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terça-feira, 28 de maio de 2024

Combater o cancro profissional: explorar a metodologia do inquérito sobre a exposição dos trabalhadores

 


Imagem com DR


No âmbito da Semana Europeia contra o Cancro, que decorre de 25 a 31 de maio, a EU-OSHA está a publicar materiais de investigação complementares que contribuem para a luta contra o cancro profissional. 


No seguimento das primeiras conclusões do inquérito sobre a exposição dos trabalhadores aos fatores de risco de cancro profissional na Europa, a agência vem agora publicar um relatório metodológico pormenorizado.


Com base no estudo australiano sobre exposições profissionais e recorrendo a uma ferramenta inovadora (OccIDEAS), o inquérito sobre a exposição dos trabalhadores foi adaptado ao contexto europeu e implementado em seis países. Foram aplicados vários controlos e procedimentos de ponderação de dados aos dados recolhidos, assegurando resultados de elevada qualidade, coerentes e imparciais.


O material recentemente divulgado inclui igualmente detalhes sobre os critérios para a inclusão de fatores de risco de cancro abrangidos pelo IET, tais como informações sobre substâncias, efeitos para a saúde e legislação conexa.


Descubra o relatório metodológico


Explore a secção temática sobre o IET


Saiba mais com o  artigo OSHwiki sobre a metodologia do inquérito sobre a exposição dos trabalhadores

 

Fonte: UE-OSHA

sexta-feira, 1 de julho de 2022

ETUI: Cancros profissionais: que reconhecimento na Europa? .

 

Cancros profissionais

 

Em 2014, quase 1,3 milhões de pessoas morreram de cancro na UE-28, o que equivale a mais de um quarto (26,4 %) do número total de mortes. Muitas destas mortes resultam diretamente da exposição dos trabalhadores a agentes cancerígenos no trabalho. Os dados disponíveis corroboram a opinião de que pelo menos 8% das mortes por cancro estão relacionadas com o trabalho. Para alguns tipos de cancro, como o cancro do pulmão ou da bexiga, o número é mesmo muito superior a 10%.

 

Com mais de 100 000 mortes por ano, os cancros profissionais são a principal causa de morte no trabalho na UE. A CES e a UET consideram que a prevenção deve ser o principal objetivo de qualquer estratégia sindical de luta contra os cancros profissionais. A legislação da UE dota os trabalhadores de boas ferramentas orientadas para o objetivo específico de reduzir ou eliminar os agentes cancerígenos no local de trabalho.

 

O problema é que os trabalhadores ainda não estão familiarizados com eles e poucos empregadores estão a cumprir as suas obrigações legais. Em consequência, vários inquéritos nacionais aos trabalhadores revelaram que, embora o emprego industrial esteja a diminuir, o número de trabalhadores expostos a agentes cancerígenos não está a diminuir. Isto significa que é necessária uma verdadeira ação sindical de base, juntamente com trabalho para melhorar ainda mais o quadro jurídico da UE.

 

Os cancros profissionais são responsáveis por mais de 100 000 mortes por ano na UE, mas estes poderiam ser evitados através da eliminação dos agentes cancerígenos nos processos de produção. Este volume editado reúne as contribuições de 28 especialistas para uma revisão do estado atual do conhecimento sobre o tema, as novas práticas de prevenção, a evolução da legislação e o reconhecimento dos cancros como doenças profissionais.

 

Coincide com a revisão da diretiva europeia relativa à proteção dos trabalhadores expostos a agentes cancerígenos e visa contribuir, através de investigação baseada em dados concretos, para os debates em torno do trabalho destinado a eliminar os riscos de cancro no trabalho.


   Cancros profissionais: que reconhecimento na Europa? 

A sensibilização da sociedade para os cancros profissionais pode ser melhor explicada utilizando a imagem de um icebergue: a ponta do icebergue – correspondente ao número de casos de cancro relacionado com o trabalho reconhecidos e compensados anualmente na UE-28 – representa apenas cerca de 10% do número real de casos presumidos associados às condições de trabalho.

 

Nas nossas sociedades industriais, a grande maioria dos casos de cancro profissional permanece invisível. Embora a dimensão do problema varie de Estado-Membro para Estado-Membro, os cancros deste tipo são subnotificados e predominantemente ignorados em toda a UE. Esta invisibilidade tem repercussões nas medidas que podem ser postas em prática para prevenir e evitar estas doenças profissionais, uma vez que é difícil organizar ações preventivas (e, em especial, melhorar as políticas existentes) sem uma noção clara da magnitude do problema e das suas causas.

 

Por conseguinte, é importante fazer o balanço da situação em torno do reconhecimento dos cancros de origem profissional na Europa, tendo em conta tanto os obstáculos enfrentados como os custos significativos suportados pelas vítimas, pelas suas famílias e pela sociedade no seu conjunto.

 

A primeira contribuição descreve a forma como o sistema de reconhecimento dos cancros profissionais é aplicado em vários países europeus, enumerando praticamente todos os tipos de cancro (discriminados por localização do tumor e agente causal) atualmente incluídos nas listas nacionais de doenças profissionais e, por conseguinte, presumidos – mais ou menos automaticamente, dependendo do país – como sendo de origem profissional.

 

A par das listas, muitos países europeus aplicam um sistema suplementar de reconhecimento "fora da lista" que exige que os doentes apresentem provas de que o seu cancro tem origem profissional; esta é uma tarefa muito mais desafiadora, e muito poucos conseguem alcançá-la.

 

Embora a taxa de reconhecimento dos cancros profissionais varie de Estado-Membro para Estado-Membro, 80% dos casos reconhecidos na maioria dos países europeus estão relacionados com o amianto. A segunda contribuição aprofunda os muitos obstáculos encontrados em relação à declaração e ao reconhecimento dos cancros relacionados com o trabalho. Os cancros são doenças multifatoriais e as ligações potenciais com a vida profissional do doente podem ser difíceis de identificar.

 

Os tumores de origem ocupacional raramente diferem substancialmente daqueles de outras origens, e muitas vezes são diagnosticados pela primeira vez após um período de latência que dura até várias décadas (20 anos em média, e às vezes até 40 anos).

 

Talvez mais importante ainda, os médicos que diagnosticam estes cancros raramente estão interessados no historial profissional dos seus pacientes, e muitos dos próprios doentes desconhecem o facto de terem sido expostos a agentes cancerígenos ao longo da sua vida profissional.

 

Mesmo que estes obstáculos sejam ultrapassados e se estabeleça uma ligação entre um caso de cancro e a anterior vida profissional do doente, a investigação demonstrou que os doentes nem sempre exercem o seu direito a indemnização; muitos preferem dedicar a sua energia à luta contra a doença e a aproveitar ao máximo o tempo que lhes resta, em vez de embarcarem numa batalha legal de resultados incertos para que o cancro seja reconhecido e compensado como doença profissional.

 

Os cancros profissionais podem ser descritos como doenças «negociadas» com o fundamento de que nem todos os casos de cancro declarados como de origem profissional são automaticamente reconhecidos como tal, e os doentes têm frequentemente de lutar arduamente para obter o reconhecimento dos danos que sofreram.

 

As mulheres, em particular, enfrentam uma luta difícil e têm mais dificuldade do que os homens em conseguir o reconhecimento da origem profissional dos seus cancros. A terceira contribuição examina o desfasamento entre o conjunto de conhecimentos sobre as ligações entre o trabalho e o cancro, por um lado, e a exposição em locais de trabalho da vida real, por outro. A maioria dos estudos de investigação centra-se apenas num agente cancerígeno, enquanto os trabalhadores no mundo real estão frequentemente expostos a vários agentes cancerígenos ao mesmo tempo.

 

Estas exposições múltiplas tornam-se óbvias se considerarmos a variabilidade das atividades no exercício da mesma profissão ou, como acontece cada vez mais frequentemente, o exercício de diferentes profissões durante uma carreira. Os tribunais franceses reconheceram vários casos de cancro profissional causados por exposições múltiplas a agentes cancerígenos, podendo, em última análise, ser introduzidas alterações a nível prático e regulamentar com vista à inclusão desses casos nos registos de doenças profissionais.

 

A contribuição final examina os custos sociais dos cancros profissionais. Estes custos dividem-se em três categorias diferentes: custos diretos (tratamentos médicos), custos indiretos (perdas de produtividade) e custos humanos (ou intangíveis) associados à deterioração da qualidade de vida dos doentes. Os dois estudos de investigação independentes atualmente disponíveis sobre este tema concordam que os custos diretos e indiretos dos cancros profissionais devem ser estimados em 10 mil milhões de euros por ano para a UE-28, ou seja, em cerca de 300 mil milhões de euros por ano, se forem incluídos os custos intangíveis.

 

A enormidade destes custos (que corresponde a cerca de 2% do PIB da UE-28) deverá suscitar uma reação por parte dos decisores políticos, incentivando-os a pôr em prática as políticas de prevenção necessárias.

 

Tradução da responsabilidade do Dep. SST

 

Fonte: “Cancer and work: understanding occupational cancers and taking action to eliminate them (ETUI),”  pág. 121

 

Aceda ao Guia Aqui.

https://www.etui.org/publications/books/cancer-and-work-understanding-occupational-cancers-and-taking-action-to-eliminate-them

 

segunda-feira, 20 de março de 2017

“Sem tempo a perder”: campanha do IOSH sensibiliza para o cancro ocupacional






O Instituto para a Segurança e Saúde no Trabalho (IOSH) lançou a campanha “Sem Tempo a Perder” para sensibilizar o público britânico para o cancro ocupacional enquanto um problema de saúde significativo que os trabalhadores do Reino Unido e do resto do mundo enfrentam e para apresentar algumas soluções para fazer frente ao problema. Trata-se de um modelo que pode ser transposto internacionalmente a fim de oferecer às empresas materiais gratuitos, práticos e originais que podem ajudá-las a conceber programas de prevenção eficazes.

Visite o site da campanha para saber mais.


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Cancro: principal causa de morte na Europa ocidental





É oficial. O cancro é agora a principal causa de morte na Europa ocidental, tendo suplantado as doenças cardiovasculares. 

É esta a principal conclusão de um estudo publicado em Agosto de 2016 pelo Jornal Europeu do Coração. 

De acordo com os mais recentes dados, morrem mais homens de cancro do que de doenças cardiovasculares em 12 países e mais mulheres em dois países. 

Todos estes países situam-se na Europa ocidental; se considerarmos toda a Europa, as doenças cardiovasculares permanecem no topo da lista de causas de morte mais comuns.

Aceda a mais informação Aqui.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

CES subscreve pacto sobre como lidar com riscos resultantes da exposição a substâncias cancerígenas no local de trabalho




A Confederação Europeia de Sindicatos (CES), juntamente com a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) e outras instituições europeias, subscreveu um pacto sobre riscos resultantes da exposição a substâncias cancerígenas no local de trabalho, comprometendo-se a promover acções voluntárias de sensibilização para esta matéria e à partilha de boas práticas com vista à redução dos referidos riscos.

Saiba mais Aqui.


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Cancro ocupacional: vitória para os trabalhadores!



A Comissão Europeia aprovou uma proposta de revisão da directiva sobre a prevenção do cancro no trabalho, tendo anunciado limites de exposição vinculativos para 13 novas substâncias cancerígenas – mais dez do que na directiva anterior. “Esta é uma notícia importante para a saúde dos trabalhadores europeus”, diz Esther Lynch, Secretária-Confederal da CES, “e uma vitória duramente alcançada para os trabalhadores e os seus sindicatos.” 

Embora alguns desses limites sejam insuficientes e algumas substâncias não tenham sido abrangidas, este é um passo significativo que demonstra que, após 12 anos de inércia, a Comissão Europeia deu finalmente ouvidos às exigências feitas para proteger os trabalhadores dos cancros ocupacionais”, refere Lynch, que espera ainda que a Comissão estabeleça mais limites de exposição para pelo menos 15 substâncias até ao final do ano.

Saiba mais aqui.


quarta-feira, 9 de março de 2016

Cancro Ocupacional


Estima-se que terá havido 1 300 000 mortes provocadas por cancros ocupacionais na União Europeia em 2012. Em muitos países, o cancro é a principal causa de morte entre as pessoas com menos de 65 anos. Muitas destas mortes resultam diretamente da exposição dos trabalhadores a agentes cancerígenos no trabalho.

Os dados existentes comprovam a teoria de que pelo menos 8% das mortes provocadas por cancro estão relacionadas com o trabalho. Para alguns tipos de cancro, como o do pulmão ou da bexiga, este valor chega a ultrapassar os 10%. Pode dizer-se que o cancro é agora a principal causa de “morte causada por condições de trabalho” na Europa.

Nem todos os locais de trabalho são afetados de igual forma por esta “epidemia” cancerígena. Diferentes inquéritos nacionais e europeus e estudos epidemiológicos demonstraram que os trabalhadores manuais são os mais expostos a agentes cancerígenos.

Têm maiores probabilidades de exposição ao amianto e a uma série de substâncias perigosas produzidas pela indústria petroquímica do que os trabalhadores de escritório. Os trabalhadores da construção civil, por exemplo, estão particularmente expostos à sílica, à luz solar e ao pó de madeira, cujas propriedades cancerígenas são agora bem conhecidas.
Mas a pesquisa dos riscos de cancro nas mulheres é escassa e provavelmente levou a uma grave subestimação dos cancros relacionados com o trabalho. Pouquíssima pesquisa tem sido feita a respeito dos fatores ocupacionais relacionados com o cancro da mama, por exemplo.

A CES e a ETUI acreditam que a prevenção deve ser o centro das atenções da estratégia de cada sindicato na luta contra o cancro ocupacional. As leis comunitárias oferecem aos trabalhadores boas ferramentas orientadas especificamente para a redução ou eliminação dos agentes cancerígenos nos locais de trabalho. O problema é que os trabalhadores não estão ainda muito familiarizados com aquelas e poucos empregadores cumprem os requisitos legais.

Consequentemente, um conjunto de inquéritos nacionais aos trabalhadores apurou que, ao passo que o emprego industrial está a diminuir, o número de trabalhadores expostos a agentes cancerígenos não está a decrescer. Isto significa que é necessária uma verdadeira ação sindical de base, além de trabalho para melhorar o enquadramento legal da UE para proteger os trabalhadores contra os agentes cancerígenos.

Em Dezembro de 2012, o Comité Consultivo tripartido para a Segurança e Saúde sugeriu à Comissão Europeia a elaboração de uma proposta que estabelecesse novos valores-limite obrigatórios de exposição a agentes cancerígenos. Cabe agora à Comissão apresentar uma proposta sem mais atrasos.


sexta-feira, 4 de março de 2016

Workshop «Agentes cancerígenos e cancros de origem profissional»



O workshop «Carcinogens and Work-Related Cancer» - Agentes cancerígenos e cancros de origem profissional - foi organizado pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) nos dias 3 e 4 de setembro de 2012.
O workshop teve como objetivo sintetizar o conhecimento atual no que se refere à exposição a agentes cancerígenos e às causas e circunstâncias dos cancros de origem profissional, bem como debater a forma como estes conhecimentos podem ser utilizados em toda a União Europeia (UE) para atenuar o ónus deste tipo de cancro no futuro.
Encontra-se disponível a tradução para português das conclusões deste evento, as quais pela pertinência da atualidade que revestem, divulgamos neste blog.
As principais conclusões do workshop foram as seguintes:
- Os esforços na área da investigação para o cálculo do peso das doenças profissionais e a utilização das informações sobre a relação entre a atividade profissional e a exposição são muito úteis para estabelecer prioridades em termos de prevenção das doenças, e para o seu reconhecimento e respetiva compensação.
 É necessário um maior apoio, incluindo por parte das instituições europeias, aos esforços no sentido de atualizar os dados desses estudos relativamente à exposição, nomeadamente o sistema CAREX (Sistema Internacional de Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho RESUMO DO EVENTO 2 Informação sobre Exposição Profissional a Substâncias Cancerígenas), o estudo NOCCA (Nordic Occupational Cancer Study) e as várias matrizes de exposição profissional.
- É necessário que a investigação, as intervenções e o reconhecimento dos cancros relacionados com o trabalho tenham em conta as alterações do mundo do trabalho (nomeadamente, o aumento da subcontratação, do trabalho temporário, do emprego múltiplo, do trabalho nas instalações do cliente com possibilidades de adaptação limitadas, do trabalho estático, do trabalho das mulheres em profissões expostas, dos horários de trabalho atípicos e das exposições múltiplas, bem como da transição do setor da indústria para o setor dos serviços, etc.). Todos estes desafios precisam de resposta.
A EU-OSHA pode dar o seu contributo para a sensibilização e disponibilização de dados e de evidências relativamente aos riscos emergentes, tais como o risco de exposição a misturas complexas (por exemplo, os pintores profissionais) e a fatores relacionados com a organização do trabalho (por exemplo, trabalho por turnos), bem como através da partilha de experiências de boas práticas em termos de soluções e de políticas.
- Existe uma necessidade crescente de identificar os grupos vulneráveis e ocultos, cuja exposição profissional aos fatores de risco de cancro e de processos cancerígenos está sub-representada nos dados relativos à exposição e nas estratégias de intervenção. Os estudos forneceram evidências de que existe um peso não reconhecido associado ao cancro entre as classes socioeconómicas mais baixas, que pode estar relacionado com as profissões tipicamente exercidas por essas populações e com as suas limitações em termos de capacidade de adaptação. Foi introduzido o conceito de «cancro socialmente discriminatório».
Os grupos vulneráveis e ocultos encontram-se habitualmente entre as populações migrantes, os trabalhadores a tempo parcial e os trabalhadores subcontratados. As mulheres e os trabalhadores jovens, habitualmente em profissões com uma baixa sensibilização para os riscos relacionados com substâncias químicas, podem também estar em risco. Esses grupos ocultos estão tipicamente expostos a múltiplos agentes cancerígenos e, dado o seu contexto socioeconómico, apresentam um maior risco de desenvolver cancro.
- É necessária uma visão mais alargada sobre as causas do cancro relacionado com o trabalho. Os fatores relacionados com o estilo de vida, tais como a obesidade, o tabagismo, a ingestão de bebidas alcoólicas, etc., não são apenas questões pessoais, podendo igualmente ser determinados pelas condições de vida e de trabalho da pessoa (p. ex. a insegurança económica, o acesso a alimentos e a locais saudáveis, a facilidade de acesso a bebidas alcoólicas no local de trabalho, a forma como o trabalho é organizado). As práticas comuns e as atitudes face à segurança praticadas nas empresas ou no setor industrial podem também ter influência.
- Espera-se que, à medida que as substâncias químicas perigosas vão sendo registadas de acordo com o REACH (o regulamento da UE relativo ao Registo, Avaliação, Autorização e Restrição de Produtos Químicos), sejam fornecidas mais informações sobre os agentes cancerígenos e sobre a exposição profissional.
O livre acesso aos dados sobre as substâncias é essencial para todos os intervenientes, tanto a nível político, como ao nível da investigação, da inspeção do trabalho ou no próprio local de trabalho. É necessário um maior acesso às bases de dados relativas à exposição e às substâncias e aos dados gerados no âmbito do REACH, bem como aos dados sobre problemas de saúde. Deve ser promovida a cooperação entre os vários organismos relevantes, e a montante e a jusante da cadeia de abastecimento, tanto a nível da UE como a nível nacional e nos diversos setores da indústria.
- No entanto, vários agentes cancerígenos, de natureza química e não química, não são contemplados pelo REACH. Estes agentes são, em particular, substâncias produzidas de forma não intencional durante os processos operacionais, tais como as emissões de motores diesel, o pó da madeira e os fumos de soldadura. É necessário dar resposta a estes riscos ao nível da investigação, da monitorização e da prevenção. Deve ser atribuído o mesmo nível de proteção a todos os trabalhadores.
- Os cancros tradicionalmente relacionados com o trabalho tiveram, em muitos casos, um desfecho fatal, tendo sido diagnosticados em trabalhadores mais velhos. Uma vez que foram identificadas novas causas e existem melhores tratamentos para o cancro, o regresso ao trabalho é agora uma opção possível para mais trabalhadores (p. ex. mulheres com cancro da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho RESUMO DO EVENTO 3 mama a trabalhar por turnos). Por conseguinte, devemos encontrar formas de apoiar esses trabalhadores.
- Com o aparecimento de melhores tratamentos, o cancro tem-se tornado progressivamente numa doença crónica. No entanto, existem atualmente poucas estratégias de reabilitação e de regresso ao trabalho específicas para o cancro, e as que existem foram desenvolvidas originalmente para várias outras doenças relacionadas com o trabalho (p. ex. perturbações musculoesqueléticas).
- As intervenções dirigidas para os problemas relacionados com o regresso ao trabalho podem beneficiar da experiência obtida a partir de outras intervenções que demonstraram ser eficazes. Os primeiros dias após o regresso ao trabalho são cruciais, pelo que as empresas devem estar preparadas para adaptar as condições de trabalho às circunstâncias específicas do trabalhador que regressa, desde as fases iniciais.
- Foi demonstrado que os sobreviventes de cancro tinham uma probabilidade significativamente maior de estar desempregados. Futuramente, deverá ser colocado uma maior ênfase na identificação dos fatores que levam à ausência recorrente por baixa médica e ao abandono precoce da vida ativa.
- Os trabalhadores que tiveram cancro relacionado com o trabalho podem precisar de medidas de proteção contra uma nova exposição aos riscos a que estiveram expostos anteriormente ou de uma adaptação das condições de trabalho às suas capacidades físicas. É necessária uma avaliação mais aprofundada. A empresa deve estar igualmente preparada para lidar com as preocupações dos colegas de trabalho. Outros fatores de risco de cancro recentemente reconhecidos, tais como o trabalho por turnos, constituem um desafio particular para essa adaptação do local de trabalho.
- Existe um forte enquadramento legislativo na Europa e a sua implementação e cumprimento são essenciais para a prevenção eficaz do cancro no local de trabalho. Para este efeito, é necessário melhorar o acesso das autoridades responsáveis pela aplicação da legislação e dos serviços de inspeção do trabalho, as informações, ações de formação e orientações específicas, sendo igualmente necessária a disponibilização de recursos suficientes. Será útil a troca de experiências e de estratégias entre as autoridades nacionais responsáveis pela aplicação da legislação, que incluam o SLIC e o fórum da ECHA.
- Uma recente campanha realizada em França sobre substâncias CMR (cancerígenas, mutagénicas e tóxicas para a reprodução) e uma campanha do SLIC sobre substâncias perigosas forneceram evidências de que a sensibilização ao nível das empresas é baixa, mas que as empresas melhoraram as suas políticas nestas matérias após uma visita da inspeção do trabalho ou quando obtinham apoio especializado. As empresas que preparam documentação de avaliação dos riscos em cumprimento das regras em matéria de segurança e saúde no trabalho (SST) têm mais sucesso na substituição das substâncias perigosas do que as que não cumprem as suas obrigações.
- A experiência proveniente de grandes projetos de substituição pode ajudar a definir o âmbito de ações futuras. A ferramenta na Internet SUBSPORT oferece apoio prático às empresas. Nos casos em que não seja possível a substituição das substâncias perigosas, devem ser partilhadas, dentro da Comunidade, soluções práticas para a minimização dos riscos.
- Existe uma necessidade generalizada de melhorar a comunicação entre todos os intervenientes e de partilhar boas práticas de sensibilização, intervenções e políticas. Foi solicitado à EU-OSHA que «mantivesse o ritmo», através da organização de workshops, seminários e grupos de especialistas, a fim de discutir as questões identificadas no seminário. Foi também solicitado à Agência que incluísse estas matérias (em particular a recolha e monitorização de dados, a identificação de trabalhadores vulneráveis e soluções práticas) nas suas atividades em curso e ações futuras.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

PELO FIM DO CANCRO NO LOCAL DE TRABALHO - CES


O cancro ocupacional mata 100 mil pessoas todos os anos na Europa. É a causa de morte mais comum relacionada com o trabalho.

- Entre 8 e 16% de todos os tipos de cancro na Europa são resultantes de exposições de risco no local de trabalho;

- Pelo menos 1 em 5 trabalhadores na U.E. são frequentemente expostos a agentes cancerígenos;

- Cerca de 50 cancerígenas representam mais de 80% de toda a exposição ocupacional a agentes cancerígenos.

A Directiva da União Europeia de 2004 sobre agentes cancerígenos ou mutagenéticos no local de trabalho estabelece limites obrigatórios de exposição a apenas três substâncias.

Esta Directiva tem estado sob avaliação nos últimos 12 anos, contudo sem qualquer alteração, deixando os trabalhadores europeus sem qualquer tipo de protecção contra os agentes causadores de cancro.

A Confederação Europeia de Sindicatos (CES) alerta a União Europeia para que acabe com o impasse neste processo e tome medidas para pôr fim ao cancro no local de trabalho.

A Presidência Holandesa do Conselho da União Europeia, comprometeu-se no seu programa a “exercer pressão para que o cancro relacionado com o trabalho seja combatido através da protecção dos trabalhadores contra um extenso número de substâncias cancerígenas” e para atingir este objectivo “pretende alterar a Directiva europeia sobre agentes cancerígenos”.

A CES reclama agora à Presidência holandesa que:

- Cumpra a promessa veiculada no seu programa;
- Estabeleça limites de exposição no local de trabalho a 50 substâncias comuns de cancro ocupacional.

Para ajudar a Presidência holandesa a cumprir a sua promessa, a CES:

- Publicou uma lista de 50 agentes cancerígenos para os quais exige limites de exposição no local de trabalho;

- Reclama que a Comissão Europeia implemente estes limites até ao final de 2016, e não 2020 como é proposto;

“O cancro ocupacional é uma epidemia ignorada. Os trabalhadores estão a morrer aos milhares todos os anos e durante 12 longos anos a UE não fez nada. Estas mortes são resultados de exposições em local de trabalho evitáveis”, afirmou Esther Lynch, Secretária Confederal da CES. “Os sindicalistas exigem o estabelecimento vinculativo de limites de exposição a agentes cancerígenos no local de trabalho, agora que estas são conhecidas como causas da doença. A Comissão tem de parar com o impasse. Atrasar este processo até 2020 é irresponsável e inaceitável”.

"A UE deve atingir cancro zero no local de trabalho. Os trabalhadores que tenham sido expostos a substâncias ou processos causadores de cancro devem ser submetidos a exames de saúde regulares durante e após o seu trabalho”, acrescenta a sindicalista.

A lista de agentes cancerígenos da CES inclui: o fumo de motor a diesel, pó de serragem, formaldeído, fibras cerâmicas refractárias, sílica cristalina, cádmio e compostos de cádmio, benzopireno, compostos de crómio (VI), óxido de etileno, tricloroetileno (TRI).

Os limites de exposição variam muito de país para país: o limite para a sílica cristalina é 6 vezes maior em alguns países da UE. Estudos demonstram que os países da U.E. têm limites de exposição vinculativos entre 3 e 82 causas de cancro, mas apenas 17 países europeus têm menos do que 50 como limites de exposição vinculativos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Relatório sumário sobre a exposição a agentes cancerígenos e o cancro relacionado com o trabalho: uma revisão dos métodos de avaliação



Estimativas do recente e futuro peso das doenças profissionais indicam que o cancro ocupacional continua a ser um problema grave e continuará a sê-lo no futuro enquanto resultado da exposição dos trabalhadores aos agentes cancerígenos. É por isso que o cancro ocupacional é um problema que deve ser combatido por toda a União Europeia.

Este sumário oferece uma breve visão sobre as ferramentas de avaliação para os factores de risco de exposição ao cancro e analisa factores ocupacionais relevantes: exposições químicas, físicas e biológicas, bem como outras condições de ambiente de trabalho potencialmente cancerígenas (tais como o trabalho nocturno e por turnos).

O relatório examina oportunidades de identificar novas causas ou agentes provocadores de cancro e avalia fontes de informação existentes. 

Também descreve medidas de prevenção de cancro ocupacional a nível europeu, nacional e organizacional e estabelece recomendações para preencher as lacunas de conhecimentos relevantes necessários para a prevenção eficaz de riscos futuros de cancro ocupacional.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013


Diretrizes para a Vigilância do Cancro Relacionado ao Trabalho

 

Estudo


Um Estudo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) revela que, pelo menos, 19 tipos de tumores malignos, entre os quais, o cancro do pulmão, da pele, do fígado, da laringe e do sangue podem estar relacionados com a atividade profissional e com o ambiente de trabalho do doente.
 
Estes dados constam da publicação “Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho”, lançada por este Instituto, recentemente.
 
O levantamento, que reuniu as últimas pesquisas mundiais sobre o cancro relacionado com o trabalho, revela desde as substâncias mais comuns associadas ao desenvolvimento de tumores malignos, como o amianto (ou asbesto) –classificadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como cancerígenas – até produtos aparentemente inofensivos, como poeiras da madeira e do couro, além de medicamentos, como os antineoplásicos, por exemplo.
 
Trabalhadores de profissões como as de cabeleireiro, piloto de avião, comissário de bordo, farmacêuticos, químicos e enfermeiros são mais propensos ao desenvolvimento desses tumores.
 
Sublinha a necessidade imperativa dos profissionais dae saúde questionarem os doentes diagnosticados com cancro qual foi a atividade profissional desenvolvida, partindo da elação que é diminuta a frequência com que o médico questiona o doente sobre a sua ocupação profissional. Só desta forma será possível identificar e registrar os casos de cancro relacionados com o trabalho.
 
Esta publicação fornece, pois, conteúdo didático sobre os principais agentes cancerígenos, sobre os tumores malignos por eles provocados e sobre a sua associação com algumas ocupações específicas.
 
Um aspeto a ressaltar, prende-se com a Prevenção - De acordo com as diretrizes do INCA a principal estratégia para reduzir o número de tumores malignos relacionados com exposições ocupacionais, consiste na eliminação ou redução da exposição aos agentes causadores. Desse modo, o primeiro passo para prevenir o cancro deverá ser a identificação de agentes conhecidos por causarem o aumento do risco para a doença.
 
Os principais grupos de agentes cancerígenos relacionados ao trabalho incluem os metais pesados, agrotóxicos, solventes orgânicos, formaldeído e poeiras (amianto e sílica).
 
A prioridade da prevenção é a remoção da substância cancerígena das atividades exercidas pelos trabalhadores. Enquanto isso não acontece, as recomendações alternativas são: evitar a exposição e gradualmente eliminar o uso desses agentes, restringir o contato com cancerígenos a determinadas atividades, com a adoção de níveis mínimos de exposição, associado ao monitorização do ambiente de trabalho, além da redução diária de exposição.