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segunda-feira, 21 de março de 2016

Diagnóstico de Riscos Psicossociais e Intervenção numa Indústria Transformadora Portuguesa


Emília Luís, Sara Ramos *
 
Resumo: Os riscos psicossociais são o segundo problema de saúde relacionado com o trabalho mais reportado na Europa (EU-OSHA, 2012a). No entanto, a falta de sensibilização e recursos da maioria das empresas compromete a implementação de estratégias de avaliação e gestão do risco.
 
Através da Análise Ergonómica da Atividade de Trabalho (Guérin et al., 2006), várias metodologias qualitativas de recolha de dados foram implementadas neste projeto, nomeadamente, o inquérito INSAT (Duarte, Cunha & Lacomblez, 2007), observações sistemáticas; Focus Group envolvendo trabalhadores e chefias; e análise documental de registos internos da empresa. Os dados foram analisados numa matriz integrada, desenvolvida com base no modelo de Leka, Griffiths e Cox (2003).
 
Foram identificados problemas ao nível da rotatividade do horário; falta de participação e controlo na tomada de decisão por parte dos trabalhadores; comunicação com chefias e suporte percepcionado pelos trabalhadores; dificuldades de relacionamento interpessoal, situações de conflito e qualidade de liderança; e falta de clareza nas funções.
 
Foi proposto um plano de intervenção, iniciando com uma fase de sensibilização, seguida de uma fase de capacitação onde se pretendia munir os trabalhadores e chefias de ferramentas para a transformação dos postos de trabalho, com vista a mudança das práticas de gestão das pessoas.
 
Fonte: Artigo Diagnóstico de Riscos Psicossociais e Intervenção numa Indústria Transformadora Portuguesa


Aceda ao Artigo Aqui

* ISCTE-IUL, Lisboa, Portugal, E-mail: etvcl@iscte.pt; scmsr@iscte.pt.

Desumanização do trabalho e turnover num call center de uma instituição bancária


 Vera Moreira, Paulo Marques Alves, Maria do Carmo Botelho

 

 


 Resumo: Nas últimas décadas verificou-se uma enorme expansão dos call centers. Vários autores têm considerado que o trabalho nestas organizações tem muitas semelhanças com o trabalho fabril taylorizado, quer devido às características das tarefas quer pelo impacto negativo que frequentemente têm junto dos trabalhadores.

A presente investigação foi realizada num call center de um banco, onde se verificou uma taxa de turnover de 136% (valor relativo a saídas voluntárias) entre os operadores de outbound. Metodologicamente optou-se por um método quantitativo, tendo sido aplicado um inquérito por questionário aos operadores que rescindiram o contrato de trabalho entre 01/01/12 e 30/06/14. O estudo revela que os ex-operadores manifestam o carácter simples e repetitivo das tarefas, uma perceção negativa de progressão na carreira e a inadequabilidade do salário e das recompensas.

Verifica-se também a perceção de burnout, traduzindo-se no cinismo e exaustão do ex-operador, que consequentemente pode ter influência no turnover, um fenómeno organizacional associado à insatisfação no trabalho.

Os aspetos mais relevantes de insatisfação dizem respeito à equipa de supervisão e ao seu feedback para com os assistentes; ao salário e às recompensas; à identidade perante as funções e ao tipo de funções realizadas, bem como à possibilidade de progressão na carreira.

Fonte: Artigo Desumanização do trabalho e turnover num call center de uma instituição bancária

 Aceda ao Artigo Aqui.

1 Universidade do Minho, Braga, Portugal, eu.vera.moreira@gmail.com ; 2 Professor Auxiliar do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa e investigador no DINÂMIA’CET-IUL. E-mail: paulo.alves@iscte.pt ; 3 Professora Auxiliar do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa e investigadora no CIES-IUL. E-mail: maria.botelho@iscte.pt

segunda-feira, 14 de março de 2016

Estudo Assédio Sexual e Moral no local de trabalho


O Estudo Assédio Sexual e Moral no local de trabalho foi desenvolvido pelo CIEG – Centro Interdisciplinar de Estudos de Género, em 2015, no âmbito de um projeto de parceria promovido pela CITE – Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, envolvendo várias entidades parceiras.

A pesquisa, cujos resultados sumariamente se apresentam, teve como ponto de partida a comparação com os dados recolhidos num inquérito pioneiro realizado em 1989 sobre assédio sexual sobre mulheres.

O inquérito foi aplicado a uma amostra representativa da população ativa de Portugal continental, excluindo o sector primário. Responderam 1801 pessoas, sendo 558 homens e 1243 mulheres.

Algumas conclusões:

·         Em 2015 verifica-se que 16,5% da população ativa portuguesa ao longo da sua vida profissional já viveu alguma vez uma situação de assédio moral;

·         Por seu turno, o assédio sexual foi experimentado por 12,6% da população inquirida.

·         As mulheres são o alvo preferencial destas duas formas de assédio no local de trabalho. Por um lado, 14,4% das mulheres já alguma vez sofreu assédio sexual enquanto apenas 8,6% dos homens passaram pela mesma experiência no local de trabalho.

·         Por outro, 16,7% das mulheres já experimentou uma situação de assédio moral contra 15,9% de homens.

Comparando os dados do inquérito realizado em 1989 com os resultados de 2015 verifica-se que as mulheres apresentam maior clareza na perceção e identificação de situações que constituem assédio sexual no local de trabalho.

A sociedade portuguesa transformou-se profundamente nos últimos 25 anos, da estrutura da economia e do mercado de trabalho à sexualidade, passando pelos níveis de ensino. Será que também mudou relativamente à perceção das mulheres e dos homens sobre o que é ou não assédio sexual?

Será que mudaram as reações ao assédio sexual?

Em 1989 as perceções sobre o que era ou não assédio sexual no trabalho eram particularmente difusas no que se refere àquilo que denominamos como insinuações sexuais. Nessa altura, os comentários ordinários à maneira de vestir ou à beleza física eram identificados como formas de assédio sexual por cerca de um terço das mulheres.

Mas 25 anos depois, em 2015, 65,8% das mulheres identificam as piadas e comentários acerca do seu aspeto como forma de assédio sexual e 84,2% percebe os comentários de natureza sexual como uma prática de assédio.

Há 25 anos os comentários de natureza ofensiva sobre uma parte do corpo das mulheres eram identificados por cerca de 50% das mulheres como uma forma de assédio sexual, atualmente esse valor situa-se nos 72,9%.

As diferenças entre os dados de 1989 e de 2015 relativamente àquilo que constitui assédio sexual vão diminuindo na exata medida em que a análise caminha para formas de assédio sexual mais explícitas. Isto é, quando as situações de assédio implicam contactos físicos corpo-a-corpo. Tal como há 25 anos, mais de 90% das mulheres identificam esses incidentes físicos como assédio sexual.



Fonte: Estudo Assédio Sexual e Moral no local de trabalho


Aceda ao Estudo Assédio Sexual e Moral no local de trabalho Aqui.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Primeiras conclusões: Sexto inquérito europeu sobre as condições de trabalho




Já se encontram disponíveis, em português, as primeiras conclusões do 6.º Inquérito Europeu sobre Condições de Trabalho.

As Principais conclusões:

• O número de casos comunicados de exposição a riscos relacionados com a postura, embora ainda significativo (43 %), diminuiu.

• Nove em cada dez trabalhadores consideram-se bem ou muito bem informados sobre os riscos para a saúde e a segurança relacionados com o desempenho do seu trabalho.

• Uma elevada percentagem de trabalhadores (58%) declaram sentir-se sempre ou quase sempre apoiados pelas chefias, e uma percentagem muito elevada (71 %) afirma que recebe sempre ou quase sempre apoio dos colegas.

• A percentagem de trabalhadores cujo superior hierárquico imediato (supervisor) é uma mulher aumentou de 24 % em 2000 para 33 % em 2015.

• A maioria dos trabalhadores (58 %) declara-se satisfeita com o horário de trabalho na sua principal atividade remunerada.

• Um terço dos trabalhadores (31 %) trabalha numa «organização com elevados níveis de envolvimento», caracterizada por um alto grau de autonomia dos trabalhadores e um elevado nível de participação a nível da organização.

• Quase dois terços dos trabalhadores concordam que a organização para a qual trabalham os motiva a prestar o seu melhor desempenho no trabalho: 39 % «tendem a concordar» e 24% «concordam plenamente».

• As diferenças de género continuam a ser significativas, tanto no trabalho como na vida fora dele.

• É mais frequente os homens trabalharem mais horas (48 horas ou mais – os trabalhadores por conta própria, em particular) e as mulheres menos horas (menos de 20 horas).

• Os homens declaram mais horas de trabalho remunerado, mas o número total de horas de trabalho (trabalho remunerado no emprego principal e no segundo emprego, trabalho diário não remunerado e tempo dedicado às deslocações entre casa e trabalho) é mais elevado para as mulheres do que para os homens.

• Os trabalhadores das empresas mais pequenas recebem menos frequentemente informação sobre os riscos para a saúde e a segurança relacionados com o desempenho do seu trabalho.

• Os trabalhadores mais jovens estão mais expostos do que os outros à intensidade do trabalho, ao trabalho por turnos, a comportamentos sociais adversos e à precariedade laboral.

• Os trabalhadores com mais de 50 anos declaram ter piores perspetivas de progressão na carreira e receber ofertas de formação inadequadas.


Consulte Aqui toda a informação.



quarta-feira, 9 de março de 2016

Cancro Ocupacional


Estima-se que terá havido 1 300 000 mortes provocadas por cancros ocupacionais na União Europeia em 2012. Em muitos países, o cancro é a principal causa de morte entre as pessoas com menos de 65 anos. Muitas destas mortes resultam diretamente da exposição dos trabalhadores a agentes cancerígenos no trabalho.

Os dados existentes comprovam a teoria de que pelo menos 8% das mortes provocadas por cancro estão relacionadas com o trabalho. Para alguns tipos de cancro, como o do pulmão ou da bexiga, este valor chega a ultrapassar os 10%. Pode dizer-se que o cancro é agora a principal causa de “morte causada por condições de trabalho” na Europa.

Nem todos os locais de trabalho são afetados de igual forma por esta “epidemia” cancerígena. Diferentes inquéritos nacionais e europeus e estudos epidemiológicos demonstraram que os trabalhadores manuais são os mais expostos a agentes cancerígenos.

Têm maiores probabilidades de exposição ao amianto e a uma série de substâncias perigosas produzidas pela indústria petroquímica do que os trabalhadores de escritório. Os trabalhadores da construção civil, por exemplo, estão particularmente expostos à sílica, à luz solar e ao pó de madeira, cujas propriedades cancerígenas são agora bem conhecidas.
Mas a pesquisa dos riscos de cancro nas mulheres é escassa e provavelmente levou a uma grave subestimação dos cancros relacionados com o trabalho. Pouquíssima pesquisa tem sido feita a respeito dos fatores ocupacionais relacionados com o cancro da mama, por exemplo.

A CES e a ETUI acreditam que a prevenção deve ser o centro das atenções da estratégia de cada sindicato na luta contra o cancro ocupacional. As leis comunitárias oferecem aos trabalhadores boas ferramentas orientadas especificamente para a redução ou eliminação dos agentes cancerígenos nos locais de trabalho. O problema é que os trabalhadores não estão ainda muito familiarizados com aquelas e poucos empregadores cumprem os requisitos legais.

Consequentemente, um conjunto de inquéritos nacionais aos trabalhadores apurou que, ao passo que o emprego industrial está a diminuir, o número de trabalhadores expostos a agentes cancerígenos não está a decrescer. Isto significa que é necessária uma verdadeira ação sindical de base, além de trabalho para melhorar o enquadramento legal da UE para proteger os trabalhadores contra os agentes cancerígenos.

Em Dezembro de 2012, o Comité Consultivo tripartido para a Segurança e Saúde sugeriu à Comissão Europeia a elaboração de uma proposta que estabelecesse novos valores-limite obrigatórios de exposição a agentes cancerígenos. Cabe agora à Comissão apresentar uma proposta sem mais atrasos.


terça-feira, 8 de março de 2016

Trabalhadores perdem a vida em acidente de trabalho mortal

Dois homens morreram este sábado soterrados num silo da refinaria de sementes e cereais Tagol, no Monte da Caparica, em Almada. O silo pertence ao grupo agro-industrial Sovena. 

Os dois trabalhadores, de 58 e 37 anos, foram resgatados já sem vida pelos bombeiros e terão morrido sufocados em farinha.

Às famílias destes trabalhadores enviamos as nossas sentidas condolências. 

Aceda à notícia Aqui.







6.º Inquérito Europeu às Condições de Trabalho – segregação de género e utilização do tempo e equilíbrio entre vida profissional e privada



No dia de hoje em se assinala o Dia Internacional da Mulher, recorremos às conclusões do 6.º Inquérito Europeu às Condições de Trabalho para retirar a informação relativa à segregação de género e à utilização do tempo e equilíbrio entre vida profissional e privada, dois temas que muito se relacionam com as mulheres. 

Segregação de género

As modalidades de participação de mulheres e homens de diferentes idades no mercado de trabalho e o trabalho que ambos realizam variam consideravelmente.

A segregação de género é uma característica persistente dos mercados de trabalho europeus. Apesar dos progressos realizados, mulheres e homens continuam a enfrentar diferenças no trabalho em muitos domínios, desde a profissão e o setor ao contrato tipo, à remuneração e ao tempo de trabalho.

Mais de metade de todos os trabalhadores declaram que partilham o seu cargo principalmente com trabalhadores do mesmo sexo que eles próprios (58 % dos homens e 54 % das mulheres), enquanto apenas um quinto (21 %) dos trabalhadores declara partilhar o seu cargo com igual proporção de homens e mulheres.

Em termos de segregação hierárquica, a percentagem de todos os trabalhadores que indicam ter um supervisor do sexo feminino aumentou de 24% em 2000 para 33 % em 2015.

 No entanto, dois terços dos trabalhadores (67 %) continuam a ter um supervisor do sexo masculino. Uma análise mais aprofundada revela ainda outras diferenças entre os géneros: metade dos trabalhadores do sexo feminino têm um supervisor do sexo feminino, comparativamente a apenas 15 % no caso dos homens.

Utilização do tempo e equilíbrio entre vida profissional e privada

A consecução do objetivo da Estratégia Europa 2020 de aumentar para 75 % a taxa de emprego na faixa etária dos 20 64 anos depende em grande medida do aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho na Europa.
Para garantir uma maior participação das mulheres, é necessário compreender a interação do tempo de trabalho com outras vertentes do tempo, como o tempo das deslocações entre casa e trabalho e o trabalho não remunerado.

As conclusões confirmam a existência de desigualdades entre homens e mulheres na partilha de responsabilidades na prestação de cuidados e no trabalho doméstico não remunerado, sendo que são as mulheres que realizam a maior parte do trabalho não remunerado.


O indicador composto do IECT respeitante ao tempo de trabalho remunerado e não remunerado – que inclui o trabalho remunerado no emprego principal e no segundo emprego, o tempo das deslocações entre casa e trabalho e o trabalho não remunerado (ligado principalmente aos cuidados aos filhos e a outras pessoas dependentes) – mostra que, de um modo geral, o número de horas de trabalho é mais elevado para as mulheres quando calculadas as horas de trabalho remunerado e não remunerado.

Fonte: Primeiras Conclusões do Inquérito Europeu  às Condições de Trabalho