Subscribe:

Pages

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Cancro Ocupacional - Um Guia para o local de trabalho - parte III

 No âmbito da Campanha sobre prevenção do cancro relacionado com o trabalho que teve a sua evidência maior no desenvolvimento do Webinar Internacional realizado a 5 de novembro, o Departamento de SST, ciente que a nível nacional não se tem produzido muita informação sobre a temática do cancro relacionado com o trabalho, principalmente com enfoque sindical, procedeu à tradução deste Guia da TUC ( O Trades Union Congress é um sindicato nacional central, uma federação de sindicatos do Reino Unido, que representam a maior parte dos sindicatos).

 

Pela pertinência da temática e bem assim, indiscutível qualidade da publicação, vamos publicar no nosso blog faseadamente a tradução realizada.

parte III


Estratégia sindical para eliminar o fardo do cancro profissional

Os sindicatos têm estado na vanguarda da campanha contra a utilização de agentes cancerígenos no local de trabalho. Muitas substâncias que os empregadores diziam ser seguras só foram reconhecidas como perigosas porque os sindicatos sublinharam o facto de os trabalhadores estarem a morrer em consequência da exposição, ou porque os sindicatos têm realizado uma campanha pela sua proibição ou controlo. Um exemplo é o amianto, que mata 4.000 trabalhadores por ano, mas que os empregadores afirmaram ser seguro até à década de 1980 (alguns ainda afirmam que é seguro até hoje).

 

O objetivo dos sindicatos é que não haja exposição no local de trabalho a qualquer coisa que cause cancro. Sempre que possível, isso significará a remoção total dos agentes cancerígenos do local de trabalho. Em alguns casos isso não é prático, mas nestes casos o trabalhador deve ser totalmente protegido contra a exposição. Exemplos de onde um agente cancerígeno não pode ser removido, mas onde a exposição dos trabalhadores a um determinado risco pode ser removida incluem radiografistas com radiação, trabalhadores de pedreiras com sílica e mecânicos de autocarros com escape diesel.

 

Descobrir onde os agentes cancerígenos se encontram

 

O primeiro passo deve ser saber a que agentes cancerígenos estão expostos. A lista principal de substâncias cancerígenas é elaborada pela Agência Internacional de Investigação do Cancro (IARC). Esta lista contém todos os perigos que foram avaliados até à data, de acordo com o tipo de perigo e com o tipo de exposição. Existem vários agrupamentos.

 

 

O TUC considera que todas as substâncias dos grupos 1 e 2A devem ser retiradas do local de trabalho ou, se tal não for possível, a exposição deve ser totalmente controlada. Deve também ser-se necessário ter cuidado para evitar a exposição a substâncias do grupo 2B.

 

Os representantes para a Segurança e Saúde no Trabalho devem ser encorajados a pedir ao seu empregador uma lista de todos os agentes cancerígenos conhecidos de classe 1, 2A e 2B, a que os trabalhadores são suscetíveis de serem expostos como parte do seu trabalho.

 

De acordo com a pesquisa da HSE, os maiores responsáveis para as mortes por cancro, no Reino Unido, foram o amianto, seguidos por óleos minerais, radiação solar, sílica e gases de motor diesel. Um grande número de trabalhadores encontra-se potencialmente exposto a mais de um agente cancerígeno, em particular na indústria da construção, mas também na indústria transformadora, transportes, pintura, soldadura e têxteis.

 

Grupo 1:  O agente é cancerígeno para os seres humanos.

Grupo 2A: O agente é provavelmente cancerígeno para os seres humanos.

Grupo 2B: O agente é possivelmente cancerígeno para os seres humanos.

Grupo 3: O agente não é classificado quanto à sua carcinogenicidade para com os seres humanos.

Grupo 4:  O agente provavelmente não é cancerígeno para os seres humanos.

A lista pode ser consultada em: https://monographs.iarc.fr/agents-classified-by-the-iarc/

 

No entanto, se o seu empregador lhe facultar uma lista, por favor, olhe-a com alguma desconfiança e verifique se inclui todas as questões relativas a esta problemática.


Por exemplo, se é um representante de segurança e saúde num hospital, a lista inclui um possível risco de hepatite viral? O seu empregador sabe mesmo se existe amianto no edifício? Incluíram o risco do trabalho ao sol para os trabalhadores que desenvolvem atividade ao ar livre?


Também alguns produtos químicos podem ser conhecidos apenas pela sua marca e não pelo nome que lhes é dado na classificação IARC, ou podem ser misturados com outros agentes. Por conseguinte, os representantes para a segurança e saúde devem solicitar cópias das folhas de dados de segurança para todos os produtos químicos e misturas químicas utilizados para garantir a inclusão de todos os possíveis agentes cancerígenos.


Os representantes para a SST devem também procurar a garantia de que não serão introduzidos novos agentes cancerígenos no local de trabalho sem haver consulta e acordo com os sindicatos. Os sindicatos só devem concordar quando não houver outras alternativas e os trabalhadores estiverem totalmente protegidos de qualquer contacto com a substância.

 

Nota: tradução da responsabilidade do Departamento de SST da UGT


Aceda à versão original Aqui.



 


0 comentários:

Enviar um comentário