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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

COMO REALIZAR INQUÉRITOS DE ACIDENTES DE TRABALHO



Guia prático para inspetores do trabalho


Em 2014, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) calculou que os acidentes de trabalho e as doenças profissionais causam mais de 2,3 milhões de mortes por ano, das quais mais de 350.000 se devem a acidentes de trabalho e aproximadamente 2 milhões a doenças profissionais.

Além destas mortes, estima-se que em 2010 terão ocorrido mais de 313 milhões de acidentes de trabalho não mortais (que conduziram a, pelo menos, quatro dias de ausência ao trabalho). Estes números, ainda que surpreendentes, não exprimem a dor nem o sofrimento dos trabalhadores e das suas famílias, nem o total de perdas económicas das empresas e sociedades a nível mundial.





GUIA TÉCNICO N.º 2 VIGILÂNCIA DA SAÚDE DOS TRABALHADORES EXPOSTOS A AGENTES QUÍMICOS CANCERÍGENOS, MUTAGÉNICOS OU TÓXICOS PARA A REPRODUÇÃO




“ De salientar, que o cancro é hoje a “primeira causa de morte relacionada com o trabalho na União Europeia”. O cancro profissional mata 10 pessoas em cada hora; existem pelo menos 32 milhões de trabalhadores expostos a substâncias cancerígenas;  estima-se que no ano 2012 tenha sido diagnosticado cancro em 91.500 a 150.500 trabalhadores que estiveram expostos a substâncias cancerígenas no trabalho;  estima-se, para o mesmo ano, que entre 57.700 a 106.500 trabalhadores tenham morrido de cancro profissional devido a exposição a substâncias cancerígenas presentes no local de trabalho.”

“ Utilizados como matéria-prima, reagentes ou ainda enquanto produtos de fabrico, subprodutos ou resíduos, é frequente considerar-se que os “agentes químicos e, consequentemente, os riscos a eles associados, são exclusivos de indústrias químicas e afins, tais como a indústria farmacêutica ou a do petróleo.

Contudo, a utilização de agentes químicos (e.g. produtos de limpeza, pesticidas, colas, tintas, entre outros produtos) é transversal a todos os setores económicos, incluindo a agricultura, o comércio e os serviços, e abrange um elevado número de trabalhadores.

Constata-se que “das 110 mil substâncias químicas sintéticas que são produzidas em quantidades industriais, apenas estão disponíveis dados adequados de avaliação de riscos para cerca de 6 mil e só se encontram definidos limites de exposição profissional para 500- 600 produtos químicos perigosos”.

 Verifica-se ainda que o grupo mais numeroso de fatores de risco profissional (3) da lista nacional de doenças profissionais são de natureza química, alguns dos quais com ação cancerígena, mutagénica e/ou tóxica para a reprodução (CMR). Não obstante os benefícios da utilização dos agentes químicos, reconhece-se que o incremento da produção e da utilização destes agentes nos mais diversos setores económicos e a disseminação da sua aplicação poderão potenciar efeitos adversos acrescidos na saúde humana (dadas as suas características físico-químicas e/ou toxicológicas), representando o contexto ocupacional uma situação problemática que carece de especial atenção quanto à vigilância da saúde dos trabalhadores expostos.

 A eficácia da vigilância da saúde exige a implementação de um adequado processo de avaliação e gestão do risco profissional que tenha em conta o binómio “homemtrabalho”, isto é, que se tenha em consideração não só as propriedades da(s) substância(s) química(s) e as condições de trabalho e de exposição profissional, mas também as características individuais do trabalhador."

Fonte: prefácio do Guia



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Sabia que...


Sabia que....


Sabia que...


GEP divulga estatísticas relativas a sinistralidade laboral ocorrida em 2015






O Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) divulgou recentemente os dados apurados em 2015 relativamente à sinistralidade laboral no nosso país. À semelhança do ano de 2014, também este ano foram incluídos os acidentes ocorridos na administração pública.

Mais informações Aqui.

Seguem alguns dados:

1 - ACIDENTES DE TRABALHO
Em 2015 ocorreram 208 457 acidentes, dos quais 161 tiveram consequência mortal

- À semelhança de 2014, registou-se um novo aumento no número total de acidentes e no número de dias de trabalho perdidos, voltando a contrariar uma tendência decrescente que já se vinha a registar desde 2009.

- A maioria dos acidentes de trabalho apurados em 2015, ocorreram nos setores de atividade "C - indústrias transformadoras", “G - comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos" e "F - construção“, onde se registaram, respetivamente 25,0%, 14,4% e 13,8% do total de acidentes.

- Já no que respeita à sinistralidade mortal, foi o setor “F - construção“ que registou o valor mais elevado, 29,8% dos acidentes mortais, (48 vítimas mortais), seguindo –se o setor da “A - agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca”, 19,9% (32 vítimas mortais) e o sector das "C - indústrias transformadoras“ 10,6% (17 vítimas mortais).

- Relativamente ao total de acidentes de trabalho para os quais se conhece a dimensão da empresa ou entidade equiparada, mais de metade ocorreram em pequenas empresas (10 a 49 pessoas) e micro empresas ou com trabalhadores independentes (1 a 9 pessoas), 24,6% e 23,7% respetivamente.

- Quanto aos acidentes de trabalho mortais, a maior parte deu-se com trabalhadores de micro empresas ou com trabalhadores independentes (1 a 9 pessoas), 36,0%.

- Por outro lado as empresas de maior dimensão “250 a 499 pessoas” e “500 e mais pessoas” registaram a menor percentagem do total de acidentes mortais, ambas com 7,3%.

2 - CAUSAS E CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE OCORREU O ACIDENTE

Em 2015 cerca de 67 309 acidentes ocorreram em “zona industrial”.

- A maioria dos sinistrados, para os quais se sabe onde ocorreu o acidente, encontravam-se em “zona industrial” (36,6%).

- No que  se refere á atividade que executavam no momento do acidente, 154.447 indivíduos (78,3%) realizavam “movimento” (andar, subir ou descer escada, etc.) (27,3%), “trabalho com ferramentas de mão” (26,6%) ou “transporte manual” (24,4%).

- Na origem de mais de metade dos acidentes esteve o acontecimento desviante/desvio “movimento do corpo sujeito a constrangimento físico (conduzindo, geralmente, a lesão interna) ” e o “perda total ou parcial de controlo de máquina ou meio de transporte (equipamento manuseado, ferramenta manual, objeto, animal)”, 28,0% e 24,8% respetivamente.

- Os agentes materiais reconhecidos como associados ao desvio e que se destacam mais são os “materiais, objetos, produtos, componentes de máquinas - estilhaços e poeiras” (35,9% do total de acidentes).

- O acontecimento gerador direto da lesão do sinistrado mais frequente foi o “esmagamento em movimento vertical / horizontal sobre / contra objeto imóvel” com 29,2% das ocorrências, seguido de 27,9% de acidentes por “constrangimento físico do corpo, constrangimento psíquico”.

- Nos acidentes de trabalho para os quais se conhece o agente material associado ao contacto, destaca-se o grupo dos “materiais, objetos, produtos, componente de máquina – estilhaços, poeiras” com 34,7% das ocorrências.

- Na sinistralidade mortal, mais de metade dos acidentes ocorreram em “local público” e “estaleiro, construção, pedreira, mina a céu aberto”, 50 (31,1%) e 42 (26,1%) mortes, respetivamente.

- 29,8% dos acidentes mortais ocorreram na construção, 24,8% dos acidentes mortais foram acidentes de viação.

- Sabe-se também que 52 (38,8%) acidentes mortais ocorreram aquando da “condução/presença a bordo de um meio de transporte – equipamento de movimentação”. Quanto ao desvio, a “perda total ou parcial de controlo de máquina ou meio de transporte (equipamento manuseado, ferramenta manual, objeto, animal)” esteve na base de 53 mortes (6,3%).

O agente material associado ao desvio mais frequente foi “veículos terrestres” em 46 acidentes (35,7%).

- Para 57 trabalhadores (38,3%) a causa da morte foi o “esmagamento em movimento vertical/ horizontal sobre/contra objeto imóvel”.

CONSEQUÊNCIAS DO ACIDENTE

Em média perderam-se 38,4 dias de trabalho na sequência de acidentes laborais

- No total, em 2015 perderam- se 5.459.744 dias de trabalho perdidos por motivo de acidente de trabalho.

- Analisando os acidentes de trabalhos face aos dias de ausência que provocaram, constata-se que as “amputações (perdas de partes do corpo) e esmagamentos” e as “ fraturas” foram as lesões mais graves pois, em média, perderam, respetivamente, 105,1 e 82,0 dias.

- No entanto, as “lesões e feridas superficiais” que, perderam em média 20,3 dias, foram as lesões que mais se verificaram na maioria dos acidentes não mortais, 55,2%. As “concussões e lesões internas” (32,1%) e as “lesões múltiplas” (36,5%) foram as lesões presentes em mais acidentes com consequência mortal.


- Em mais de metade dos acidentes não mortais (63,6%), as partes do corpo mais atingidas foram as “extremidades superiores” (38,2%), seguidas das “extremidades inferiores” (25,5%). Dos acidentes com consequência mortal, 50,9% foram provocados por lesões no “corpo inteiro ou partes múltiplas”, 24,5% por lesão no “tórax” e 22,0% na “cabeça” .

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

“Toolkit” de intervenção precoce lançado


O Grupo Diretor Europeu para a Saúde Sustentável lançou recentemente o seu “toolkit” de intervenção precoce no Parlamento Europeu, em colaboração com a Presidência Estónia do Conselho da União Europeia. 

O estojo de ferramentas foi desenvolvido pelo Grupo Diretor e pela AbbVie, em parceria com a Fundação do Trabalho e a Aliança Global da Aptidão para o Trabalho, tendo por base um programa-piloto de origem espanhola que está a ajudar as pessoas com incapacidades temporárias a receber o apoio necessário para uma rápida recuperação e regresso às suas vidas normais antes de ficarem permanentemente incapacitadas.


Saiba mais sobre a caixa de ferramentas aqui.