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segunda-feira, 5 de abril de 2021

Desigualdades no Trabalho e variáveis de saúde - Publicação da ETUI

 

 Tradução da secção n.º 4 da publicação da ETUI - "Work, health and Covid‑19: a literature review"




imagem com DR

 

Falta de poder negocial

 

Um fator comum que surge na análise das situações de maior risco e dos grupos profissionais é a falta de poder negocial dos trabalhadores envolvidos. O baixo poder negocial pode relacionar-se com várias condições laborais e outras externas: por exemplo, a instabilidade inerente à situação laboral, a baixa capacidade ou baixa proteção do emprego legal, elevadas taxas de desemprego, falta de alternativas ao emprego (ou seja, proteção social) ou estatuto de residência "precária" (Quinlan et al. 2020; Benach et al. 2020).

 

No estudo sobre o impacto nos trabalhadores em França, Counil e Khlat (2020) constataram que os grupos de baixos salários eram os mais expostos no trabalho, com uma grande percentagem a registar falta de equipamento de proteção.

 

Isto é agravado pelo seu inferior poder negocial devido à sua posição económica e à falta de proteção do emprego (Counil e Khlat 2020). Os trabalhadores das fábricas, das explorações agrícolas e do comércio a retalho continuaram a trabalhar apesar das condições perigosas, porque precisavam dos rendimentos e não podiam dar-se ao luxo de serem despedidos. As conclusões indicam que a questão é agravada no caso do trabalho migrante ou dos trabalhadores temporários.

 

Um relatório sobre as trabalhadoras domésticas migrantes na UE concluiu que tinham medo da deportação ou de perderem a autorização de residência, pelo que não reportaram circunstâncias agravadas (Foley e Piper 2020). Uma situação semelhante foi relatada entre os trabalhadores agrícolas do Canadá e dos EUA que estão no país para trabalhar com empregadores específicos e podem ser deportados se estiverem doentes (Haley et al. 2020).

 

Os sindicatos desempenharam um papel significativo na exigência de uma maior segurança e segurança para os trabalhadores durante a pandemia. Um estudo realizado entre os lares de idosos nos EUA concluiu que os centros onde havia trabalhadores sindicalizados tinham taxas de mortalidade covid-19 mais baixas e um maior acesso a equipamentos de proteção (Dean et al. 2020).

 

Um relatório do Instituto de Política Económica, com sede nos EUA, concluiu igualmente que, durante a pandemia, os trabalhadores sindicalizados conseguiram "garantir medidas de segurança reforçadas, remunerações adicionais de prémios, tempo de doença remunerado e uma palavra a dizer em termos de licenças ou acordos de partilha de trabalho para salvar postos de trabalho" (McNicholas et al. 2020).

 

A carta aberta das organizações sindicais da UE ao Comissário da UE para o Emprego e os Direitos Sociais exigiu igualmente que os trabalhadores de todas as categorias se envolvessem nos processos de decisão relativos às políticas específicas do Covid19 nas suas empresas.


A carta dizia que, em vez de capacitar os trabalhadores durante a pandemia, os regulamentos laborais, já enfraquecidos nos últimos anos, tinham sido ainda mais ignorados. Em dezembro, a Comissão Europeia comprometeu-se a elaborar uma nova estratégia da UE para a Segurança e Saúde no Trabalho, na sequência da pressão exercida pelos sindicatos. 


O ETUC informa que um dos seus elementos-chave será o facto de "os trabalhadores terem o direito de se afastar ausentar do seu trabalho, caso os empregadores não tomem as medidas necessárias para os proteger".

 

 






Nota: tradução da responsabilidade do Departamento de SST da UGT


Aceda à versão original da publicação Aqui.

sábado, 3 de abril de 2021

DGS lança consulta pública a Guia sobre riscos psicossociais em contexto de trabalho

 


 


 imagem com DR


A Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Programa Nacional de Saúde Ocupacional (PNSOC), publica hoje, para fins de consulta pública, o Guia Técnico n.º 3 sobre “Vigilância da saúde dos trabalhadores expostos a fatores de risco psicossocial no local de trabalho”, que tem por objetivo identificar e promover boas práticas de prevenção dos riscos psicossociais e de vigilância da saúde dos trabalhadores. Pretende-se ainda que este Guia seja um referencial de orientação à atuação dos Serviços de Saúde e Segurança do Trabalho/Saúde Ocupacional (SST/SO) e dos seus profissionais nesta matéria. 


O Guia Técnico apresenta uma metodologia geral de atuação dos Serviços de SST/SO que visa estabelecer os principais fatores de risco psicossocial que as empresas devem contemplar para efeitos de avaliação de risco, identificar os principais instrumentos para proceder à avaliação dos fatores de risco psicossocial e das consequências adversas na saúde, e melhorar a metodologia de análise, avaliação e gestão dos riscos. 


Por outro lado, esta metodologia procura determinar um processo de identificação e encaminhamento (referenciação) dos trabalhadores com potenciais perturbações mentais graves e moderadas e realçar a importância da reabilitação psicossocial e da reintegração profissional destes trabalhadores, bem como identificar medidas de prevenção de âmbito geral e específico e promover a saúde mental e bem-estar no local de trabalho. 


O Guia Técnico foi coordenado pelo Programa Nacional de Saúde Ocupacional, da DGS, e elaborado por um Grupo de Trabalho Técnico-Científico e multidisciplinar que integrou peritos nacionais competentes, representantes de várias entidades e da academia, para além de técnicos da DGS. 


Este Guia assenta na análise de experiências e práticas atuais dos Serviços de SST/SO e da pesquisa e análise de boas práticas internacionais no âmbito dos riscos psicossociais. 

O período de consulta tem

 início hoje e termina às 24h00 (hora da Europa Central) de 30 de abril de 2021. O Guia Técnico está disponível no site da DGS e no microsite do PNSOC. Para participar na consulta pública deverá preencher o formulário disponível on-line através do seguinte link: https://forms.gle/eErPsRs2aX1sjReA9. 


A DGS espera que os contributos ao documento submetido a consulta pública proporcionem informações pertinentes para a melhoria do Guia Técnico. Após a conclusão da consulta pública, a DGS publicará a versão final do Guia. 


Consulte o guia técnico em discussão pública.


Abrir documento ( PDF - 3280 Kb )


FONTE: site da Direção Geral de saúde 

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Resumo - Trabalhar com LME crónicas — aconselhamento em matéria de boas práticas



imagem com DR


O presente relatório analisa em profundidade o exercício da atividade profissional com doenças musculoesqueléticas (LME) crónicas e apresenta um argumento claro quanto aos benefícios de permitir que as pessoas com patologias crónicas permaneçam no trabalho.

 

Salienta a importância da conceção de locais de trabalho inclusivos e estabelece princípios para a gestão de LME crónicas, sendo a prevenção, a intervenção precoce, a reabilitação eficaz e participativa e o planeamento do regresso ao trabalho identificados como elementos chave.

 

Os exemplos de boas práticas especificam uma vasta gama de adaptações no local de trabalho para indivíduos com LME, desde horários flexíveis até ao fornecimento das ferramentas e do equipamento ergonómico adequados. Este aconselhamento prático abrangente é complementado por recomendações mais amplas destinadas aos decisores políticos.

 

 Aceda ao documento Aqui.



Desigualdades no Trabalho e variáveis de saúde - Publicação da ETUI

  Tradução da secção n.º 4 da publicação da ETUI - "Work, health and Covid‑19: a literature review"



imagem com DR


Excertos da resolução do Parlamento Europeu sobre a proteção dos trabalhadores sazonais

 

A crise COVID-19 expôs e agravou ainda mais o dumping social e a atual precariedade das situações de muitos trabalhadores móveis empregados nos sectores agroalimentar, da construção e da saúde da UE. Numa resolução aprovada na sexta-feira, o Parlamento insta a Comissão a avaliar as condições de emprego, saúde e segurança dos trabalhadores transfronteiriços e sazonais, incluindo o papel das agências intermediárias e das empresas subcontratadas, para identificar as deficiências da legislação da UE e nacional e, eventualmente, rever as leis da UE em vigor.

 

O texto apela também a um acordo rápido e equilibrado sobre a coordenação dos sistemas de segurança social necessários para combater a fraude social e o abuso dos direitos dos trabalhadores móveis.

 

As medidas urgentes necessárias para proteger os trabalhadores sazonais e transfronteiriços instam a Comissão a emitir novas orientações específicas para os trabalhadores transfronteiriços e sazonais no âmbito do COVID-19, a propor soluções a longo prazo para lidar com práticas de subcontratação abusivas e a garantir que a Autoridade Europeia do Trabalho (ELA) se torne plenamente operacional como uma questão prioritária.

 

Os Estados-Membros devem aumentar a capacidade dos serviços de inspeção do trabalho e garantir uma habitação de qualidade, que deve ser dissociada da sua remuneração, diz o texto.


Comunidades étnicas minoritárias

 

As comunidades étnicas minoritárias nos países da UE tiveram um elevado número de infeções e mortes covid-19 desde o início da pandemia. As condições profissionais destas comunidades poderiam desempenhar um papel significativo neste domínio, uma vez que as minorias étnicas estão representadas em profissões pouco qualificadas e com baixos salários, bem como em várias profissões essenciais/essenciais.

 

Comunidades étnicas minoritárias

 

As comunidades étnicas minoritárias nos países da UE tiveram um elevado número de infeções e mortes covid-19 desde o início da pandemia. As condições profissionais destas comunidades poderiam desempenhar um papel significativo neste domínio, uma vez que as minorias étnicas estão sub-representadas em profissões pouco qualificadas e com baixos salários, bem como em várias profissões essenciais/essenciais.

Consequentemente, enfrentam condições de trabalho e de emprego semelhantes às discutidas anteriormente. Vivem em bairros precários e têm menos acesso a medidas de cuidados acessíveis. KhalatbariSoltani et al. (2020) salientam que as posições socioeconómicas estão intimamente ligadas aos níveis de educação e ao rendimento, e que "é provável que o Covid-19 siga padrões de distribuição semelhantes em termos de posição socioeconómica".

À medida que o número de casos registados entre as comunidades minoritárias em França cresceu, o governo francês decidiu investigar as causas subjacentes a esta situação.  

 

Em junho, o país alterou a regra sobre a não recolha de dados sobre a etnia e permitiu ao INSEE (Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos) examinasse os dados sobre o país de origem dos testados positivos ao vírus. O relatório do INSEE constatou que as pessoas com formação de migrantes foram afetadas duas vezes mais vezes pelo Covid-19.

 

Também notaram que as etnias concentradas em áreas densamente povoadas foram muito mais afetadas (Papon e Robert-Bobée 2020), como ilustrado pelo grande número de mortes (+120% em relação a 2019) no distrito de Seine St. Denis. Tendo em conta um resultado semelhante no Reino Unido, os serviços públicos de saúde apelaram ao desenvolvimento de "instrumentos de avaliação de risco ocupacional culturalmente competentes" para reduzir os riscos, especialmente para os trabalhadores-chave (citados em Iacobucci 2020). Esses instrumentos teriam em conta o vasto espectro de origens culturais e étnicas na mão de obra.

 

O relatório reconhece ainda que as condições específicas de racismo e de discriminação com que se defrontam os trabalhadores-chave da BAME podem ser um fator significativo nas elevadas taxas de infeção covid-19.

 

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério Público sueco, as pessoas de origem turca apresentaram as taxas de infeção mais elevadas, seguidas pelas da Etiópia, Somália, Chile e Iraque, respectivamente (Folkhalsomyndigheten 2020a).

 

Em março, os hospitais de Limburgo (Bélgica) reportaram um número desproporcionalmente maior de doentes de origem turca (Bourgrea e De Bouw 2020), enquanto foram relatados números semelhantes num estudo realizado na Holanda (Nieuwenhuis 2020).

 

De acordo com estes relatórios, as intersecções entre as profissões e as más condições de habitação são fatores que agravam a situação. Os trabalhadores de comunidades minoritárias constituem também uma percentagem significativa de trabalhadores essenciais/fundamentais em setores como os cuidados de saúde, a limpeza e a recolha e gestão de resíduos.

 

O estudo Daga et al. (2020) sobre a taxa de mortalidade mais elevada dos médicos da BAME no Reino Unido indica que os determinantes sociais desempenham um papel crítico nos resultados da pandemia.

 

Embora as condições de trabalho e as cláusulas de emprego não sejam tipicamente tão alarmantes como as dos trabalhadores temporários ou não documentados, "a etnia acumula desvantagens que tornam o rendimento secundário" Kapilashrami e Bhui (2020). No seu estudo sobre as linhas raciais do vírus, notam que a etnia sinaliza uma certa subclasse incorporada em estruturas que mantêm o status quo.

 

McClure et al. (2020) argumentam que a transmissão Covid-19 "ilustra como o capitalismo racial funciona... (com) exposição entre populações de baixos salários e trabalhadores essenciais que são desproporcionalmente minorias raciais e étnicas e imigrantes (2020: 1249).

 

Género

 

O género cruza-se com todas as condições discutidas nas subsecções anteriores. Constituindo uma grande parte da força de trabalho em serviços essenciais/de linha da frente (Fasani e Mazza 2020), as mulheres enfrentam o anfitrião de desigualdades discutidas anteriormente.

 

Isto é ainda agravado por outras condicionantes, como sendo a discriminação, o assédio sexual e os salários mais baixos do que os homens. Em termos de exposição profissional, as mulheres representam uma grande percentagem de profissionais de saúde em todo o mundo e 89% do pessoal de enfermagem na Europa.

 

O setor da saúde enfrenta um risco muito maior através da interação com os pacientes e da interação acrescida com outros profissionais de saúde. As mulheres também estão sobre representadas no trabalho doméstico, na limpeza e nos cuidados – setores tipicamente com salários baixos, pouca ou nenhuma segurança no emprego e, muitas vezes, inadequadas disposições de segurança no local de trabalho.

 

As ameaças de segurança pré-existentes tornam as condições de trabalho muito mais difíceis. O relatório da FRA da UE refere ainda que as mulheres migrantes no trabalho doméstico enfrentaram muitas ameaças de violência e assédio sexual (FRA 2019).

 

Persistem condições de insegurança semelhantes entre os trabalhadores em contextos agrícolas e industriais. A maioria da força de trabalho migrante em todo o mundo são mulheres (Foley e Piper 2020). A maioria das trabalhadoras domésticas tem contratos precários e carecem de segurança no emprego, com alguns a enfrentarem a ameaça de deportação ou de detenção se estiverem doentes ou se queixarem das condições de trabalho (Foley e Piper 2020).

 

Numa análise da igualdade de género na mão de obra em 104 países, Boniol et al. (2019) concluiu que as mulheres tinham salários significativamente mais baixos (-13% para os salários por hora para médicos e -12% para enfermeiros e parteiras) e eram muito mais propensas a ter empregos a curto prazo/a tempo parcial. Enfrentaram também um risco mais elevado de desemprego, especialmente durante uma pandemia ou recessão (Power 2020).

 

Embora os homens estejam mais em risco de graves consequências, nomeadamente de hospitalização e morte por Covid-19, dado o maior risco de infeção enfrentado pelas mulheres, é importante explorar as condições específicas do género da resposta pandémica (WindsorShellard e Kaur 2020; Womersley et al. 2020).

 

Womerseley et al. (2020) sublinham que o EPI nem sempre é projetado para se adaptar às trabalhadoras femininas, aumentando o risco de exposição. Num estudo sobre os riscos enfrentados pelas trabalhadoras durante a pandemia, Sharma et al. (2020) observou que, embora os trabalhadores da ajuda humanitária de primeira linha sejam, na sua maioria, mulheres, apenas 25% dos postos de liderança são ocupados por mulheres.

 

O enviesamento sistémico de género reflete-se na distribuição do equipamento de proteção individual e nas lacunas salariais. Além disso, as mulheres também são mais propensas a tornarem-se cuidadoras enquanto as escolas, creches e centros sociais e de saúde regulares estão fechados (Douglas et al. 2020).

 

As mulheres que trabalham em casa enfrentam o fardo adicional de cuidar – várias mulheres relataram não conseguir alcançar um bom/tolerável equilíbrio entre a vida profissional e a vida profissional e enfrentaram níveis mais elevados de stresse e de burnout (García-González et al. 2020).

 

Independentemente dos seus níveis de competência e de rendimento, as mulheres são mais propensas a enfrentar um maior fardo dos deveres familiares e de cuidados durante os períodos de crise, especialmente na ausência de cuidados infantis. Outro resultado alarmante da pandemia foi o aumento da incidência de violência doméstica contra as mulheres.

 

A ONU informa que 243 milhões de mulheres e raparigas enfrentaram violência sexual ou física por parte de um parceiro íntimo durante o ano passado 18. Chamando-lhe pandemia sombra, a ONU também observou que os empregadores tinham o dever de se preocupar com as condições de trabalho dos seus funcionários que trabalham remotamente (ONU Mulheres 2020).

 

Os empregadores também devem ser formados para ter cuidado com os sinais, ter palavras seguras e permitir a comunicação. Dadas as fronteiras esbatidas entre o trabalho e a casa, as discussões em torno da SST devem também considerar se a própria casa é um lugar seguro para os trabalhadores.

 


Nota: tradução da responsabilidade do Departamento de SST da UGT


Aceda à versão original da publicação Aqui.

Desigualdades no Trabalho e variáveis de saúde - Publicação da ETUI

 

  

 Tradução da secção n.º 4 da publicação da ETUI - "Work, health and Covid‑19: a literature review"






imagem com DR

4.3 Variáveis sociodemográficas: migração, etnia e género como fatores agravantes

 

O vírus não discrimina, mas os sistemas discriminam, alertaram os analistas no início da pandemia (Yancy 2020; Koh e Goh 2020). Esta opinião tem sido suportada pelos casos que surgiram desde então. Existe uma clara conexão no que diz respeito à saúde e segurança no trabalho e a fatores discriminatórios, uma vez que as profissões ligadas a taxas mais elevadas de exposição e mortes têm também uma maior representação das comunidades étnicas negras, asiáticas e minoritárias, migrantes e/ou mulheres (Windsor-Shellard e Butt 2020; Foley e Piper 2020; Neef 2020; Hattenstone 2020).

 

Nesta secção, examinamos as desigualdades existentes no emprego e por que razão fatores como a raça, a origem étnica, o estatuto de migração e o género se tornaram determinantes do grau de exposição e dos resultados da doença.

 

Trabalho migrante e políticas que sustentam a precariedade

 

Os trabalhadores migrantes representam uma grande parte da população ativa na UE (estimada em 13%) (Fasani e Mazza 2020).

 

Em alguns postos de trabalho, como a atividades de limpeza, ajudantes, as minas e a construção, cerca de 1/3 da força de trabalho são estrangeiros (Fasani e Mazza 2020). Todos os anos são contratados mais de um milhão de trabalhadores sazonais na UE.

 

Segundo o Parlamento Europeu, trabalham, "principalmente no setor agroalimentar: cerca de 370.000 trabalhadores em Itália, 300.000 na Alemanha, 276.000 em França e 150.000 em Espanha. No auge do primeiro confinamento, e para garantir que os trabalhadores estavam disponíveis para a época de colheita e para as fábricas de processamento, os trabalhadores sazonais foram incluídos em "novas orientações para garantir a livre circulação dos trabalhadores críticos".

 

Mão de obra barata da Bulgária, Polónia e Roménia foi transportada para a Europa Ocidental; no Canadá e nos EUA, foram feitas exceções semelhantes para garantir a disponibilização de mão de obra migrante da América Latina, México e Caraíbas (Carlos 2020; Pazzano 2020).

 

Na UE, um grande número destes trabalhadores trabalha para entidades subcontratantes, têm contratos de trabalho temporários e têm direitos limitados à segurança social e aos cuidados de saúde e, muitas vezes, não têm direito a baixa por doença remunerada.

 

Numa análise à forma como o trabalho sazonal foi encarado” em todo o mundo, Neef (2020) escreveu que, “alguns dos primeiros 100 trabalhadores romenos que foram para a Alemanha, em março, para trabalhar em explorações agrícolas, foram submetidos à chegada apenas a controlos de saúde superficiais. "Apesar dos rigorosos regulamentos governamentais, muitos trabalhadores agrícolas migrantes vivem em condições miseráveis de lotação humana — como contentores de transporte reutilizados ou barracas em campos de alojamento comunitários — onde o distanciamento físico e o acesso a condições sanitárias adequadas é quase impossível.

 

 Vários trabalhadores testaram positivo para o Covid-19, e um trabalhador romeno morreu do vírus no contentor onde vivia em meados de abril de 2020»( Neef 2020: 642).

 

De acordo com uma notícia de investigação, em julho, da EuroNews sobre trabalhadores migrantes em explorações agrícolas em toda a Europa, os trabalhadores, muitas vezes, não têm acesso a cuidados de saúde, vivem em espaços apertados, por vezes temporários, trabalham longas horas não remuneradas e têm pouco acesso à água (Borges e Huet 2020). Embora exista uma política agrícola comum da UE, as condições de trabalho dos trabalhadores agrícolas não são prioritárias na política (Borges e Huet 2020).

 

Como alguns trabalhadores trabalham para entidades subcontratantes, e não se enquadram nas regras nacionais relativas aos seguros de saúde, ao salário mínimo, às baixas por doença ou mesmo aos direitos dos trabalhadores. Embora isto reduza consideravelmente o custo da mão de obra, as consequências para os trabalhadores são imensas. Sem acesso a estes mecanismos, os trabalhadores migrantes dependem dos empregadores para garantir que as normas de saúde e segurança sejam cumpridas e não têm outra opção senão continuar a trabalhar, mesmo quando tal não acontece.

 

Como mencionado anteriormente, não ter acesso a informações sobre saúde e segurança numa língua que os trabalhadores estrangeiros possam compreender causa lacunas de informação fundamentais (Dyal et al. 2020; Liem et al. 2020). O Parlamento Europeu pediu alterações urgentes às leis relativas ao trabalho temporário dos migrantes e exigiu que os empregadores se esforçassem mais pela sua segurança social (Casa 2-3.).

 

Na sequência dos crescentes surtos de Covid-19 nas fábricas de transformação de carne, alguns governos fizeram alterações políticas significativas. Na Alemanha, como já foi referido anteriormente, a subcontratação foi proibida especificamente na indústria de transformação de carne a partir de 2021, enquanto a França também anunciou mudanças semelhantes.

 

Embora seja difícil estimar o número de estrangeiros irregulares ou trabalhadores não documentados na UE, os estudos estimam que 70% destes estrangeiros têm alguma forma de emprego (Boswell e Staubhaar 2004).

 

De acordo com estimativas da Comissão Europeia (2009), em 2007 existiam entre 4,5 milhões e 8 milhões de migrantes irregulares na Europa, estimando-se um aumento estimado de 350.000 para 500.000 por ano (CE 2009: 7).

 

Um grande número destes migrantes trabalha na agricultura, na transformação de alimentos, na construção e em hotéis, limpeza, serviços domésticos e restaurantes. Bhopal (2020a, 2020b) salienta que trabalhadores e refugiados sem documentos são especialmente vulneráveis porque não têm confiança nas autoridades, têm medo da deportação, não são alvo de quaisquer campanhas de comunicação.

 

Numa carta aberta, a Secção de Saúde Migrante e Étnica da Associação Europeia de Saúde Pública afirmou que ninguém deve ser excluído dos serviços de informação e de proteção dos cuidados de saúde (Bhopal 2020a) e apelou à suspensão temporária de quaisquer políticas que possam excluir as minorias de acederem a medidas de proteção em curso (Bhopal 2020b).

 

Os trabalhadores sem documentos, embora essenciais para vários setores, são invisíveis para a maioria das políticas de bem-estar e estão à mercê dos seus empregadores. Perante a ameaça real de desemprego, não se queixam das suas circunstâncias de trabalho (Calderone, Abel e Rosenbaum 2020).

 

Vários países da UE permitiram direitos de residência temporários e não documentados de trabalhadores migrantes durante a pandemia. Os migrantes, que podem mover-se legalmente, mas estão em situação irregular (por exemplo, os imigrantes intraeuropeus que trabalham em condições de trabalho precárias), são muitas vezes negligenciados nas discussões em torno da segurança e das melhores condições de trabalho.

 

Munck, Schierup e Delgado Wise (2012) argumentam que o atual mercado de trabalho está a produzir trajetórias de emprego cada vez mais fragmentadas, esbatendo as fronteiras entre acordos formais e informais de trabalho. O trabalho é regulamentado a nível da UE e a nível nacional e abrange um vasto leque de tipos de contratos.

 

As agências de trabalho temporário estão geralmente empenhadas no recrutamento de trabalhadores sazonais e de cuidados da Europa Oriental. Segundo o Eurostat, o trabalho das agências representa uma parte elevada do mercado de trabalho temporário; em 2019, a percentagem média de trabalhadores temporários na UE é maior (quase 14%) para os migrantes intra-UE. Certamente, em tempos de crise, como a pandemia Covid-19, o trabalho temporário da agência pode conduzir a uma maior precariedade no mercado de trabalho.



Nota: tradução da responsabilidade do Departamento de SST da UGT


Aceda à versão original da publicação Aqui.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

É tempo de tomar medidas contra as lesões musculoesqueléticas crónicas no local de trabalho

 


imagem com DR

Como podemos evitar que as LME relacionadas com o trabalho se tornem crónicas? Qual é a melhor forma de ajudar os trabalhadores com LME crónicas a regressar ao trabalho ou a continuar em atividade? A nova área prioritária no nosso sítio da campanha «Aliviar a carga» — uma secção dedicada recheada estudos de caso, resultados da investigação e ferramentas e conselhos práticos — explica tudo.

 

À medida que a população ativa da Europa vai envelhecendo e a idade de acesso à pensão de velhice vai aumentando, a intervenção precoce e abordagens eficazes para gerir as LME crónicas são fundamentais para reter trabalhadores valiosos e impulsionar as empresas e as economias.

 

Consulte já a área prioritária das doenças crónicas 

 

Fique a par de tudo o que diz respeito à campanha «Aliviar a carga» 

 

Explore as nossas ferramentas e orientações práticas sobre a gestão das doenças crónicas   

 

Fonte:

Conteúdo retirado, na íntegra, do site da UE-OSHA

BOLETIM ESTATÍSTICO SOBRE SINISTRALIDADE LABORAL

 


imagem com DR


O Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho tem uma nova publicação informativa - "Boletim Estatístico sobre Sinistralidade Laboral” que terá uma periodicidade trimestral.

 

Esta Boletim reveste-se da maior importância para a SST, na justa medida em que é importante  proceder-se à análise estatística dos acidentes de trabalho, utilizando fontes que permitam a interpretação quantitativa e qualitativa dos dados nacionais e internacionais.

 

É uma atividade que se encontra em permanente atualização, à medida que os indicadores são recolhidos no GEP e no Eurostat.

 

Muitas vezes, só é possível termos uma argumentação mais assertiva com os empregadores, se nos socorrermos de dados, de números e de estudos académicos.

 

Este Boletim é apenas mais um contributo para esse fim.


O Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) é o organismo nacional responsável pela recolha, validação e tratamento da informação constante das participações dos acidentes de trabalho às Companhias de Seguros. Esclarece-se que a informação aqui utilizada, cuja fonte é o GEP, inclui os acidentes registados com trabalhadores deslocados no estrangeiro, incluindo, igualmente, os acidentes ocorridos na Administração Pública com subscritores da Caixa Geral de Aposentações (cuja inclusão se registou no tratamento estatístico referente ao ano 2017).

 

Permanecem excluídos os acidentes de trabalho em trajeto. Mais se acrescenta que nestes dados constam elementos referentes ao momento da ocorrência do acidente e, também, da informação proveniente do mapa de encerramento do processo que diz respeito às consequências do acidente ou, no limite, um ano após a ocorrência do acidente, caso este ainda não esteja clinicamente concluído.

 

Refere-se, ainda, que a contagem do número de acidentes mortais e do número de acidentes com ausência ao trabalho e respetivos dias, se faz até ao limite de um ano após a ocorrência do acidente.

 

 Por último, de referir que este Boletim apresenta os resultados da evolução da sinistralidade laboral entre 2011 e 2018 – últimos dados disponíveis.

 

Aceda à publicação Aqui.