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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

A favor de novas regras de proteção contra os desreguladores endócrinos




A Confederação Europeia dos Sindicatos (CES) declarou, numa consulta pública organizada pela Comissão Europeia, que a legislação atual sobre os desreguladores endócrinos é insuficiente e inconsistente.

Os desreguladores endócrinos interferem com o sistema hormonal de uma pessoa, impedindo o seu funcionamento correto. Como resultado disso, encontram-se relacionados a inúmeros efeitos nocivos em pessoas expostas, bem como nos seus filhos: uma queda na fertilidade, obesidade, diabetes etc. Também são considerados como uma das causas para o aumento de cancros de origem hormonal, como o cancro da mama, da próstata ou da tiroide.
Em resposta a este flagelo, a CES destaca duas prioridades:

Atualmente, não existe legislação europeia sobre regras específicas de prevenção relacionadas com a exposição a desreguladores endócrinos no local de trabalho. Essa lacuna é preocupante, uma vez que diversos dados mostram que, em certos setores, a exposição no local de trabalho é frequente, com graves consequências para a saúde. Este é especialmente o caso de setores como os cabeleireiro, a saúde, a limpeza,a  agricultura ou a indústria de plásticos.

A inclusão de substâncias reprotóxicas no escopo de aplicação da diretiva da UE sobre a proteção dos trabalhadores contra os riscos relacionados à exposição a agentes cancerígenos ou mutagénicos no trabalho seria um passo importante na direção certa. Inúmeros disruptores endócrinos usados ​​nos locais de trabalho (como o bisfenol A e vários ftalatos) já foram identificados como sendo também reprotóxicos.

A legislação europeia que trata dos desreguladores endócrinos em outros campos é inconsistente. É o caso do regulamento sobre pesticidas e biocidas e do regulamento mais geral sobre a comercialização de substâncias químicas (REACH).

A CES é a favor de uma classificação de desreguladores endócrinos, usando os mesmos princípios que os aplicados a agentes cancerígenos, mutagénicos e substâncias reprotóxicas. Essa classificação distinguiria três categorias:

- Substâncias conhecidas por possuírem potencial cancerígeno para o ser humano com base em evidências humanas (categoria 1A);

- Substâncias que se presume possuírem um potencial cancerígeno para seres humanos com base em evidências em animais (categoria 1A).

- Substâncias suspeitas de ter um potencial cancerígeno com base nos dados existentes (categoria 2).

Para Tony Musu, investigador da ETUI, “não existe um nível seguro de exposição abaixo do qual os desreguladores endócrinos não tenham efeitos prejudiciais para a saúde. É por isso que a sua substituição é uma prioridade. A escolha de substitutos deve ser feita de forma a eliminar o risco e não apenas substituir uma substância perigosa por outra igualmente perigosa.”

Nota: Tradução da responsabilidade do Departamento de SSt da UGT

Aceda à versão original aqui.




terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

JOGO, INTERNET E OUTROS COMPORTAMENTOS ADITIVOS – DOSSIER TEMÁTICO






Publicação do SICAD


“ Este volume inaugura uma coleção de dossiers temáticos sobre comportamentos aditivos produzidos em parceria com especialistas do meio académico e profissionais do terreno. Desta forma, o SICAD procura dinamizar a Rede Nacional de Investigadores em CAD e estimular a produção de conhecimento científico sobre comportamentos aditivos junto da comunidade académica e profissional, que são competências suas.”

O primeiro dossier temático confere enfoque no jogo e no uso problemático da internet, os chamados comportamentos aditivos sem substância a que geralmente se confere menos importância. Outros que podemos apontar a dependência aos telemóveis, ao sexo/pornografia, às compras, ao trabalho, à comida, ao exercício e à aparência física e até à acumulação de lixo.

Fonte: SICAD

Aceda ao documento Aqui.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Campanha UE-OSHA 2020 – 2022





A campanha 2020-22 concentra-se na prevenção de lesões musculosqueléticas (LME) relacionadas com o trabalho.

As lesões musculosqueléticas continuam a ser um dos tipos mais prevalentes de problemas de saúde relacionados com o trabalho na Europa.


Riscos relacionados com a postura, a exposição a movimentos repetitivos ou a posições cansativas ou dolorosas, a elevação ou deslocação de cargas pesadas — todos estes fatores de risco muito frequentes podem causar lesões musculosqueléticas. Dada a generalização das lesões musculosqueléticas (LME) relacionadas com o trabalho, é evidente que é necessário fazer mais para aumentar a sensibilização para formas de prevenção.


A campanha proporciona uma visão de conjunto das causas deste problema persistente. Visa divulgar informação de elevada qualidade sobre esta matéria, estimular uma abordagem integrada para gerir o problema e oferecer ferramentas e soluções práticas que possam ajudar no local de trabalho.


Para saber mais sobre a temática das lesões musculosqueléticas aceda Aqui.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Impressão 3D: uma nova revolução industrial






A impressão 3D é uma atividade industrial relativamente nova e pouco se sabe ainda sobre o seu potencial impacto na Segurança e Saúde no Trabalho.

Este artigo especializado apresenta uma breve introdução à impressão 3D e analisa os riscos que envolve.

Permite uma melhor compreensão das questões inerentes a esta nova atividade e das alterações necessárias para que a mesma seja segura e saudável para os trabalhadores.

Assim, são analisadas algumas questões essenciais relativas às oportunidades e aos desafios que a emergente indústria de impressão 3D implica para empregadores e trabalhadores e ainda para os novos empreendedores, que trabalham a partir de casa ou de locais de trabalhos informais.

 O presente documento de reflexão tem por objetivo dar a conhecer a tecnologia de impressão 3D e explorar o seu impacto potencial, não só nos ambientes de trabalho já existentes, mas também nos novos ambientes.

Por fim, serão tecidas algumas recomendações ao nível europeu relativamente às medidas a tomar para que a impressão 3D proporcione um ambiente de trabalho mais seguro, saudável e gratificante, quer no contexto da relação empregador-trabalhador, quer no novo contexto informal do «auto-empreendedor».

Fonte: Introdução

Aceda à publicação Aqui.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Prevenir o legado do cancro - ETUI - Laurent Vogel


Ainda sob a égide das comemorações ontem assinaladas, o Departamento de SST da UGT procedeu à tradução do editorial da Revista Hesameg do ETUI, assinado pelo investigador, Laurent Vogel, por considerarmos da maior importância a abordagem que traça, quando relaciona a incidência do cancro nas crianças com as condições de exposição a agentes cancerígenos dos seus pais

 Segue a tradução adaptada:

Já se sabe há algum tempo que a exposição dos pais a agentes cancerígenos pode comprometer a saúde dos seus filhos.

Nos anos 50, os investigadores estudavam crianças nascidas de pessoas que tinham sido irradiadas pelas bombas atómicas americanas lançadas em Hiroshima e Nagasaki, no Japão.

Se considerarmos o facto de que todos os países europeus, na atualidade. têm registos sobre a incidência do cancro, essa questão torna-se ainda mais interessante.

Esses registos já apontam para tendências preocupantes, como o rápido aumento da incidência de cancros na infância e na adolescência, uma conclusão que vem contradizer um dos argumentos favoritos, repetidos muitas vezes pelos lobbies da indústria química, ou seja, que a principal causa do aumento do cancro é devido ao envelhecimento da população.

Até recentemente, nenhuma equipa de investigação havia tentado comparar os dados registados sobre cancro com as informações sobre a exposição ocupacional dos progenitores.

Foram realizadas outras pesquisas que utilizaram metodologias diferentes. Por exemplo, em 1998, um artigo destacou o facto de em 48 documentos que foram publicados, serem estabelecidos mais de 1000 vínculos entre o cancro na infância e o trabalho dos pais. Se elaborássemos hoje uma lista assim, certamente seria mais longa.

Há alguns meses, foram publicados os resultados de um novo estudo dinamarquês sobre o cancro na infância e na adolescência em filhos de pais que trabalham nos setores da pintura e da impressão gráfica.

Os investigadores reuniram casos de leucemia, de cancros do sistema nervoso central e de cancros pré-natais (aqueles que se desenvolveram ainda no útero). Utilizando o número de identificação civil que é atribuído a todas as pessoas que residem permanentemente na Dinamarca, foi possível identificar os pais e estabelecer o seu percurso no trabalho.

A pesquisa analisou mais de 8.000 casos de cancro registados em crianças com menos de 19 anos que foram diagnosticados entre 1968 e 2015. Foi assim possível calcular o risco associado a terem um pai ou a uma mãe a trabalhar na indústria de tintas ou da impressão gráfica.

Essa investigação confirma a ligação entre a ocorrência de certos tipos de cancro na infância e a exposição ocupacional dos pais, seja pai ou mãe.

Para crianças com um dos pais a desenvolver atividade na indústria de tintas, o risco de contrair leucemia mieloide aguda foi 2,26 vezes maior. O risco foi 2,43 vezes maior para crianças com um dos pais a trabalhar na indústria de impressão. Os riscos de cancro do sistema nervoso central também se concluíram bastante aumentados.

O estudo examina, ainda, vários assuntos que não abordaremos aqui. No entanto, exige a consideração de duas questões políticas fundamentais.

Em termos de pesquisa sobre o cancro, é dada pouca atenção às desigualdades sociais causadas pelas condições de trabalho. A história da ciência também é uma história de ciência não realizada, de perguntas não respondidas ou perguntas nunca formuladas.

Esse espaço em branco no nosso conhecimento deve-se a muitos fatores: à falta de interesse por parte da comunidade científica, ao ênfase no que pode ser prestigiante ou não, a considerações orçamentais, a prioridades de pesquisa financiadas pelo governo e assim por diante.

Esta pesquisa dinamarquesa que é pioneira mostra que, usando os dados existentes, é possível avançar no conhecimento humano num campo politicamente sensível. Embora grandes investimentos estejam sendo feitos em "big data" (exploração de conjuntos de dados muito grandes) onde interesses comerciais ou segurança estão em jogo, pouco esforço está sendo feito para vincular os dados às desigualdades sociais em termos de saúde.

Na legislação europeia de saúde ocupacional, os riscos associados a substâncias prejudiciais à saúde reprodutiva não estão a ser enfrentados de forma eficaz.

Cancro à parte, as malformações congénitas, as questões de desenvolvimento e QI reduzido também estão na raiz da desigualdade infantil relacionada com as condições de trabalho impostas aos pais.
Poderiam ser feitos grandes progressos se as substâncias prejudiciais à saúde reprodutiva estivessem sujeitas às mesmas regras que os agentes cancerígenos.
Em 2004, a Comissão Europeia concordou em incluir na legislação sobre substâncias cancerígenas no local de trabalho as substâncias nocivas à saúde reprodutiva.
No entanto, a pressão exercida pelo lobby industrial, fez com que a CE tivesse voltado atrás e, 15 anos depois, ainda existe este impasse.
Acabar com esta diferença entre saúde pública e tratamento da saúde ocupacional é uma importante batalha política.

 Nota: Tradução da responsabilidade do Departamento de SST da UGT 

A versão original pode ser consultada Aqui.


33 substâncias cancerígenas, mutagénicas e reprotóxicas proibidas na indústria têxtil da Europa




A Comissão Europeia proibirá 33 substâncias carcinógenas, mutagénicas e substâncias reprotóxicas (CMRs) em roupas e tecidos produzidos ou comercializados na União Europeia.

Com entrada em vigor em 1 de novembro de 2020, esta medida foi adotada no contexto do regulamento REACH. O seu objetivo é proteger os consumidores contra o risco de exposição a substâncias perigosas, deliberadamente adicionadas às roupas para lhes dar propriedades específicas ou que se encontram presentes nas roupas sob a forma de impurezas, decorrentes do processo de produção.

Embora a lista original da Comissão contenha 286 substâncias, apenas 33 foram mantidas após consultas com a indústria. As demais foram removidas, porque não se encontravam presentes nos produtos acabados ou, ainda, porque eram consideradas essenciais para o processo de fabricação.

Os tecidos cobertos por essa legislação são aqueles que podem entrar em contato com a pele (roupas, lençóis, toalhas e sapatos). Outros produtos, tais como, cortinas, tapetes e outros tecidos de decoração não serão afetados.


Tony Musu, investigador da ETUI, vê essa medida de forma positiva, pois indiretamente vai proporcionar uma melhor proteção aos trabalhadores que produzem esses têxteis na Europa e noutros lugares.

As empresas da UE terão de cumprir essas novas regras se quiserem continuar a exportar os seus produtos para a UE.

Embora a proibição seja difícil de monitorizar para todos os produtos que são importados para a UE, este é, no entanto, um grande passo na proteção da saúde dos consumidores e dos trabalhadores.

O especialista da ETUI, Tony Musu, deixa ainda um conselho geral para nos proteger contra os produtos perigosos presentes nos têxteis: “lave sempre primeiro as roupas novas antes de usá-las”.

Nota: Tradução da responsabilidade do Departamento de SST da UGT

Aceda à versão original Aqui.


Ficha informativa: Agentes cancerígenos no trabalho






Esta ficha informativa, desenvolvida conjuntamente por todos os parceiros do Roteiro sobre agentes cancerígenos, fornece aconselhamento prático conciso sobre a necessidade de evitar os riscos dos agentes cancerígenos no local de trabalho.

Concebido como um documento de referência rápido para utilização diária, começa por definir os agentes cancerígenos no trabalho e descreve os riscos que representam.

O documento abrange, em seguida, os requisitos legais específicos, como a avaliação dos riscos, a hierarquia das medidas de prevenção aplicada aos agentes cancerígenos e os limites de exposição profissional. Fornece igualmente informações sobre as medidas de manutenção e os incidentes, bem como sobre a forma de reconhecer os trabalhadores particularmente em risco.

Existem ligações para ferramentas e orientações úteis e informações sobre o roteiro sobre agentes cancerígenos — tudo o que é necessário para gerir os riscos dos agentes cancerígenos no trabalho.

Aceda à ficha informativa Aqui.