que oferece aos trabalhadores a oportunidade de obter salários e condições de trabalho dignos”, declarou Luca Visentini, Secretário-geral da CES. "Mas a base sobre a qual esse contrato social está construído necessita de alterações e de reformas urgentes".

 "O movimento sindical europeu emitiu um alerta de emergência porque a balança de poder entre os trabalhadores e os empregadores pendeu em demasia para o lado dos empregadores. Os direitos conquistados duramente para negociar com os empregadores encontram-se em perigo em muitos estados membros da UE."

O alerta baseia-se num quadro de indicadores de salários justos compilado pela CES a partir de fontes oficiais, incluindo a OCDE e o Eurostat, e não reflete os graves problemas atuais nos direitos de negociação coletiva, como na Dinamarca e na Roménia. Será seguido por uma análise mais detalhada no final deste ano.

"Todos os Estados-Membros da UE devem certificar-se de que os empregadores respeitam o direito de negociação dos trabalhadores através do seu sindicato", afirmou Esther Lynch, Secretária Confederal da CES. “Esse alerta é um apelo à ação, é um aviso aos governos de que eles precisam de discutir com os sindicatos o que é necessário para colocar a negociação coletiva e as negociações de volta aos trilhos, como aumentar a parcela da riqueza que é gasta em salários e como aumentar o número de trabalhadores abrangidos por acordos coletivos sobre salários e condições de trabalho - com o apoio da UE, sempre que necessário.”

"Os trabalhadores de muitos países da UE continuam a ganhar menos hoje do que antes da crise. Este é o resultado do desmantelamento da negociação coletiva e do número de empregos precários que estão lentamente a reduzir o nível de desemprego. Acontece também porque muitas vezes os governos permitem que os empregadores ignorem ou abusem do direito que os trabalhadores têm de se organizar e de desenvolver a negociação coletiva. A revitalização da negociação coletiva irá contribuir para a melhoraria da vida de mais pessoas e para o reforço do crescimento económico para todos ”.

Veja a Infografia no link abaixo

Nota: Tradução da press release da CES da responsabilidade da UGT


terça-feira, 19 de setembro de 2017

CES: Nova proteção contra o cancro ocupacional à vista após pressão sindical


Os eurodeputados estão a ser pressionados pelos sindicatos para endossar um acordo, entre o Conselho e o Parlamento Europeu (com o apoio do Comité do Emprego), que confira aos trabalhadores mais e melhor proteção contra o cancro ocupacional.

 “Esta é uma importante vitória para os sindicatos que lutaram durante anos para pôr fim à pandemia de cancros relacionados com o trabalho”, disse a Secretária Confederal da CES, Esther Lynch. Custa a crer que em pleno séc. XXI continue a haver na Europa empresas que somam lucros à custa da sua força laboral e de gerações futuras.

 É bom saber que a UE começa novamente a responder às necessidades dos trabalhadores.

Leia o comunicado de imprensa na íntegra aqui.