A
edição de 2024 do Inquérito Europeu às Condições de Trabalho da EUROFOUND evidencia
resultados de extrema pertinência relativamente à dimensão Saúde e Bem-Estar
dos trabalhadores.
É facto indiscutível que o trabalho
tem um forte impacto na saúde, podendo ser positivo ou negativo, com efeitos imediatos
ou a longo prazo.
A saúde é um fator chave para a
capacidade de trabalhar e permanecer no trabalho, uma consideração importante
no contexto do envelhecimento demográfico.
As alterações climáticas trazem
novos riscos que podem afetar negativamente a saúde dos trabalhadores. As
preocupações sobre a saúde mental aumentaram após a pandemia de COVID-19, com
os riscos psicossociais no trabalho a admitirem mais atenção.
1 - Principais
conclusões:
ü O
bem-estar subjetivo dos trabalhadores continua a trajetória ascendente
observada em edições anteriores do inquérito. A pontuação média em 2024 foi de
69,4 (em 100), comparado com 65,5 em 2010 e 68,7 em 2015. Os problemas
músculo-esqueléticos são o problema de saúde mais prevalente reportado pelos
trabalhadores na UE.
ü Existe uma diferença de género no
que diz respeito à comunicação de questões de saúde: as mulheres têm maior
probabilidade do que os homens de reportar problemas de saúde, especialmente no
que diz respeito a dores de cabeça ou fadiga ocular (54% para mulheres e 41%
para homens) e ansiedade (26% para mulheres e 16% para homens).
ü Embora quase dois terços dos
inquiridos (63%) não sintam que o trabalho tenha impacto na sua saúde, podem
ser observados efeitos negativos em certos setores: transportes, saúde,
agricultura e indústria são setores onde até quase um terço dos trabalhadores
relata que o trabalho afeta negativamente a sua saúde.
2 - Bem-estar psicológico:
Medir
o bem-estar subjetivo é importante porque está intimamente ligado tanto à saúde
física como mental. O inquérito europeu utiliza o índice de bem-estar da
Organização Mundial de Saúde, que avalia três aspetos principais: 'estado de
espírito positivo' (incluindo bom humor e relaxamento), 'vitalidade'
(caraterizada por estar ativo e acordar sentindo-se renovado e descansado) e
'interesse geral' (interesse em coisas). Os resultados são medidos numa escala
de 0 a 100.
ü Em média, o bem-estar subjetivo dos
trabalhadores na UE em 2024 foi de 69,4 (de um total de 100 pontos). Este
número aumentou ao longo das edições sucessivas do inquérito (65,5 em 2010 e
68,7 em 2015).
ü Os homens pontuam ligeiramente mais do que as mulheres (70,6
comparado com 68,0). Os trabalhadores mais jovens e pós-reforma têm as
pontuações mais elevadas, enquanto os trabalhadores em idade avançada e
pré-reforma têm as pontuações mais baixas.
3 -
Problemas de saúde reportados
Os problemas musculoesqueléticos são o problema de saúde mais
prevalente reportado pelos trabalhadores na UE.
Trabalhadores em profissões fisicamente exigentes e trabalhadores
envolvidos em atividades em que exercem muita força física, relatam uma maior
incidência de dores nas costas, dores musculares e exaustão física no final do
dia, enquanto trabalhadores que executam trabalho administrativo, profissionais
e gestores tendem a relatar mais casos de dores de cabeça, fadiga ocular,
ansiedade e problemas de sono.
Os trabalhadores dos serviços (por exemplo, cabeleireiros, trabalhadores
da restauração, guias turismo) reportam uma incidência média de todos os
problemas de saúde.
Alguns resultados:
|
|
Dores de costas |
Dores de cabeça/fadiga
ocular |
Ansiedade |
|
Gestores |
42.2 |
45.2 |
21.5 |
|
Trabalhadores administrativos |
49.3 |
51.1 |
19.9 |
|
Trabalhadores serviços e vendas |
53.7 |
44.4 |
20.7 |
|
Trabalhadores agrícolas |
61.6 |
31.7 |
16.4 |
|
Trabalhadores artesãos |
58.3 |
39.6 |
13.4 |
|
Operadores de máquinas |
58.7 |
39.8 |
17.2 |
|
UE-27 |
52.4 |
47.2 |
20.8 |
|
|
Fisicamente exausto ao final do dia |
Emocionalmente esgotado pelo trabalho |
Dificuldade sono |
Maior risco de
depressão |
Risco de depressão |
|
Gestores |
15.7 |
9.3 |
19.6 |
3.4 |
10.7 |
|
Trabalhadores
administrativos |
15.4 |
10.6 |
22.1 |
3.6 |
11.9 |
|
Trabalhadores serviços
e vendas |
22.7 |
14.5 |
21.5 |
4.2 |
10.6 |
|
Trabalhadores
agrícolas |
27.4 |
9.9 |
13.0 |
4.1 |
13.2 |
|
Trabalhadores artesãos |
25.5 |
11.9 |
16.7 |
4.4 |
12.4 |
|
Operadores de máquinas |
22.0 |
14.8 |
18.3 |
4.7 |
11.3 |
|
UE-27 |
20.0 |
13.0 |
20.4 |
4.7 |
11.2 |
ü As mulheres também têm maior
probabilidade do que os homens de reportar problemas de saúde, com as maiores
diferenças de género em problemas de saúde auto-reportados, como dores de
cabeça ou fadiga ocular (54% para mulheres e 41% para homens) e ansiedade (26%
para mulheres e 16% para homens).
Fonte:
Aceda
aos resultados integrais do Inquérito Europeu às Condições de Trabalho 2024
Aqui.




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