O
aumento de ocorrências meteorológicas extremas resulta em condições de trabalho
mais perigosas e inseguras para os trabalhadores e trabalhadoras em todo o
mundo.
Estas
mudanças nos padrões climáticos, incluem eventos cada vez mais frequentes de
fenómenos climáticos extremos que podem acentuar os impactos da exposição a
riscos profissionais, tais como o stresse térmico, a radiação UV, a poluição do
ar, acidentes industriais graves, aumento de doenças transmitidas por vetores e
aumento da exposição a produtos químicos.
As
mudanças nos padrões climáticos estão indubitavelmente a afetar a segurança do
trabalho e a saúde dos trabalhadores, e continuarão a ter efeitos prejudiciais
sobre a saúde humana e nas condições de trabalho.
Os
trabalhadores, especialmente os que trabalham ao ar livre, são frequentemente
os primeiros a ser expostos às consequências das alterações climáticas, muitas
vezes por períodos mais longos e em intensidades mais elevadas do que a
população em geral.
Com
efeito, têm sido associados às alterações climáticas numerosos efeitos na saúde
dos trabalhadores, incluindo lesões, cancro, doenças cardiovasculares, doenças
respiratórias, problemas de saúde mental, entre outros.
O
Relatório da OIT “Ensuring safety and health at work in a changing climate”
(2024), cujo objetivo é sensibilizar para os impactos das alterações climáticas
no mundo do trabalho, especialmente na Segurança e a Saúde dos trabalhadores
releva fundamental que a “… inclusão de um ambiente de trabalho seguro e
saudável como princípio fundamental e direito no trabalho significa que abordar
os impactos perigosos das alterações climáticas no local de trabalho é agora
uma prioridade absoluta.”
Sublinha,
ainda, que são necessárias políticas específicas a nível nacional, a par de
medidas preventivas eficazes no local de trabalho para proteger os
trabalhadores dos graves impactos das alterações climáticas.
1
– Problemática das alterações climáticas e efeitos na SST
As
alterações climáticas têm um impacto significativo na Segurança e Saúde no
Trabalho, afetando cada vez mais trabalhadores em todo o mundo. Seguem alguns
dos principais efeitos:
-
A OIT calcula que mais de 2,4 bilhões de trabalhadores estão provavelmente
expostos ao calor excessivo em algum momento do seu trabalho, de acordo com os
números mais recentes disponíveis.
-
A proporção de trabalhadores expostos aumentou de 65,5% para 70,9 % desde 2000.
-
Além disso, o relatório estima que 18.970 vidas e 2,09 milhões de anos de vida
são perdidos por incapacidades todos os anos devido a 22,87 milhões de lesões
ocupacionais atribuíveis ao calor excessivo.
-
Sem esquecer as 26,2 milhões de pessoas em todo o mundo que vivem com doença
renal crónica associada ao stresse térmico no local de trabalho (dados de
2020).
O
impacto das alterações climáticas inclui:
-
1,6 bilhão de trabalhadores expostos à radiação UV, com mais de 18.960 mortes
relacionadas ao trabalho anualmente devido ao câncer da pele não melanoma.
-
1,6 bilhão de pessoas provavelmente expostas à poluição atmosférica no local de
trabalho, o que resulta em até 860.000 mortes relacionadas ao trabalho
anualmente entre pessoas que trabalham ao ar livre.
-
Mais de 870 milhões de trabalhadores na agricultura, provavelmente expostos a
pesticidas, com mais de 300.000 mortes atribuídas ao envenenamento por
pesticidas anualmente.
-
15.000 mortes relacionadas ao trabalho anualmente devido à exposição a doenças
parasitárias e transmitidas por vetores.
-
Mais de 1,2 mil milhões de trabalhadores estão expostos à poluição atmosférica,
e registam-se mais de 860 000 mortes por ano.
-
As alterações climáticas ameaçam os ecossistemas e, por conseguinte, os 1,2 mil
milhões de postos de trabalho que deles dependem, como a agricultura, a
silvicultura e a pesca.
-
Estima-se que a perda financeira acumulada devida apenas a doenças relacionadas
ao calor atinja US$ 2,4 trilhões até 2030.
Fonte:
Relatório da OIT “Ensuring safety and health at work in a changing climate”
https://www.ilo.org/publications/ensuring-safety-and-health-work-changing-climate



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