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A 6ª Conferência sobre o Futuro do Trabalho da ETUI reuniu pesquisadores, formuladores de políticas, parceiros sociais e representantes sindicais para explorar como a digitalização, a gestão algorítmica e a inteligência artificial estão transformando o trabalho, os mercados de trabalho e a segurança ocupacional.
Os detalhes e o programa da conferência podem ser encontrados aqui, e as apresentações da sala principal do primeiro e do segundo dia podem ser encontradas aqui .
Ao longo de dois dias, sessões plenárias e painéis paralelos abordaram temas-chave, incluindo governança da IA, negociação coletiva, direitos dos trabalhadores, vigilância digital, riscos psicossociais e de segurança ocupacional, trabalho em plataformas digitais, trabalho híbrido e as implicações da datificação para trabalhadores e organizações.
As discussões destacaram as crescentes preocupações com a
qualidade do trabalho, a autonomia dos trabalhadores, o viés e a discriminação,
e a erosão das estruturas de proteção existentes, ao mesmo tempo que exploraram
respostas políticas inovadoras e mecanismos de diálogo social.
Foi dado grande ênfase ao papel
dos sindicatos e das relações laborais na promoção de transições digitais
justas. As sessões apresentaram perspectivas internacionais comparativas,
estudos de caso setoriais e ferramentas práticas destinadas a fortalecer a
participação dos trabalhadores e a capacidade regulatória em ambientes de
trabalho cada vez mais digitais.
Principais conclusões das
apresentações que se concentraram principalmente na digitalização e na SST
(Saúde e Segurança no Trabalho):
- Digitalização e riscos psicossociais: As tecnologias digitais oferecem flexibilidade e eficiência, mas também aumentam a intensidade do trabalho, a insegurança, a vigilância e a indistinção entre vida profissional e pessoal, evidenciando a necessidade de regulamentações atualizadas e de gestão de riscos psicossociais.
- Ergonomia
automatizada: algoritmos
baseados em sensores IMU podem detectar padrões de levantamento de peso e
avaliar riscos ergonômicos, demonstrando potencial para práticas de SST
(Saúde e Segurança no Trabalho) mais seguras e orientadas por dados.
- Impactos
do comércio eletrônico: A
expansão da Amazon na Itália aumenta os empregos de logística com baixos
salários, ao mesmo tempo que reduz os empregos de varejo de maior
qualidade e os empregos não remunerados, afetando a qualidade do emprego.
- Logística
de transportes: as
ferramentas digitais padronizam as tarefas de condução de caminhões,
reduzem as exigências de qualificação e enfraquecem o poder de negociação,
aumentando as preocupações com a segurança e saúde ocupacional e a
proteção dos trabalhadores.
- Inteligência
artificial no varejo: a
gestão algorítmica afeta o recrutamento, o planejamento de horários, o
monitoramento e o atendimento ao cliente, com implicações para a qualidade
do trabalho, a autonomia e as estratégias sindicais.
- Trabalho
híbrido e autonomia: a
flexibilidade não melhora automaticamente o controle; a disponibilidade
constante e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal variam
dependendo do monitoramento e da organização do trabalho.
- Teletrabalho
na Romênia: O
trabalho remoto aumentou a autonomia, mas também aprofundou as
desigualdades relacionadas a gênero, composição familiar e qualidade do
espaço de trabalho, exigindo atenção política aos riscos psicossociais e
espaciais.
- Direito à
desconexão: Reconhecido
tanto como proteção ao tempo de descanso quanto como um novo direito
digital, ele pode prevenir o tecnoestresse e a síndrome de burnout,
sugerindo sua inclusão em estruturas mais amplas de SST (Saúde e Segurança
no Trabalho), e não apenas em regulamentações sobre teletrabalho.
De forma geral, a conferência
sublinhou que a transição digital não é apenas tecnológica, mas também social e
organizacional, exigindo governança proativa, inovação centrada no trabalhador
e ação coletiva renovada para garantir futuros de trabalho sustentáveis e equitativos.



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