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segunda-feira, 28 de junho de 2021

Agricultura e silvicultura: como as alterações climáticas estão a criar novos riscos emergentes - parte II

  


imagem com DR


Implicações e recomendações

 

As práticas agrícolas e de trabalho florestal terão de ser adaptadas para minimizar o impacto destes riscos; tal pode incluir a adaptação dos locais de trabalho para proporcionar maior sombra, sistemas de ventilação e arrefecimento suficientes; modificação do horário de trabalho e planeamento de trabalhos para evitar o calor e as condições climáticas extremas; e uma monitorização mais prática ou inteligente das condições dos trabalhadores, tais como a hidratação (consumo de água) e o calor corporal através da utilização de EPI inteligentes.

 

Medidas como sistemas climáticos mais preditivos e programas de promoção e sensibilização para a saúde sobre a exposição às doenças solares, térmicas e transmitidas por insetos também poderiam ajudar. À medida que os efeitos das alterações climáticas se fazem sentir em toda a Europa através do aumento das temperaturas e do aumento do número de eventos climáticos extremos, as avaliações dos riscos no local de trabalho terão de ser atualizadas em toda a Europa para ter em conta a realidade climática emergente e as estações extremas vividas nos locais de trabalho.

 

Está a ser publicado um número crescente de recursos sobre SST relacionados com os riscos das alterações climáticas no setor, com exemplos sobre a gestão do stresse térmico da França, do Reino Unido e da Austrália; sobre a exposição solar/UV da Austrália, Canadá, Alemanha e Estados Unidos; e sobre a recuperação de inundações e incêndios florestais nos Estados Unidos.

 

Conclusão

 

As alterações climáticas estão a ter cada vez mais impacto na produção agrícola e no trabalho florestal, e trarão uma maior incerteza ao planeamento das práticas agrícolas e florestais. Estes impactos consistirão no seguinte: 

- a necessidade de adaptar as práticas agrícolas e florestais, em conformidade com as estratégias de mitigação dos GEE e de proteção do ambiente (regras de condicionalidade ao abrigo da PAC e da Estratégia "Farm to Fork");

- a necessidade de adaptar as práticas agrícolas à alteração dos padrões de precipitação e de outras alterações climáticas; 

- aumento das perdas financeiras e dos custos dos seguros causados por eventos climáticos extremos; 

- e o enfraquecimento da competitividade dos agricultores europeus nos mercados mundiais.

 

As alterações climáticas terão impactos substanciais na SST. Eventos climáticos extremos, exposição ao calor e ao sol, doenças transmitidas por insetos, exposição a poeiras e pesticidas, aumento da utilização de pesticidas para combater o crescimento de insetos e riscos específicos da silvicultura (por exemplo, perigo extremo de limpeza de árvores danificadas pelo tempo e insetos) são apenas alguns.

 

As práticas agrícolas e de trabalho florestal terão de ser adaptadas para minimizar o impacto destes riscos, tais como modificar o horário de trabalho e planear o trabalho para evitar o calor e as condições climáticas extremas, e um maior controlo prático das condições dos trabalhadores, como o consumo de água, o calor corporal, etc...

 

O incumprimento cruzado e a pressão para cumprir as metas das alterações climáticas e os regulamentos ambientais são frequentemente citados como um fator de stress importante por parte dos agricultores do sector.

 

Isto irá juntar-se aos já numerosos desafios de saúde mental resultantes da longa lista de pressões psicossociais a que os agricultores e os silvicultores estão atualmente sujeitos e continuarão a experimentar no futuro.



Tradução da responsabilidade do Departamento de SST 


Aceda à versão original Aqui


sexta-feira, 25 de junho de 2021

Ferramentas OiRA - Setor da Construção


Estas ferramentas de avaliação de riscos são interativas, gratuitas e podem ser utilizadas on line por todos os profissionais do setor que pretendam avaliar os riscos no seu local de trabalho.

 

O relatório final da avaliação de riscos, impresso a partir das ferramentas, deverá ser assinado pelo técnico ou técnico superior de segurança do trabalho, ou pelo empregador ou trabalhador designado (no caso do estabelecimento ou conjunto de estabelecimentos distanciados até 50km do de maior dimensão, que empregar no máximo 9 trabalhadores).

 

Os instrumentos de avaliação de riscos disponibilizados permitem assegurar o cumprimento da lei, não dispensando no entanto, sempre que outros riscos sejam identificados e que não constem nas ferramentas, a sua integração na avaliação de riscos global.

 

As ferramentas disponibilizadas não têm carácter obrigatório, constituindo apenas um instrumento de avaliação de riscos opcional.

 

As ferramentas também podem ser acedidas através de aplicação móvel.

 

Veja aqui mais informações sobre as ferramentas OiRA.

 

Veja aqui o vídeo explicativo de utilização das ferramentas OiRA


Ferramentas OiRA - Construção


   Reabilitação e remodelação de edifícios



      

 COVID-19 



 


Fonte: ACT

Ficha Informativa - Mantenha-se em movimento no trabalho

 


imagem com DR

Uma maior atividade física no local de trabalho pode ajudar a prevenir problemas de saúde, tais como as lesões musculoesqueléticas (LME) ou a doença cardíaca associada ao trabalho sedentário, e a melhorar o desempenho.

A presente ficha informativa descreve sucintamente as atuais recomendações de saúde e contém algumas dicas simples para empregadores e trabalhadores, tais como efetuar pequenas pausas regulares, caminhar enquanto fala ao telefone, realizar intervalos nas reuniões para esticar os músculos ou adotar uma «posição sentada dinâmica», com conselhos específicos para os motoristas.

Apresenta exemplos de programas bem-sucedidos e recursos para o debate de ideias no local de trabalho, bem como hiperligações para obter mais informações e sugestões. Ao trabalhar em conjunto, os empregadores e os trabalhadores podem encontrar formas práticas para promover formas mais ativas de trabalhar. Todos a esticar os músculos!

 Fonte: OSHA


Aceda à Ficha Informativa aqui

Documento de reflexão da ETUI - Empregos de qualidade: Proteger a saúde ao combater o trabalho precário - parte I I


Princípio – Emprego

'Independentemente do tipo e duração da relação de emprego, os trabalhadores têm direito a tratamento justo e igualitário em relação às condições de trabalho, acesso à proteção social e formação. [...] As relações de trabalho que levem a condições precárias de trabalho devem ser impedidas, nomeadamente através da proibição do abuso de contratos atípicos.'

 

Plano de Ação

A Comissão está a reunir evidências sobre as condições de trabalho nas plataformas, bem como sobre o uso do trabalho temporário em agências (em particular, no contexto do trabalho transfronteiriço).


Trata-se de uma área que requer atenção e ação urgentes, especificamente no que diz respeito aos trabalhadores temporário e à mitigação do impacto do Covid-19 sobre os trabalhadores em situações precárias. 


Embora sejam bem-vindas mais evidências sobre as condições de trabalho na economia de plataforma, é claro que devem ser evitados os riscos psicossociais no trabalho temporário devido à insegurança no trabalho, à insegurança financeira e às exigências emocionais (Bérastégui 2021).


Os trabalhadores em empregos que já eram precários antes da pandemia correm o risco de se tornarem ainda mais inseguros. Com poder de negociação limitado, estarão mais vulneráveis a tratamentos injustos. Poderão enfrentar o desemprego sem serem oficialmente demitidos — por exemplo, por não terem contratos renovados ou verem uma redução do seu horário de trabalho para zero - e, como resultado, não serão elegíveis para o subsídio de desemprego.


Estes trabalhadores deveriam ter acesso garantido à proteção social.

 

Princípio – Salários

"Os trabalhadores têm direito a salários justos que proporcionem um padrão de vida digno. [...] A pobreza no trabalho deve ser evitada.

 

Plano de Ação

Em outubro de 2020, a Comissão apresentou uma proposta de Diretiva sobre Salários Mínimos Adequados.


O serviço jurídico do Conselho Europeu confirmou que a Diretiva sobre Salários Mínimos Adequados tem a base jurídica correta, sendo agora hora de avançar rapidamente para garantir salários mínimos estatutários adequados que protejam todos os trabalhadores e garantam, no mínimo, um padrão de vida digno, o respeito pelo direito à negociação coletiva e aumentos reais na cobertura da negociação coletiva.


Salários mínimos justos e dignos têm um impacto real na redução da pobreza no trabalho, mas ter um emprego não é necessariamente suficiente para garantir o bem-estar individual e a proteção contra a pobreza.


Os padrões salariais têm que ser apoiados através de um conjunto mais amplo de políticas que tenham impacto direto, como sendo os benefícios familiares e as políticas ativas do mercado de trabalho, ou um impacto indireto, como o acesso a creches, a transporte, a habitação digna e à saúde (Peña-Casas e Ghailani 2020).

 

Princípio - Diálogo social e envolvimento dos trabalhadores

"Os parceiros sociais deverão ser consultados relativamente ao desenho e implementação de políticas económicas, de emprego e sociais, de acordo com as práticas nacionais.".

 

Plano de Ação

A Comissão apresentou, juntamente com o Plano de Ação, uma Recomendação de Apoio Ativo Efetivo ao Emprego (EASE) que incentiva os Estados-Membros a confiar no diálogo social e a envolver parceiros sociais na conceção, implementação e avaliação das políticas que elaboram para enfrentar os desafios do mercado de trabalho criados pela crise do Covid-19.


A participação dos trabalhadores é fundamental para o desenvolvimento e implementação de políticas que combatam o trabalho precário. 


Os sindicatos têm cada vez mais encetado tentativas de combate à precariedade e de melhoraria das condições de trabalho dos trabalhadores em situações precárias há muitos anos. As evidências mostram que os mercados de trabalho formais – que têm níveis mais elevados de densidade sindical, cobertura de negociação coletiva e maior investimento em políticas ativas do mercado de trabalho – constituem um forte indicador de melhor saúde populacional (Benach et al. 2014).


A presença sindical num local de trabalho pode ser considerada como medida da SST, uma vez que está associada a uma melhor saúde mental e física dos trabalhadores individuais (Wels 2020). Os acordos coletivos reduzem a pobreza e possibilitam condições de trabalho mais saudáveis, por exemplo, por meio de provisões de formação para representantes dos trabalhadores em SST (OMS 2019; UE-OSHA 2017).


Esses acordos também contribuem para a redução das desigualdades na saúde quando incluem os mais vulneráveis no mercado de trabalho e os capacitam e apoiam a alcançar oportunidades e benefícios iguais, bem como a garantir condições de trabalho financeiras e físicas justas e dignas. Portanto, o enfraquecimento das estruturas de negociação coletiva em alguns países é altamente alarmante e impede a evolução positiva da sociedade.

 

Princípio - Ambiente de trabalho saudável, seguro e bem adaptado

"Os trabalhadores têm direito a um nível elevado de proteção da sua saúde e segurança no trabalho".

 

Plano de Ação

Nova Estratégia de Segurança e Saúde Ocupacional da UE (2021-2027).


Independentemente da categoria a que pertence um trabalho, todos os trabalhadores devem desfrutar do mesmo elevado nível de proteção contra exposição a fatores de risco físicos, químicos, biológicos, ergonómicos e psicossociais. A crise do Covid-19 em curso evidenciou os muitos riscos que os trabalhadores enfrentam, seja devido ao teletrabalho não planeado e não regulamentado ou aos perigos enfrentados por aqueles que não podem recorrer ao teletrabalho: trabalhadores de saúde, de limpeza, professores, enfermeiros, do comércio, da manutenção, trabalhadores agrícolas e trabalhadores dos transportes.


O PA observa que as medidas sólidas em matéria de SST, para fatores de risco psicossociais e organizacionais em particular, são indispensáveis e devem responder às realidades do mundo do trabalho em mudança. Os riscos psicossociais são generalizados em setores dominados por mulheres, tornando-se uma importante interligação entre a SST e a igualdade de género.


Além disso, a legislação da UE OSHA constitui um pré-requisito essencial, mas não suficiente para garantir condições de trabalho saudáveis e seguras para todos os trabalhadores. O escrutínio crítico e a atualização contínua da legislação, bem como a adequada implementação e aplicação das regras, são essenciais para que ela corresponda à realidade vivida dos trabalhadores; um caso em questão é a Diretiva-Quadro da UE sobre a SST (Diretiva 89/391 CEE) que não abrange trabalhadores de plataformas nem aborda riscos psicossociais.

 

Conclusão: o Plano de Ação deveria ser utilizado para melhorar a equidade no trabalho e na saúde

O facto é que o emprego precário piora as condições de trabalho e a Segurança e a Saúde no Trabalho, aumenta a desigualdade e a pobreza e pode conduzir à saúde precária. A pandemia Covid-19 em curso é uma crise sanitária que vai além da ameaça iminente do vírus SARS-Cov-2; a crise económica resultante poderia aumentar ainda mais a prevalência de trabalho precário, entrincheirando a sua presença nos mercados de trabalho europeus, com efeitos potencialmente duradouros sobre a saúde.


O artigo 168 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFEU) sobre a saúde pública estabelece que a ação da UE deve ser dirigida para prevenir distúrbios e doenças físicas e mentais e evitar fontes de perigo para a saúde física e mental. O princípio fundamental da Diretiva-Quadro da UE OSHA (Diretiva 89/391/CEE) que protege a segurança e a saúde dos trabalhadores é a prevenção.


Quando "voltar a construir" melhor – e de forma mais justa – e pensar sobre o que a União Europeia da Saúde poderia realmente ser, a qualidade do trabalho e do emprego deverá ser levada a sério enquanto determinantes da saúde.


A boa notícia é que a saúde relacionada com o trabalho é favorável às intervenções políticas, uma vez que a resolução do trabalho precário por si só pode ajudar a reduzir o número de pessoas em risco de stresse e ansiedade económicos, psicológicos e físicos.


O Plano de Ação deverá ser utilizado como ferramenta para enfrentar problemas da vida real e o trabalho precário é um deles. O Plano de Ação afirma: "Ter um emprego de qualidade é uma fonte fundamental de rendimento, propósito e realização, e é essencial para a inclusão social e para a participação ativa na sociedade".


Os empregos de qualidade são essenciais para uma recuperação justa – e o trabalho precário constitui uma grande barreira. Se isso for reconhecido na implementação do Plano de Ação, promete ser uma solução que reduzirá os custos humanos e económicos desta crise, tanto a curto como a longo prazo, através da quebra de ciclos inter-geracionais de desvantagem e prevenindo o risco de pobreza e exclusão social.


Por fim, o Plano de Ação deve ser utilizado para apoiar uma recuperação justa; os direitos universais constituem uma base, mas as políticas que combatem as desigualdades têm que ser bem direcionadas para fazerem a diferença real.

 

Aceda à versão original Aqui.


Tradução da responsabilidade do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho

 


 

 

LME e riscos psicossociais: como a redução do stress no trabalho pode ajudar à recuperação e ao regresso ao trabalho

 


 


imagem com DR

As lesões musculoesqueléticas relacionadas com o trabalho (LME) estão associadas não apenas a riscos físicos, mas também a fatores de risco psicossocial, tais como a insegurança no trabalho e o baixo apoio social. Um novo documento de reflexão investiga o efeito dos riscos psicossociais decorrentes do regresso ao trabalho com uma LME.

 

O documento conclui que os fatores importantes para um regresso bem sucedido ao trabalho incluem uma avaliação global dos riscos físicos e psicossociais, um programa de regresso ao trabalho planeado que envolva o trabalhador no processo e um ambiente de trabalho positivo e favorável. O documento estabelece os princípios de boas práticas e é ilustrado com exemplos de diferentes setores.

 

Leia o documento de reflexão sobre os riscos psicossociais e o regresso ao trabalho após LME

 

Consulte o sítio Web da Campanha Locais de Trabalho Saudáveis 2020-2022  para mais informações sobre prevenção e gestão de LME


Receba mais dicas de trabalhadores saudáveis, empresas prósperas: um guia prático para o bem-estar no trabalho

Agricultura e silvicultura: como as alterações climáticas estão a criar novos riscos emergentes - parte I



imagem com DR


 Os efeitos das alterações climáticas terão um impacto significativo na agricultura e na silvicultura. A nossa nova síntese informativa analisa a forma como estas alterações afetarão a segurança e saúde no trabalho (SST) no referido setor.

 

Para adaptar as práticas de trabalho de modo a ter em conta os efeitos das alterações climáticas é necessária uma avaliação dos riscos novos e emergentes, tais como a maior exposição ao calor, a doenças, a pragas e a poeiras. A síntese analisa também a forma como estas alterações afetarão os riscos psicossociais a que estão sujeitos os agricultores e silvicultores, sendo incerto até que ponto o impacto das alterações climáticas na produção — e a exigência de cumprir os requisitos da UE para atenuar as alterações climáticas e adaptarmo-nos aos seus impactos — poderá ser uma causa de stresse considerável.


O Departamento de SST da UGT procedeu à tradução desta Ficha Técnica. 


IMPACTO DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS NA SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO

 

Contextualização

 

Este resumo da política resume o impacto projetado das alterações climáticas na segurança e saúde no trabalho (SST) e baseia-se num relatório da Agência Europeia para a Segurança e saúde no Trabalho (UE-OSHA) sobre o futuro da agricultura e da SST, que fornece uma análise exaustiva dos novos riscos emergentes e do seu impacto no OSH no sector (UE-OSHA) , 2020).

 

Introdução

 

A agricultura é responsável por 12 % de todas as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) na União Europeia (UE) (CE, 2017). A pressão exercida sobre os setores agrícola e florestal, como em todos os outros setores, para contribuir ainda mais para a mitigação dos GEE e melhorar o desempenho ambiental em geral continuará a aumentar.

Os agricultores são já responsáveis por assegurar o cumprimento de muitas normas ambientais através da atual política agrícola comum (PAC), e a pressão sobre o cumprimento do ambiente aumentará no âmbito da Estratégia Agrícola da UE (CE, 2020).

 

Além de contribuir para os efeitos das alterações climáticas através das emissões de GEE, a produção agrícola é, por si só, afetada pelas alterações climáticas. De acordo com o Painel Inter-governamental para as Alterações Climáticas (IPCC), os principais efeitos das alterações climáticas que influenciam a produção alimentar são as alterações na precipitação, temperatura e periodicidade e gravidade de eventos climáticos extremos e subida do nível do mar.

 

Todos estes fatores vão provocar uma série de alterações na sua maioria negativas na produção de alimentos (IPCC, 2019). Por um lado, o rendimento das culturas no norte da Europa pode aumentar em consequência de temperaturas mais elevadas, e certas culturas podem expandir-se mais para norte.

 

Por outro lado, a seca e o stresse térmico nas plantas e nos animais, as alterações na fenologia das culturas e a extensão das pragas e doenças vegetais, terão um impacto negativo na produção noutras regiões específicas (OMM, 2020).

 

A alteração dos padrões de precipitação também afetará o setor, aumentando ainda mais as necessidades de irrigação. Os agricultores terão de modificar os tipos de culturas que cultivam, adaptando o cultivo e até as raças animais de acordo com as alterações climáticas.

 

No sector florestal, são necessárias medidas técnicas como focos de incêndio mais eficazes e a limpeza consistente de madeira de mato para mitigar os riscos de incêndios florestais, uma vez que o calor extremo aumenta a sua probabilidade.

 

Calor intenso, risco de incêndio e alteração dos padrões de precipitação também podem influenciar decisões sobre o tipo de árvores para plantar em novas florestas, para promover espécies resistentes à seca e às altas temperaturas, ou mesmo espécies menos inflamáveis.

 

Globalmente, as alterações climáticas contribuirão para uma maior imprevisibilidade e riscos para as culturas, os animais e os agricultores. Outras pressões ambientais que afetam o sector agrícola incluem o compromisso da UE de reduzir a utilização de pesticidas através da Diretiva relativa à utilização sustentável dos pesticidas e a abordagem geral da Comissão Europeia no sentido de práticas integradas de gestão de pragas (IPM).

 

Estas foram reforçadas com as ambiciosas metas de redução de pesticidas na estratégia da UE para a criação de garfos, com o objetivo de reduzir a utilização de pesticidas em 50 % antes de 2030.

 

Os GEE e a regulamentação ambiental (por exemplo, sobre os pesticidas) irão aumentar a pressão sobre os agricultores e os silvicultores, obrigando-os a modificar as práticas agrícolas para os tornar mais amigos do ambiente e melhorar o seu desempenho ambiental em geral.

 

As práticas agrícolas e silvícolas terão de ser adaptadas às alterações climáticas resultantes das alterações climáticas, e os agricultores e os silvicultores serão pressionados a aplicar medidas ambientais e regulamentares mais rigorosas da UE para limitar os impactos das alterações climáticas.

 

Impacto das alterações climáticas na SST

 

O setor agrícola e florestal é já um dos sectores mais perigosos para o trabalho. O impacto das alterações climáticas no ambiente de trabalho aumentará ainda mais uma série de riscos já graves para os agricultores e silvicultores e trará novos desafios (Adam-Poupart et al., 2013; Applebaum et al., 2016; Levy e Roelofs, 2019).

 

À medida que os eventos climáticos extremos aumentam, isso resultará em condições de trabalho mais adversas e inseguras. Eventos climáticos extremos, como tempestades, inundações e secas, e os incêndios florestais resultantes, criam riscos tanto enquanto estão a ocorrer como no rescaldo. Por exemplo, a limpeza do vento é uma das operações mais perigosas na silvicultura. As taxas de acidentes aumentam constantemente após este tipo de eventos.

 

Vários estudos apontam para uma ligação entre as temperaturas ambientes extremas e o risco aumentado de lesões profissionais (Bonafede et al., 2016; Martínez-Solanas et al., 2018).

 

O calor é um grande risco para a saúde dos trabalhadores que trabalham no exterior. Pode causar desidratação, exaustão de calor e insolação, e pode até resultar em perda de consciência e ataques cardíacos em circunstâncias extremas.

 

A utilização de equipamento de proteção individual (EPI) em condições de calor extremo é particularmente desafiante, especialmente na silvicultura, onde aumenta o esforço e o stress do trabalho. Os agricultores estão entre os trabalhadores com maior risco de desenvolver cancro da pele porque estão expostos ao sol diariamente (Adam-Poupart, 2013).

 

Na UE, os agricultores e os silvicultores estão cada vez mais expostos a doenças animais e insetos provenientes das regiões vizinhas, uma vez que os invernos amenos incentivam a sua propagação. Por exemplo, as doenças transmitidas pelo carrapato (como a doença de Lyme e a encefalite transmitida pelo carrapato) continuam a espalhar-se da Europa Central e Oriental para o Ocidente.

 

Espera-se também que o aumento das temperaturas aumente o desenvolvimento e o crescimento de pragas entre as plantas, o que provavelmente levará a um aumento da utilização de pesticidas (Boxall et al., 2010). Isto também irá provavelmente dificultar os esforços da UE para reduzir significativamente as quantidades de pesticidas utilizados.

 

À medida que o clima se torna mais seco na Europa, haverá um aumento da exposição ao pó de silicato na agricultura. No entanto, dado que se avança a tecnologia dos tratores, a melhor ventilação da cabine e até os tratores sem condutor e as máquinas agrícolas podem oferecer benefícios para a proteção dos trabalhadores, retirando ou distanciando o trabalhador da zona de exposição.

 

Estudos também mostram que o stress que as alterações climáticas colocam nos agricultores e florestais está ligado a distúrbios psicológicos como ansiedade, distúrbios de humor, stress e depressão. Do mesmo modo, o medo, o desespero, os sentimentos suicidas, o aumento do consumo de drogas e as mortes relacionadas com o calor têm sido associados a alterações climáticas adversas (Fritze et al., 2008; Honda et al., 2013; Page e Howard, 2010; Natação et al., 2011).

 

Gerir o sofrimento mental causado pelas alterações climáticas, adaptar a produção às mudanças de temperatura e padrões de precipitação e, finalmente, lidar com o calor, novas doenças, secas e desastres naturais são desafios futuros para o OSH (Vins et al., 2015).

 

A crescente incerteza da agricultura e das perdas financeiras resultantes de condições climáticas extremas contribuirá para esta pressão.


Tradução da responsabilidade do Departamento de SST 


Aceda à versão original Aqui


Agricultura e silvicultura: de que forma irão as alterações climáticas afetar a segurança e a saúde dos trabalhadores?

 

imagem com DR


As alterações climáticas representam um desafio maior para a agricultura e a silvicultura do que provavelmente para qualquer outro setor. Uma nova síntese informativa analisa as implicações desta situação para a segurança e saúde no trabalho (SST).


O aumento das temperaturas e da frequência de fenómenos meteorológicos extremos exige a avaliação dos riscos emergentes e a adaptação das práticas de trabalho, por exemplo, para evitar a exaustão devido ao calor e a exposição a poeiras e doenças.


A síntese apresenta recomendações para minimizar os riscos, tais como programas de sensibilização e um acompanhamento mais proativo da saúde física e mental dos trabalhadores.


Consulte a síntese informativa sobre o impacto das alterações climáticas na agricultura e na silvicultura


Consulte a síntese informativa sobre as questões de SST com que se defronta o setor agrícola e florestal


Para mais informações, aceda ao relatório da EU-OSHA sobre o futuro da agricultura e silvicultura e a SST